Entretenimento
Criador do ‘passinho do Jamal’ desabafa sobre falta de visibilidade: ‘Sofro preconceito’
Resumo inicial
O dançarino e criador de conteúdo Romero Júnior, conhecido como Jamal, autor do passinho que virou fenômeno nas redes e chegou às passarelas, usou as redes sociais nesta segunda-feira (4) para denunciar a desigualdade de oportunidades na indústria do entretenimento. O desabafo veio após uma publicação da página Brega Bregoso destacar o contraste entre o sucesso global da coreografia — vista de jogos de futebol a desfiles de moda — e a ausência de retorno financeiro proporcional para seu criador. A discussão ganhou fôlego depois de a dança ser destaque na mais recente edição da Rio Fashion Week, em um desfile da marca Blueman com influenciadores reproduzindo os movimentos.
Desabafo nas redes e a crítica à desigualdade
Segundo Jamal, a notoriedade do passinho nas grandes vitrines não se converteu em reconhecimento formal e financeiro na mesma medida. “Sofro preconceito”, afirmou, ao pontuar que artistas periféricos frequentemente veem suas criações ampliarem o engajamento e o lucro de terceiros, enquanto seguem à margem de contratos publicitários robustos. A publicação da Brega Bregoso serviu de gatilho para a resposta do dançarino, evidenciando um problema recorrente no ecossistema digital: a dificuldade de criadores de origem popular transformarem alcance em remuneração justa.
Das ruas do Recife às passarelas
Criado em 2020 no bairro de Santo Amaro, área central do Recife, o passinho surgiu da parceria entre os amigos de infância Pedro Henrique (Eo Chapa) e Romero Júnior (Jamal). “A gente começou dançando por brincadeira”, disse Eo Chapa em entrevista ao g1 em janeiro deste ano. A coreografia, associada ao brega-funk pernambucano, demorou a explodir nacionalmente e só atingiu seu pico de repercussão cerca de cinco anos depois — o que coincidiu com a atual onda de visibilidade em grandes eventos e no circuito da moda no Rio de Janeiro.
Alcance global e o efeito J-Hope
O “passinho do Jamal” avançou de tendência nacional a fenômeno global quando J-Hope, integrante do grupo sul-coreano BTS, publicou um vídeo aderindo à trend brasileira “67”. Nas imagens, o astro executa os movimentos de Jamal, impulsionando o ritmo pernambucano aos assuntos mais comentados no mundo e consolidando a internacionalização da dança. Esse movimento reforçou a pergunta central do debate: quem capitaliza, de fato, quando a cultura periférica viraliza além-fronteiras? (Referência: g1 — “6 7”, “six seven”: por que esses dois números viraram um pesadelo para professores de inglês)
Moda, influência e autoria
Na última Rio Fashion Week, o desfile da Blueman levou a coreografia para a passarela com influenciadores convidados repetindo o passinho. A presença em um palco prestigiado da moda brasileira evidencia a força estética e comunicacional da criação de Jamal. Ao mesmo tempo, reacende uma pauta sensível: o reconhecimento autoral de movimentos culturais que emergem nas margens e se tornam ativos valiosos para marcas, eventos e personalidades com maior poder de captação de patrocínio e visibilidade.
Trajetória e impacto cultural
Hoje, Jamal é referência no brega-funk, com coreografias replicadas por celebridades e jogadores de futebol em comemorações na Europa. O alcance comprova a potência cultural do Recife como polo criativo e confirma o papel dos criadores digitais na difusão de tendências. Ainda assim, o próprio artista sublinha que o retorno simbólico e financeiro está aquém do impacto real que sua obra exerce no mercado do entretenimento.
Análise da Revista Oi
Os fatos relatados por Jamal espelham um desequilíbrio estrutural entre alcance e remuneração na economia da atenção. Quando uma criação nasce em territórios periféricos, a distância até a formalização de contratos, a intermediação com marcas e a proteção da autoria tende a ser maior. Na avaliação da Revista Oi, o caso expõe um vácuo de governança na cadeia do conteúdo: enquanto plataformas e marcas rapidamente incorporam o que é viral, os mecanismos de crédito, licenciamento e participação nos ganhos ainda não acompanham a velocidade da difusão. A visibilidade sem contrapartida — especialmente quando atravessada por preconceito e barreiras socioeconômicas — perpetua assimetrias que o setor precisa enfrentar.
Por que importa
O episódio vai além de um apelo individual. Ele sinaliza uma agenda urgente para a indústria criativa: estabelecer políticas claras de atribuição, modelos de remuneração e portas de entrada efetivas para criadores periféricos. A consistência do passinho do Jamal — do Recife às passarelas, do feed ao trending global — indica que há valor cultural e econômico inegável. Converter esse valor em reconhecimento e renda para quem cria é o próximo passo para um mercado mais justo e sustentável.
Fontes e referências
- Publicação de Jamal e repercussão na página Brega Bregoso (redes sociais)
- g1: Passinho do Jamal: conheça dança que viralizou e conquistou Ivete Sangalo, João Gomes e outros famosos (10/01/2026)
- g1: “6 7”, “six seven”: por que esses dois números viraram um pesadelo para professores de inglês (11/04/2026)