Negocios

Durigan diz que ‘gargalo’ da economia são os juros altos: ‘quem é menos culpado é o Ministério da Fazenda’

Published

on

Resumo

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta semana que os juros elevados são o principal “gargalo” da economia brasileira, por travarem investimentos privados e pressionarem a dívida pública. Com a Selic a 14,25% ao ano — a mais alta do mundo em termos reais entre 40 países, segundo ranking da MoneYou —, Durigan defendeu “harmonizar” a política fiscal com a monetária e prometeu ajuste das contas por meio de corte de gastos e revisão de benefícios fiscais. Ele rejeitou que medidas do governo, como expansão de crédito subsidiado, tenham impedido cortes mais agressivos de juros pelo Banco Central (BC).

Juros altos, dívida cara e investimento em compasso de espera

  • A dívida pública bruta atingiu 81,4% do PIB, de acordo com dados recentes, em um contexto de déficit de R$ 56,1 bilhões nas contas do governo central em maio. Como grande parte do endividamento é corrigida pela taxa básica de juros, cada ponto percentual a mais encarece o serviço da dívida, reduzindo o espaço orçamentário para investimentos e políticas públicas.
  • A Selic está em 14,25% ao ano após decisão do Copom em junho. Em termos reais (descontada a inflação projetada para 12 meses), o Brasil lidera o ranking de juros entre 40 nações, segundo a MoneYou, o que desestimula o crédito e alonga a recuperação do investimento privado.

O que diz o governo e o Banco Central

  • Durigan sustenta que o problema central hoje são os juros, e que o Ministério da Fazenda “é quem menos tem culpa” por esse quadro. Para ele, é preciso “harmonizar” a estratégia de receitas e despesas com a condução da política monetária.
  • O Banco Central, por sua vez, ressalta que a Selic é uma taxa de curto prazo e que sua atuação é reativa às condições da economia e às expectativas de inflação. Em 2023, o então presidente do BC, Roberto Campos Neto, afirmou que os juros no Brasil são altos porque a dívida é alta — e não o contrário —, relacionando o nível de endividamento ao custo do dinheiro.

Mercado vê descompasso fiscal-monetário

  • Economistas apontam que ainda falta a harmonização entre a política de gastos e a definição de juros. O diagnóstico recorrente é de “remadores em direções opostas”: estímulos e expansão de despesas de um lado, e aperto monetário de outro, o que dificulta domar a inflação e, por consequência, reduz o espaço para cortes de juros.
  • O mercado financeiro é crítico à combinação de aumento de impostos com avanço de gastos. Analistas pedem ênfase maior em redução de despesas e revisão de renúncias para que a queda dos juros seja sustentável e a dívida pare de subir.

Crédito subsidiado no ano eleitoral

  • Questionado se linhas de crédito com taxas favorecidas — como para caminhões, ônibus, reforma de imóveis, táxis e o Desenrola 2.0 — em ano eleitoral travaram uma redução mais acelerada da Selic, Durigan negou. Para ele, essas iniciativas não impediram cortes adicionais.
  • Entre analistas, persiste a avaliação de que políticas de crédito direcionado aumentam a demanda agregada e podem pressionar a política monetária, sobretudo quando as expectativas fiscais estão sob escrutínio.

Ajuste fiscal: como o governo pretende agir

  • Durigan afirmou que o governo implementará, nos próximos anos, o ajuste necessário para levar as contas “de volta ao azul”, com contenção de gastos e redução de benefícios fiscais. Ele defendeu tributar mais os mais ricos, revisar programas sociais e cortar subsídios.
  • Sobre a desindexação do salário mínimo em benefícios previdenciários e a desvinculação de gastos obrigatórios em saúde e educação da variação da receita — propostas citadas por analistas —, disse que é um debate para o próximo governo.
  • O ministro classificou o arcabouço fiscal aprovado em 2023 como “viável e sustentável”, apesar da compressão prevista dos gastos livres, ponto que suscita receio no mercado sobre risco de paralisia da máquina pública se não houver recomposição estrutural.

Análise Revista Oi

  • O diagnóstico de que os juros altos são um gargalo é preciso no curto prazo: eles encarecem a dívida e inibem investimento. Mas a trajetória dos juros depende diretamente da credibilidade fiscal. Sem uma âncora clara — com redução efetiva de despesas obrigatórias e de renúncias, e não apenas aumento de arrecadação —, o BC tende a ser mais cauteloso.
  • A promessa de ajuste com corte de gastos, revisão de benefícios fiscais e foco nos mais ricos aponta na direção esperada pelo mercado. O desafio é de execução: calibrar estímulos (como crédito subsidiado) para não conflitar com a política monetária e cumprir o arcabouço sem asfixiar despesas discricionárias essenciais.
  • Se o governo avançar em medidas estruturais que estabilizem a dívida em patamar mais baixo, cria-se espaço para a queda consistente dos juros reais. Sem isso, a inércia fiscal mantém a Selic pressionada e a dívida acima de 80% do PIB tende a alimentar um ciclo de alta de prêmios e crescimento fraco.

O que observar

  • A implementação concreta do ajuste (cortes de gastos e revisão de renúncias).
  • A dinâmica da dívida/PIB e o resultado primário nos próximos trimestres.
  • As próximas decisões do Copom e a evolução das expectativas de inflação.
  • O balanço entre novos estímulos de crédito e o compromisso com o arcabouço fiscal.

Fontes

Declarações do ministro da Fazenda Dario Durigan nesta semana; dados recentes sobre déficit e dívida (G1); decisões do Copom e Selic (G1); ranking de juros reais da MoneYou; avaliações de economistas e do Banco Central sobre o descompasso entre política fiscal e monetária (G1) e declarações de Roberto Campos Neto em 2023.

Responder

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Em Alta

Sair da versão mobile