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Petróleo: saiba como a crise no Estreito de Ormuz beneficia os negócios do Brasil

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Brasil aparece como porto seguro para o óleo do Golfo em meio à incerteza

A escalada das tensões no Estreito de Ormuz — por onde transita cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo — inaugurou uma fase de incerteza no mercado global e abriu uma janela de oportunidade para o Brasil. Com produção offshore no Atlântico, fora das rotas ameaçadas do Oriente Médio, o país se firmou como alternativa confiável de fornecimento. Nono maior produtor mundial, responde por aproximadamente 4% da oferta global e produz em torno de 4 milhões de barris por dia, patamar comparável ao dos Emirados Árabes Unidos. Esse reposicionamento já repercute no comércio exterior: a China redirecionou maciçamente suas compras, elevando sua fatia nas exportações brasileiras de petróleo bruto de cerca de 40% para quase 70%, enquanto produtores tentam capitalizar um prêmio de risco mais alto no Golfo.

Uma rota fora das tensões do Golfo

  • O estreitamento da oferta via Ormuz aumentou prêmios de frete, seguros e risco geopolítico associados a cargas originadas no Golfo Pérsico. Nesse contexto, o óleo brasileiro, majoritariamente extraído em águas ultraprofundas da Bacia de Santos e adjacências, ganhou competitividade relativa por oferecer estabilidade logística.
  • A geografia conta a favor: o embarque no Atlântico Sul evita gargalos em pontos de estrangulamento do comércio marítimo. Para tradings e refinarias, isso se traduz em menor risco operacional e previsibilidade de entrega.

China puxa a demanda por óleo brasileiro

  • Em meio à guerra no Irã e às ameaças recorrentes ao Estreito, Pequim ampliou de forma acelerada as compras do Brasil. “A China representava cerca de 40% das exportações brasileiras de petróleo bruto antes da crise no Estreito. Agora, está se aproximando de 70%”, afirma o especialista Adel El Gammal.
  • O movimento foi facilitado por relações já existentes. As estatais chinesas CNPC e CNOOC participam de projetos no país e aprofundaram vínculos com a Petrobras e parceiros privados, encurtando o ciclo entre oferta e demanda.

Pré-sal e margem equatorial: vantagens e apostas

  • A força estrutural do Brasil está nas reservas do pré-sal, entre as mais promissoras do mundo nas últimas duas décadas. Extraído em águas ultraprofundas, o óleo é competitivo por sua qualidade e produtividade dos poços, atributos valorizados em um mercado que busca petróleo de refino relativamente mais simples.
  • Ao mesmo tempo, o governo sinalizou apoio à abertura de uma nova fronteira: a margem equatorial — faixa geológica que vai da costa amazônica brasileira até a Guiana. “É um novo Eldorado. Toda essa área é rica em petróleo”, avalia Samuele Furfari, professor de Geopolítica da Energia na Universidade Livre de Bruxelas. A aposta mira diversificação de portfólio e ampliação de volumes à medida que a demanda global se realinha.

Os gargalos: refino curto e baixa elasticidade no curto prazo

  • O avanço da produção esbarra em limitações conhecidas. “O aumento da capacidade produtiva deve ser acompanhado do aumento da capacidade de refino. E, no Brasil, essa é uma de suas limitações; está longe de ser suficiente”, observa Adel El Gammal. O país exporta grande parcela do óleo cru e importa derivados de maior valor agregado, o que reduz o ganho interno na cadeia.
  • Há ainda a baixa elasticidade da oferta no curto prazo. A indústria opera em horizontes longos: ampliar produção relevante demanda investimentos bilionários e projetos que levam anos. “O que decidimos hoje terá efeitos daqui a dez anos”, resume Furfari. Em outras palavras, o bônus de preço presente não se converte automaticamente em mais barris amanhã sem planejamento, licenciamento e logística.

Política, transição energética e a equação Lula-Petrobras

  • O governo Lula tenta equilibrar a ambição climática com a realidade de um Estado produtor. A Petrobras segue expandindo no offshore e Brasília autorizou a retomada da perfuração no campo de Urucu, no Amazonas, após mais de uma década de paralisação — sinal de que, apesar do discurso de transição, a política energética incorporará o petróleo como alavanca fiscal e industrial no médio prazo.
  • Há também os limites da política doméstica: em um sistema federativo e fragmentado, o Planalto negocia com entes regionais, oposição e interesses econômicos consolidados, o que restringe a velocidade de mudanças estruturais.

Um mercado mais disperso — e mais competitivo

  • Analistas apontam uma reconfiguração do tabuleiro energético. “Não é mais um mercado hegemônico, onde uma minoria dita as regras; é um mercado disperso, onde cada produtor encontra seu lugar”, diz Furfari. A saída dos Emirados Árabes Unidos da Opep, em abril, é lida como símbolo dessa inflexão e do enfraquecimento da coordenação clássica de oferta.
  • A boa maré para o Brasil, porém, tem contrapesos. A concorrência avança: Guiana, Angola, Moçambique, Azerbaijão e Canadá buscam ampliar presença. Com novos atores, o prêmio de escassez que hoje favorece o óleo brasileiro tende a se diluir. E o petróleo segue um mercado cíclico, altamente sensível a choques geopolíticos — de Ormuz ao Atlântico.

Opinião: janela tática exige execução estratégica

  • Na avaliação da Revista Oi, o Brasil vive uma rara conjunção de preço, demanda e geopolítica. Mas capturar valor sustentável requer:
    1. Destravar investimentos em refino e dutos para reduzir a dependência de importação de derivados;
    2. Acelerar, com rigor ambiental e previsibilidade regulatória, a exploração na margem equatorial;
    3. Ampliar a infraestrutura portuária e de escoamento do pré-sal;
    4. Articular a política industrial para transformar parte do boom de exportações em encadeamentos produtivos no país.
  • Se fizer isso, o país consolida sua posição como fornecedor confiável em um mercado mais fragmentado — e converte a volatilidade de Ormuz em ganhos permanentes de competitividade. Se não, corre o risco de ver os benefícios se dissiparem quando a maré geopolítica mudar.

Encerramento

A crise no Estreito de Ormuz reposicionou o Brasil no radar dos grandes consumidores. Com 4 milhões de barris por dia, reservas robustas no pré-sal e novas fronteiras no horizonte, o país tem lastro para crescer. O desafio é transformar a vantagem circunstancial em política de Estado — ampliando refino, infraestrutura e governança — antes que a concorrência e o ciclo do petróleo virem a página.

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Rondônia Rural Show movimentou R$ 4,5 bilhões em negócios em 2026

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Balanço mantém feira em patamar bilionário, apesar de recuo ante o recorde de 2025; público foi de 410 mil pessoas e governo investiu R$ 26 milhões na estrutura

Ji-Paraná (RO) — A 13ª edição da Rondônia Rural Show Internacional movimentou R$ 4,5 bilhões em negócios entre 25 e 30 de maio, segundo balanço do Governo de Rondônia. O montante, embora expressivo, ficou abaixo do recorde de R$ 5,1 bilhões registrado em 2025. Ao longo dos seis dias de programação, cerca de 410 mil pessoas passaram pelo Centro Tecnológico Vandeci Rack, público ligeiramente inferior aos 430 mil visitantes do ano passado.

Estrutura e público

Para receber produtores rurais, empreendedores e visitantes de diversas regiões do estado, o governo estadual investiu mais de R$ 26 milhões na infraestrutura do evento em Ji-Paraná. A organização manteve a feira em grande escala, com fluxo robusto de público e operações distribuídas no parque do Centro Tecnológico Vandeci Rack. Mesmo com a queda de aproximadamente 20 mil visitantes em relação a 2025, a edição 2026 confirmou o apelo do evento e sua capacidade de atrair negócios bilionários.

Programação e foco da edição

Com o tema “Exportação e Desenvolvimento”, a Rondônia Rural Show deste ano reuniu produtores, pesquisadores e representantes da comunidade em painéis, fóruns, seminários, mesas-redondas, oficinas técnicas e exposições voltadas ao agronegócio. A agenda priorizou debates sobre estratégias de crescimento para o setor agropecuário em Rondônia, com ênfase na inserção em mercados externos e na qualificação produtiva. A programação detalhada incluiu atividades técnicas e de difusão de conhecimento, alinhadas ao objetivo de fortalecer a competitividade do campo no estado.

Desempenho e comparação

  • Negócios: R$ 4,5 bilhões em 2026, ante R$ 5,1 bilhões em 2025.
  • Público: 410 mil pessoas em 2026, abaixo dos 430 mil do ano anterior.
  • Investimento público: mais de R$ 26 milhões na estrutura da edição realizada em Ji-Paraná.

Análise

Os números confirmam a Rondônia Rural Show como um dos principais termômetros do agronegócio rondoniense. Embora abaixo do pico de 2025, o resultado financeiro de 2026 manteve a feira em patamar bilionário, o que, na prática, sinaliza resiliência do ambiente de negócios. A ligeira queda de público não comprometeu a relevância do evento, que segue capaz de mobilizar grande volume de visitantes e fomentar negociações. Na avaliação da Revista Oi, o investimento público na estrutura — superior a R$ 26 milhões — se alinha ao objetivo declarado do governo de ancorar a feira como plataforma de geração de negócios e de difusão tecnológica. O foco desta edição em “Exportação e Desenvolvimento” aponta para uma agenda de médio prazo voltada à internacionalização e à agregação de valor, crucial para sustentar competitividade e ampliar mercados ao setor agropecuário local.

Encerramento

A 13ª Rondônia Rural Show encerrou a edição 2026 reforçando seu papel na economia do estado: integrar produtores, empreendedores e pesquisadores em torno de conteúdo técnico e oportunidades comerciais. Com balanço robusto e diretrizes voltadas à expansão externa, a feira tende a seguir como referência do calendário do agronegócio em Rondônia, orientando as pautas do setor ao longo do ano.

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Pressão por CPI do Master vira guerra de narrativas no Congresso; sete iniciativas aguardam análise

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Brasil tem três escolas de negócios entre as melhores do mundo, segundo ranking de jornal inglês

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Brasil em destaque no ranking de Educação Executiva do Financial Times

Três instituições brasileiras figuram entre as 90 melhores escolas de negócios do mundo no ranking de Educação Executiva do Financial Times, divulgado nesta semana. A Fundação Dom Cabral (FDC) é a melhor colocada do país, em 4º lugar pelo segundo ano consecutivo. A Fundação Getulio Vargas (FGV) subiu 15 posições e aparece em 12º, enquanto o Insper consolidou presença no top 20, na 19ª colocação.

Desempenho das brasileiras

  • Fundação Dom Cabral (4º lugar): a FDC mantém-se entre as líderes globais, resultado que reforça a consistência e a reputação internacional de seus programas customizados para empresas e ofertas abertas a executivos.
  • Fundação Getulio Vargas (12º lugar): a alta de 15 posições em relação ao ranking anterior indica ganho de competitividade e reconhecimento, possivelmente associado à expansão e atualização do portfólio, bem como à maior inserção internacional.
  • Insper (19º lugar): a presença no top 20 sinaliza maturidade acadêmica e aderência às demandas atuais de formação executiva, com foco em temas como gestão, inovação e dados.

Escolas internacionais com presença no Brasil

Além das brasileiras, duas instituições estrangeiras com operação no país também se destacaram. A SKEMA Business School, com sede na França, figura no 35º lugar do ranking combinado. Já a IESE Business School, da Espanha, ocupa a 3ª posição específica na lista de programas abertos, segmento em que tradicionalmente desponta pela oferta global e pela avaliação de participantes.

O que o ranking avalia

O ranking de Educação Executiva do Financial Times tradicionalmente considera critérios como a qualidade e o alcance internacional dos programas (abertos e customizados), o grau de satisfação de participantes e clientes corporativos, a experiência do corpo docente, além de indicadores de impacto para as organizações. As escolas também precisam atender a requisitos mínimos de elegibilidade definidos pelo jornal para entrar na lista.

Por que importa

Na avaliação da Revista Oi, o resultado consolida o Brasil como polo relevante de educação executiva na América Latina e evidencia a capacidade das instituições nacionais de competir com escolas tradicionais da Europa e da América do Norte. A manutenção da FDC na 4ª posição, o salto da FGV e a estabilidade do Insper no top 20 sugerem que o país vem ampliando qualidade, escala e internacionalização nesse mercado. Para empresas, o desempenho pode influenciar decisões sobre parcerias de capacitação de lideranças; para executivos, é um termômetro de programas com reconhecimento global.

Em um cenário em que temas como transformação digital, produtividade e ESG estão no centro da agenda corporativa, a força das escolas brasileiras no ranking do Financial Times tende a atrair novas turmas, parcerias internacionais e investimentos em desenho de programas sob medida — um ciclo que retroalimenta a competitividade do ecossistema nacional de educação para líderes.

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