Connect with us

Negocios

Agrishow 2026: ‘estamos vivendo uma tempestade’, diz presidente da feira sobre queda de 22% nos negócios

Published

on

Ribeirão Preto (SP) — A Agrishow 2026, maior feira de tecnologia agrícola do país, encerrou com R$ 11,4 bilhões em intenções de negócios para os próximos meses, uma queda de 22% em relação à edição de 2025 — o equivalente a R$ 3,2 bilhões a menos. É o primeiro recuo desde 2015, quando o evento registrou retração de 30%. Para o presidente da feira, João Carlos Marchesan, “estamos vivendo uma tempestade”: o produtor rural enfrenta crédito caro, incerteza no Plano Safra e um ambiente internacional mais instável, fatores que adiaram investimentos e reduziram o apetite por novas compras de máquinas e tecnologias.

Crédito caro e Plano Safra no radar

  • O encarecimento do financiamento segue como principal freio à demanda por equipamentos. Mesmo com cortes recentes, a taxa básica de juros (Selic) continua elevada na avaliação do setor, encarecendo o acesso ao crédito e comprimindo margens.
  • O Plano Safra, que o governo federal promete anunciar até o fim do primeiro semestre com montantes recordes e linhas abaixo de 10% ao ano, ainda carece de definições. A ausência de parâmetros claros no auge da feira inibiu fechamento de pedidos, segundo expositores e organizadores.
  • Também não estão disponíveis, por ora, os R$ 10 bilhões anunciados durante a própria Agrishow pelo vice-presidente Geraldo Alckmin para o programa Move Agrícola, voltado à compra de máquinas e equipamentos. A espera pelos recursos, apontou Marchesan, desmotivou clientes a firmar negócios no pavilhão.

Pressão externa e custos em alta

A instabilidade internacional e a elevação de custos logísticos e de insumos, agravadas pelo conflito no Oriente Médio envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, entraram na conta dos produtores — especialmente os de soja e milho. Em cenários assim, a ordem nas fazendas costuma ser preservar caixa e alongar decisões de compra, o que se refletiu no volume prospectado desta edição.

Vozes do setor: juros pesam para todos

Para Maurilio Biagi, presidente de honra da Agrishow, o quadro de juros altos transcende o agronegócio.

“Não existe um brasileiro […] que não ache absolutamente abusivos os juros. O endividamento das pessoas e das famílias é enlouquecedor […] Essa questão dos juros no Brasil é muito séria e atinge toda a população. O agro está inserido nisso”.

A Federação de Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) cobrou celeridade em medidas de apoio.

“O produtor precisa de medidas sólidas para continuar investindo. Faltou por parte do governo federal o anúncio de soluções concretas em relação a juros, Plano Safra, planejamento, segurança jurídica e econômica. Os investimentos no campo demoram mais de cinco anos para retornar”, disse o presidente da Faesp, Tirso Meireles.

Contexto e histórico

  • A sequência de altas anuais observada desde 2016 foi interrompida nesta edição. Em 2015, a feira havia reportado retração de 30% no volume de negócios, em um ambiente de forte aperto financeiro e incerteza econômica. A comparação realça o peso do crédito e da previsibilidade nas decisões do agronegócio.
  • A Agrishow, realizada em Ribeirão Preto (SP), consolidou-se como vitrine do avanço tecnológico do campo, justamente o tipo de investimento que depende de linhas competitivas de financiamento e de planejamento de longo prazo.

Análise da Revista Oi

A queda de 22% é um sinal claro de aversão a risco num ciclo de crédito ainda caro e de indefinição regulatória. Não se trata de colapso de demanda, mas de adiamento: há interesse por tecnologia, porém falta previsibilidade — de juros, de parâmetros do Plano Safra e de efetiva liberação de recursos como os do Move Agrícola. Se o governo confirmar um Plano Safra robusto, com taxas competitivas e execução rápida, e se os R$ 10 bilhões prometidos chegarem à ponta, a tendência é de reativação de pedidos na segunda metade do ano. Sem essa ancoragem, o produtor deve seguir prorrogando compras, o que pode afetar a produtividade no médio prazo.

Próximos passos

O setor aguarda o anúncio do Plano Safra ao fim do primeiro semestre e a liberação dos recursos do Move Agrícola. No front externo, a evolução do conflito no Oriente Médio seguirá no radar dos custos. Até lá, a palavra de ordem no campo é cautela — e, para a indústria, acelerar soluções de financiamento e pós-venda que reduzam o peso do crédito caro sobre o investimento em tecnologia.

Ler mais
Clique para comentar

Responder

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Negocios

‘Meno Male’ volta aos palcos com critica política atual

Published

on

por

Ler mais

Negocios

Durigan diz que ‘gargalo’ da economia são os juros altos: ‘quem é menos culpado é o Ministério da Fazenda’

Published

on

por

Resumo

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta semana que os juros elevados são o principal “gargalo” da economia brasileira, por travarem investimentos privados e pressionarem a dívida pública. Com a Selic a 14,25% ao ano — a mais alta do mundo em termos reais entre 40 países, segundo ranking da MoneYou —, Durigan defendeu “harmonizar” a política fiscal com a monetária e prometeu ajuste das contas por meio de corte de gastos e revisão de benefícios fiscais. Ele rejeitou que medidas do governo, como expansão de crédito subsidiado, tenham impedido cortes mais agressivos de juros pelo Banco Central (BC).

Juros altos, dívida cara e investimento em compasso de espera

  • A dívida pública bruta atingiu 81,4% do PIB, de acordo com dados recentes, em um contexto de déficit de R$ 56,1 bilhões nas contas do governo central em maio. Como grande parte do endividamento é corrigida pela taxa básica de juros, cada ponto percentual a mais encarece o serviço da dívida, reduzindo o espaço orçamentário para investimentos e políticas públicas.
  • A Selic está em 14,25% ao ano após decisão do Copom em junho. Em termos reais (descontada a inflação projetada para 12 meses), o Brasil lidera o ranking de juros entre 40 nações, segundo a MoneYou, o que desestimula o crédito e alonga a recuperação do investimento privado.

O que diz o governo e o Banco Central

  • Durigan sustenta que o problema central hoje são os juros, e que o Ministério da Fazenda “é quem menos tem culpa” por esse quadro. Para ele, é preciso “harmonizar” a estratégia de receitas e despesas com a condução da política monetária.
  • O Banco Central, por sua vez, ressalta que a Selic é uma taxa de curto prazo e que sua atuação é reativa às condições da economia e às expectativas de inflação. Em 2023, o então presidente do BC, Roberto Campos Neto, afirmou que os juros no Brasil são altos porque a dívida é alta — e não o contrário —, relacionando o nível de endividamento ao custo do dinheiro.

Mercado vê descompasso fiscal-monetário

  • Economistas apontam que ainda falta a harmonização entre a política de gastos e a definição de juros. O diagnóstico recorrente é de “remadores em direções opostas”: estímulos e expansão de despesas de um lado, e aperto monetário de outro, o que dificulta domar a inflação e, por consequência, reduz o espaço para cortes de juros.
  • O mercado financeiro é crítico à combinação de aumento de impostos com avanço de gastos. Analistas pedem ênfase maior em redução de despesas e revisão de renúncias para que a queda dos juros seja sustentável e a dívida pare de subir.

Crédito subsidiado no ano eleitoral

  • Questionado se linhas de crédito com taxas favorecidas — como para caminhões, ônibus, reforma de imóveis, táxis e o Desenrola 2.0 — em ano eleitoral travaram uma redução mais acelerada da Selic, Durigan negou. Para ele, essas iniciativas não impediram cortes adicionais.
  • Entre analistas, persiste a avaliação de que políticas de crédito direcionado aumentam a demanda agregada e podem pressionar a política monetária, sobretudo quando as expectativas fiscais estão sob escrutínio.

Ajuste fiscal: como o governo pretende agir

  • Durigan afirmou que o governo implementará, nos próximos anos, o ajuste necessário para levar as contas “de volta ao azul”, com contenção de gastos e redução de benefícios fiscais. Ele defendeu tributar mais os mais ricos, revisar programas sociais e cortar subsídios.
  • Sobre a desindexação do salário mínimo em benefícios previdenciários e a desvinculação de gastos obrigatórios em saúde e educação da variação da receita — propostas citadas por analistas —, disse que é um debate para o próximo governo.
  • O ministro classificou o arcabouço fiscal aprovado em 2023 como “viável e sustentável”, apesar da compressão prevista dos gastos livres, ponto que suscita receio no mercado sobre risco de paralisia da máquina pública se não houver recomposição estrutural.

Análise Revista Oi

  • O diagnóstico de que os juros altos são um gargalo é preciso no curto prazo: eles encarecem a dívida e inibem investimento. Mas a trajetória dos juros depende diretamente da credibilidade fiscal. Sem uma âncora clara — com redução efetiva de despesas obrigatórias e de renúncias, e não apenas aumento de arrecadação —, o BC tende a ser mais cauteloso.
  • A promessa de ajuste com corte de gastos, revisão de benefícios fiscais e foco nos mais ricos aponta na direção esperada pelo mercado. O desafio é de execução: calibrar estímulos (como crédito subsidiado) para não conflitar com a política monetária e cumprir o arcabouço sem asfixiar despesas discricionárias essenciais.
  • Se o governo avançar em medidas estruturais que estabilizem a dívida em patamar mais baixo, cria-se espaço para a queda consistente dos juros reais. Sem isso, a inércia fiscal mantém a Selic pressionada e a dívida acima de 80% do PIB tende a alimentar um ciclo de alta de prêmios e crescimento fraco.

O que observar

  • A implementação concreta do ajuste (cortes de gastos e revisão de renúncias).
  • A dinâmica da dívida/PIB e o resultado primário nos próximos trimestres.
  • As próximas decisões do Copom e a evolução das expectativas de inflação.
  • O balanço entre novos estímulos de crédito e o compromisso com o arcabouço fiscal.

Fontes

Declarações do ministro da Fazenda Dario Durigan nesta semana; dados recentes sobre déficit e dívida (G1); decisões do Copom e Selic (G1); ranking de juros reais da MoneYou; avaliações de economistas e do Banco Central sobre o descompasso entre política fiscal e monetária (G1) e declarações de Roberto Campos Neto em 2023.

Ler mais

Negocios

Petróleo: saiba como a crise no Estreito de Ormuz beneficia os negócios do Brasil

Published

on

por

Brasil aparece como porto seguro para o óleo do Golfo em meio à incerteza

A escalada das tensões no Estreito de Ormuz — por onde transita cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo — inaugurou uma fase de incerteza no mercado global e abriu uma janela de oportunidade para o Brasil. Com produção offshore no Atlântico, fora das rotas ameaçadas do Oriente Médio, o país se firmou como alternativa confiável de fornecimento. Nono maior produtor mundial, responde por aproximadamente 4% da oferta global e produz em torno de 4 milhões de barris por dia, patamar comparável ao dos Emirados Árabes Unidos. Esse reposicionamento já repercute no comércio exterior: a China redirecionou maciçamente suas compras, elevando sua fatia nas exportações brasileiras de petróleo bruto de cerca de 40% para quase 70%, enquanto produtores tentam capitalizar um prêmio de risco mais alto no Golfo.

Uma rota fora das tensões do Golfo

  • O estreitamento da oferta via Ormuz aumentou prêmios de frete, seguros e risco geopolítico associados a cargas originadas no Golfo Pérsico. Nesse contexto, o óleo brasileiro, majoritariamente extraído em águas ultraprofundas da Bacia de Santos e adjacências, ganhou competitividade relativa por oferecer estabilidade logística.
  • A geografia conta a favor: o embarque no Atlântico Sul evita gargalos em pontos de estrangulamento do comércio marítimo. Para tradings e refinarias, isso se traduz em menor risco operacional e previsibilidade de entrega.

China puxa a demanda por óleo brasileiro

  • Em meio à guerra no Irã e às ameaças recorrentes ao Estreito, Pequim ampliou de forma acelerada as compras do Brasil. “A China representava cerca de 40% das exportações brasileiras de petróleo bruto antes da crise no Estreito. Agora, está se aproximando de 70%”, afirma o especialista Adel El Gammal.
  • O movimento foi facilitado por relações já existentes. As estatais chinesas CNPC e CNOOC participam de projetos no país e aprofundaram vínculos com a Petrobras e parceiros privados, encurtando o ciclo entre oferta e demanda.

Pré-sal e margem equatorial: vantagens e apostas

  • A força estrutural do Brasil está nas reservas do pré-sal, entre as mais promissoras do mundo nas últimas duas décadas. Extraído em águas ultraprofundas, o óleo é competitivo por sua qualidade e produtividade dos poços, atributos valorizados em um mercado que busca petróleo de refino relativamente mais simples.
  • Ao mesmo tempo, o governo sinalizou apoio à abertura de uma nova fronteira: a margem equatorial — faixa geológica que vai da costa amazônica brasileira até a Guiana. “É um novo Eldorado. Toda essa área é rica em petróleo”, avalia Samuele Furfari, professor de Geopolítica da Energia na Universidade Livre de Bruxelas. A aposta mira diversificação de portfólio e ampliação de volumes à medida que a demanda global se realinha.

Os gargalos: refino curto e baixa elasticidade no curto prazo

  • O avanço da produção esbarra em limitações conhecidas. “O aumento da capacidade produtiva deve ser acompanhado do aumento da capacidade de refino. E, no Brasil, essa é uma de suas limitações; está longe de ser suficiente”, observa Adel El Gammal. O país exporta grande parcela do óleo cru e importa derivados de maior valor agregado, o que reduz o ganho interno na cadeia.
  • Há ainda a baixa elasticidade da oferta no curto prazo. A indústria opera em horizontes longos: ampliar produção relevante demanda investimentos bilionários e projetos que levam anos. “O que decidimos hoje terá efeitos daqui a dez anos”, resume Furfari. Em outras palavras, o bônus de preço presente não se converte automaticamente em mais barris amanhã sem planejamento, licenciamento e logística.

Política, transição energética e a equação Lula-Petrobras

  • O governo Lula tenta equilibrar a ambição climática com a realidade de um Estado produtor. A Petrobras segue expandindo no offshore e Brasília autorizou a retomada da perfuração no campo de Urucu, no Amazonas, após mais de uma década de paralisação — sinal de que, apesar do discurso de transição, a política energética incorporará o petróleo como alavanca fiscal e industrial no médio prazo.
  • Há também os limites da política doméstica: em um sistema federativo e fragmentado, o Planalto negocia com entes regionais, oposição e interesses econômicos consolidados, o que restringe a velocidade de mudanças estruturais.

Um mercado mais disperso — e mais competitivo

  • Analistas apontam uma reconfiguração do tabuleiro energético. “Não é mais um mercado hegemônico, onde uma minoria dita as regras; é um mercado disperso, onde cada produtor encontra seu lugar”, diz Furfari. A saída dos Emirados Árabes Unidos da Opep, em abril, é lida como símbolo dessa inflexão e do enfraquecimento da coordenação clássica de oferta.
  • A boa maré para o Brasil, porém, tem contrapesos. A concorrência avança: Guiana, Angola, Moçambique, Azerbaijão e Canadá buscam ampliar presença. Com novos atores, o prêmio de escassez que hoje favorece o óleo brasileiro tende a se diluir. E o petróleo segue um mercado cíclico, altamente sensível a choques geopolíticos — de Ormuz ao Atlântico.

Opinião: janela tática exige execução estratégica

  • Na avaliação da Revista Oi, o Brasil vive uma rara conjunção de preço, demanda e geopolítica. Mas capturar valor sustentável requer:
    1. Destravar investimentos em refino e dutos para reduzir a dependência de importação de derivados;
    2. Acelerar, com rigor ambiental e previsibilidade regulatória, a exploração na margem equatorial;
    3. Ampliar a infraestrutura portuária e de escoamento do pré-sal;
    4. Articular a política industrial para transformar parte do boom de exportações em encadeamentos produtivos no país.
  • Se fizer isso, o país consolida sua posição como fornecedor confiável em um mercado mais fragmentado — e converte a volatilidade de Ormuz em ganhos permanentes de competitividade. Se não, corre o risco de ver os benefícios se dissiparem quando a maré geopolítica mudar.

Encerramento

A crise no Estreito de Ormuz reposicionou o Brasil no radar dos grandes consumidores. Com 4 milhões de barris por dia, reservas robustas no pré-sal e novas fronteiras no horizonte, o país tem lastro para crescer. O desafio é transformar a vantagem circunstancial em política de Estado — ampliando refino, infraestrutura e governança — antes que a concorrência e o ciclo do petróleo virem a página.

Ler mais

Em Alta

Copyright © Since 2017 Revista Oi. by Black Yellow Digital.