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Pacheco confirma que não disputará governo de MG e diz que vai encerrar carreira política

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São Paulo — Em evento do Lide, nesta sexta-feira (29), o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) confirmou publicamente que não será candidato ao governo de Minas Gerais em 2026 e que encerrará sua trajetória política ao fim do atual mandato no Senado, em 2027. O ex-presidente do Senado também descartou de forma categórica qualquer possibilidade de indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF), pondo fim às especulações sobre seu futuro. “Há um fechamento de ciclo na política que eu decidi fazer com o sentimento de dever cumprido”, afirmou.

Contexto e bastidores

A decisão ocorre dias após o presidente nacional do PT, Edinho Silva, reconhecer que não houve a consolidação de uma aliança para lançar Pacheco como o nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Minas — um dos maiores e mais estratégicos colégios eleitorais do país. Desde o início das conversas para 2026, Pacheco era tratado por setores do governo e do PT como a preferência do Planalto para disputar o Palácio Tiradentes.

Embora nunca tenha assumido formalmente a condição de pré-candidato, o senador admitiu negociações com dirigentes petistas ao longo dos últimos meses. Em abril, ao deixar o PSD e filiar-se ao PSB — partido do vice-presidente Geraldo Alckmin —, alimentou expectativas de que avançaria rumo à disputa mineira. A confirmação da desistência, porém, evidencia que a costura política necessária para sua candidatura não se viabilizou.

Declarações e recados

Após participar de um painel sobre tecnologia no encontro do Lide, grupo empresarial fundado por João Doria, Pacheco reiterou a decisão como definitiva e rejeitou também qualquer convite para integrar cortes superiores. “Não tenho nenhuma expectativa ou perspectiva de ingresso em tribunal superior, inclusive no Supremo Tribunal Federal”, declarou.

O senador fez ainda um balanço de sua trajetória de 12 anos na vida pública. “Fui deputado federal e senador, presidente do Senado e do Congresso Nacional por quatro anos. Tenho uma vida plenamente realizada”, disse, reforçando que sua aposentadoria política ocorrerá ao término do mandato atual, em 2027.

Repercussão

A movimentação gerou reação imediata no MDB. Em coletiva no mesmo evento, o presidente da sigla, Baleia Rossi, lamentou a aposentadoria e pediu o apoio de Pacheco à candidatura de Gabriel Azevedo ao governo de Minas. “Eu lamento que ele esteja colocando um ponto final, como ele mesmo falou, na vida pública (…). Se de alguma forma a gente puder dialogar para que haja uma convergência em torno do apoio a Gabriel Azevedo, isso seria muito importante para nós, pela relevância de sua liderança”, afirmou.

O que está em jogo em Minas

Minas Gerais tem peso decisivo nas eleições nacionais e costuma ser tratada como termômetro político. A retirada de Pacheco da disputa reconfigura o tabuleiro de 2026 no estado: reduz as opções do campo governista ligado a Lula e abre espaço para novas composições entre aliados e adversários. Sem um nome de consenso à esquerda, a tendência é que a disputa mineira atraia negociações intensas, com MDB, PSB, PT e outras legendas testando alternativas para construir um palanque competitivo.

Análise da Revista Oi

A decisão de Pacheco é, ao mesmo tempo, um gesto de encerramento de ciclo e um movimento que impõe recalibragem à estratégia de 2026 em Minas. Com o PT admitindo a falta de lastro político para consolidá-lo como candidato, o senador antecipa o desfecho e procura controlar a narrativa ao descartar também a hipótese de ir ao STF — um rumor que frequentemente orbita lideranças do Senado. O resultado prático é duplo: o Planalto perde um nome com densidade institucional no estado, e o MDB tenta ocupar rapidamente esse espaço ao cortejar o apoio de Pacheco à candidatura de Gabriel Azevedo. Ao filiar-se ao PSB em abril, Pacheco havia multiplicado especulações; ao desistir agora, sinaliza que a engenharia política exigida para 2026 não se materializou.

Encerramento

Com a confirmação de que não disputará o governo mineiro e que deixará a vida pública em 2027, Rodrigo Pacheco fecha um ciclo marcado por passagens relevantes — como a presidência do Senado e do Congresso por quatro anos — e impõe uma rearrumação imediata nas articulações para o governo de Minas. A partir de agora, caberá aos partidos reorganizar suas apostas, enquanto o senador, fora do jogo eleitoral e do radar do STF, faz seu movimento final no tabuleiro político nacional.

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