Política
Oscar Schmidt queria ser presidente, tentou vaga no Senado e foi Secretário de Esporte
São Paulo — Oscar Schmidt, maior ídolo do basquete brasileiro, que morreu nesta sexta-feira (17), aos 68 anos, também teve uma passagem marcante pela vida pública. No fim dos anos 1990, o ex-jogador tentou transformar a popularidade das quadras em capital político: foi secretário municipal de Esportes de São Paulo (1997–1998) e disputou o Senado por São Paulo em 1998, quando ficou perto da vitória contra Eduardo Suplicy (PT).
Da quadra à política
- Em entrevista ao SporTV, Oscar contou que sua candidatura ao Senado em 1998 fazia parte de um projeto maior: chegar à Presidência da República. Após mais de uma década atuando no basquete europeu, ele afirmou ter retornado ao Brasil com esse objetivo.
- Antes da corrida eleitoral, assumiu a Secretaria Municipal de Esportes, Lazer e Recreação de São Paulo entre 1997 e 1998, na gestão do então prefeito Celso Pitta. Convidado diretamente pelo chefe do Executivo, deixou o cargo para concorrer ao Senado.
A disputa ao Senado em 1998
- Na eleição, Eduardo Suplicy foi eleito com 6,71 milhões de votos; Oscar somou 5,75 milhões, resultado que o deixou muito próximo de conquistar a vaga. Anos depois, o próprio ex-atleta avaliou que a derrota acabou sendo positiva.
- A performance nas urnas mostrou força de recall e capilaridade de um ídolo esportivo, mas também os limites de uma candidatura recém-estruturada diante de um adversário com trajetória política consolidada.
Gestão pública em São Paulo
- À frente da Secretaria de Esportes da capital, Oscar concentrou esforços na promoção de políticas voltadas ao esporte e ao lazer, em uma transição direta do ambiente esportivo de alto rendimento para a gestão pública municipal.
- A permanência no cargo foi curta — deixada para viabilizar a campanha ao Senado —, mas marcou sua primeira experiência formal na administração pública.
Contexto e legado
- Ícone internacional do basquete, Oscar foi incluído no FIBA Hall of Fame (2010) e no Naismith Memorial Basketball Hall of Fame (2013). Nascido em Natal (RN), consolidou a carreira entre Brasil, Itália e Espanha e tornou-se sinônimo de protagonismo esportivo para o público brasileiro.
- Sua morte, em São Paulo, aos 68 anos, foi confirmada nesta sexta (17). A relevância esportiva e a tentativa de ingressar na vida pública ajudam a explicar sua dimensão como figura pública multifacetada — entre o carisma das quadras e a ambição de influenciar políticas de esporte em escala nacional.
Análise — o que fica da aposta política de Oscar
- Com base nos dados eleitorais de 1998 e no relato do próprio ex-jogador, a trajetória política de Oscar evidencia um fenômeno recorrente no país: atletas de grande apelo popular que encontram terreno fértil para candidaturas majoritárias. Seu desempenho competitivo contra um nome estabelecido como Suplicy indica que a força simbólica do “Mão Santa” quase transbordou para as urnas. Ao mesmo tempo, a ausência de uma base partidária robusta e de tempo de maturação política pesou contra a vitória, como mostram os números finais.
Fontes e verificação
- G1: “Oscar Schmidt, maior ídolo do basquete brasileiro, morre em SP aos 68 anos” (17/04/2026).
- Wikipedia: verbete “Oscar Schmidt” (confirmação de perfil e marcos da carreira esportiva).
- Entrevista ao SporTV citada por Oscar sobre seu projeto político de 1998.