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Política

Áudio com plano de assassinato de autoridades é enviado ao STF em relatório complementar

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A Polícia Federal enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um áudio inquietante que detalha um plano de assassinato de autoridades públicas.

Este plano visava impedir a posse de Lula (PT) após sua vitória nas eleições de 2022.

O áudio foi descoberto durante uma investigação sobre o policial federal Wladimir Soares, um membro de um grupo golpista aliado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Descobertas Inquietantes

Wladimir Soares, que trabalhava na Polícia Federal e integrava a equipe de segurança do Planalto, foi preso às vésperas do G20 em novembro do ano anterior.

Durante a investigação, os dados em seu telefone celular foram apreendidos e periciados, revelando um plano de conspiração.

O policial repassava informações sensíveis sobre a agenda do presidente Lula para o grupo golpista.

A gravidade dos dados levou a Polícia Federal a adicionar um relatório complementar ao já enviado ao STF.

Detalhes do Relatório

O relatório enviado nesta quarta-feira (14) ao Supremo Tribunal Federal inclui o áudio com detalhes do plano criminoso.

Este áudio destacou uma estratégia para reverter a derrota eleitoral de Jair Bolsonaro e impedir a posse do presidente eleito, Lula.

Os achados foram considerados tão alarmantes que exigiram uma notificação formal ao STF e à PGR (Procuradoria-Geral da República).

O adendo ao relatório enfatiza a ameaça representada pelo grupo golpista e a gravidade do plano criminoso revelado.

Revelações da Investigação

Segundo os investigadores, Wladimir Soares havia deixado claro em mensagens de áudio que fazia parte de uma equipe de operações especiais.

Ele revelou que estavam preparados para proteger Jair Bolsonaro com alto poder de fogo, afirmando que estavam prontos para “empurrar quem viesse à frente”.

O material destas revelações foi destacado em uma reportagem do Jornal Nacional, que trouxe à tona a seriedade da situação.

Esses detalhes aumentam a preocupação com o nível de preparação e ameaça do grupo golpista.

Contexto Político

Este episódio ocorre em um momento de alta tensão política no Brasil, com a transição de poder entre lideranças opostas.

O período eleitoral de 2022 foi marcado por intensa polarização, e a tentativa de interromper o processo democrático sinaliza riscos significativos à estabilidade institucional.

O envolvimento de membros das forças de segurança em tais conspirações desperta preocupações sobre a integridade do sistema de segurança nacional.

As autoridades precisam tomar medidas rigorosas para prevenir a repetição de situações semelhantes no futuro.

Impacto da Revelação

O envio do relatório ao STF marca um passo crucial no combate às ameaças internas contra o governo democraticamente eleito.

Este relatório serve como um alerta para a importância da vigilância contínua e da manutenção de procedimentos rigorosos de segurança.

A gravidade das descobertas exige ação imediata para garantir que tentativas futuras sejam rapidamente desmanteladas.

Além disso, reforça a confiança nas instituições encarregadas de manter a ordem e proteger o Estado de Direito.

Conclusão

A revelação do plano de assassinato de autoridades e o envolvimento de um policial federal na conspiração destacam desafios críticos no cenário político brasileiro.

Medidas precisam ser tomadas para fortalecer a segurança e a confiança pública nas instituições.

Além disso, é essencial que investigações semelhantes sejam conduzidas para garantir a integridade do sistema político e de segurança.

A atenção ao caso envia uma mensagem clara de que qualquer tentativa de subverter o processo democrático será tratada com a seriedade que merece.

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Política

Política é o tema mais associado a fake news no Brasil, aponta pesquisa

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A política segue no centro da desinformação no Brasil. Levantamento do Aláfia Lab, laboratório independente de pesquisa sobre internet, comunicação e sociedade, indica que 43% dos brasileiros dizem encontrar mais notícias falsas sobre política e eleições do que sobre qualquer outro tema. Saúde, economia e celebridades aparecem na sequência. O estudo, obtido em primeira mão pelo g1, reforça que a desinformação se consolidou como variável relevante do debate público, com impacto direto no clima eleitoral.

Principais achados

Segundo a pesquisa, a maioria dos brasileiros afirma saber reconhecer notícias falsas, ainda que com insegurança: 58% dizem identificar fake news “com dúvidas em alguns casos”, 29% afirmam fazê-lo “com facilidade” e 13% admitem não saber identificar desinformação. Para Vivian Peron, coordenadora de pesquisa do Aláfia Lab, a desinformação se tornou uma “arma política” e tem dado o tom das eleições.

O levantamento aponta que a percepção de fake news sobre política cresce com a idade e a escolaridade. Entre pessoas com 45 anos ou mais, 47% afirmam encontrar desinformação relacionada ao tema; entre jovens de 18 a 29 anos, o índice cai para 35%. Entre entrevistados com ensino superior, 50% relatam encontrar fake news sobre política e eleições; entre pessoas com ensino fundamental, o percentual é de 34%.

Diferenças por perfil ideológico

A pesquisa identifica diferenças marcantes no comportamento de eleitores de esquerda, direita e centro. Entre os que se declaram de esquerda, 39% dizem identificar fake news com facilidade, ante 30% entre os de direita. Pessoas de esquerda também afirmam recorrer mais a ferramentas de checagem: 24% dizem utilizar agências de fact-checking, contra 13% entre os de direita.

Apesar disso, eleitores de direita relatam encontrar mais desinformação sobre política e eleições. Nesse grupo, 55% dizem se deparar com fake news sobre o tema; entre os de esquerda, o índice é de 48%. Na prática, os dados sugerem que diferentes ecossistemas informacionais e hábitos de consumo moldam a exposição e a capacidade declarada de triagem de conteúdo enganoso.

Comportamento diante de conteúdo suspeito

Quando se deparam com uma informação suspeita, quase metade dos brasileiros prefere não agir: 47% afirmam ignorar o conteúdo. Outros 32% dizem buscar verificar se a informação é verdadeira, e apenas 10% relatam denunciar o caso às plataformas. Na avaliação da reportagem, a combinação entre alta exposição à desinformação e baixa taxa de denúncia cria um vácuo de responsabilização que favorece a circulação de boatos e teorias enganosas.

Percepção de danos

A percepção sobre o impacto das fake news também varia conforme o posicionamento político. Entre eleitores de esquerda, 69% acreditam que a desinformação causa alto dano ao desacreditar instituições; entre os de direita, o percentual é de 46%. A diferença reforça o caráter polarizado do debate público e ajuda a explicar por que medidas de enfrentamento ao problema frequentemente esbarram em disputas narrativas.

Inteligência artificial em foco

O estudo analisou ainda o uso de ferramentas de inteligência artificial. O ChatGPT aparece como o chatbot mais popular: 42% afirmam já ter usado a ferramenta, enquanto 25% dizem utilizar o Gemini. O uso do ChatGPT é maior entre eleitores de direita (53%) do que entre os de esquerda (39%). Já o uso diário de IA, de forma mais ampla, é mais frequente entre entrevistados de esquerda (39%) do que entre os de direita (26%).

As finalidades variam por posição ideológica: pessoas de direita usam mais IA para criar imagens, vídeos e aprender; eleitores de esquerda recorrem mais às ferramentas para checar fake news. Na opinião da Revista Oi, esse recorte sugere que a IA já é peça central no ecossistema informacional — tanto para produção de conteúdo quanto para verificação — e tende a ganhar relevância nas próximas disputas eleitorais.

Metodologia e cautelas

A pesquisa do Aláfia Lab ouviu 1.512 entrevistados em todo o país. As perguntas foram de autodeclaração, refletindo a percepção dos próprios participantes sobre seus hábitos e capacidades. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A própria equipe do estudo ressalta que levantamentos de opinião dessa natureza levantam hipóteses a serem investigadas por pesquisas mais específicas — uma advertência metodológica importante para evitar generalizações apressadas.

Contexto e implicações

Os resultados se somam a um cenário em que política e eleições continuam altamente suscetíveis a campanhas de desinformação coordenadas. Na avaliação desta reportagem, três frentes emergem como prioritárias: educação midiática para ampliar a checagem ativa pelo público; ampliação de parcerias entre plataformas e agências de verificação; e transparência no uso de ferramentas de IA, que já influenciam a produção e a circulação de conteúdo digital. A baixa disposição para denunciar publicações suspeitas e o predomínio da política como alvo da desinformação indicam que o problema está menos na ausência de percepção e mais na transformação dessa percepção em ação concreta.

Encerramento

Ao evidenciar que quase metade dos brasileiros associa a desinformação sobretudo à política, o estudo do Aláfia Lab oferece um retrato atual de um desafio que transcende ciclos eleitorais. A diferença de comportamentos e percepções entre campos ideológicos, somada ao avanço da IA, aponta para um ambiente informacional mais complexo. Se a desinformação é “arma política”, como define a pesquisadora Vivian Peron, seu desarme exigirá respostas coordenadas, sustentadas por dados e voltadas a fortalecer a confiança pública — antes que o próximo ciclo eleitoral amplifique ainda mais suas consequências.

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Política

Nunes diz que dona de ONG investigada é ‘trabalhadora e decente’ e fala em perseguição política por filme sobre Bolsonaro

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São Paulo — O prefeito Ricardo Nunes (MDB) saiu em defesa da empresária Karina Ferreira da Gama, responsável pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB), alvo de operação da Polícia Civil que apura suspeitas de fraude e desvio de recursos públicos em um contrato para instalação de redes de wi-fi em comunidades da capital. Em entrevista nesta segunda-feira (1º), Nunes classificou Karina como “trabalhadora” e “decente” e sugeriu que a investigação possa ter motivação política devido à participação dela na produção do filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A gestão municipal afirma não ter identificado irregularidades no contrato; já a Polícia Civil e o Ministério Público investigam indícios de sobrepreço, pagamentos antecipados sem contraprestação e inconsistências em notas.

O que disse o prefeito

  • Nunes afirmou ter conhecido Karina em eventos da Expo Cristã, mas negou manter contato frequente. “Se a questão é política, eu acho que é um erro grave. É um desrespeito à democracia. Se estão fazendo isso por conta do filme, aí eu acho grave”, disse.
  • O prefeito sustenta que o chamamento público para o projeto de wi-fi ficou aberto por 30 dias, sem impugnações, e que a Prefeitura não encontrou irregularidades na execução. Segundo ele, os 3,2 mil pontos de internet “estão instalados e em funcionamento” e a administração tomará providências caso os órgãos de controle apontem problemas.
  • Em nota, a Prefeitura informou que colabora com as investigações, que todo o material foi entregue às autoridades e que o programa funciona normalmente. A gestão diz que o custo estimado para 2026 é de R$ 1.280,80 por ponto/mês e que o chamamento ocorreu em 2024, antes da produção do filme.

O contrato sob suspeita

  • O ICB celebrou termo de colaboração para implantar 5.000 pontos de wi-fi gratuito até junho de 2025. Até agora, foram instalados 3.200, com ao menos três aditivos alterando o cronograma.
  • A investigação conduzida pela 2ª Delegacia de Crimes Contra a Administração Pública (DICCA/DPPC) apura se houve direcionamento do chamamento, já que o ICB foi o único participante e, segundo o inquérito, não teria histórico técnico no setor de telecom — atuando antes em feiras literárias e religiosas.
  • A polícia aponta possível sobrepreço: enquanto a Prodam, estatal municipal de tecnologia, praticaria referência de R$ 230 por implantação e R$ 306 por manutenção mensal por ponto, o acordo com o ICB prevê pagamento fixo mensal de R$ 1.800 por ponto. A Prefeitura sustenta que o modelo de parceria com OSCs segue a Lei Federal 13.019/2014 (Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil) e que os valores evoluíram após ajustes e aditivos.
  • Segundo o inquérito, o valor anual previsto de R$ 108 milhões chegou a R$ 157,1 milhões com aditivos, e ao menos R$ 26 milhões teriam sido antecipados sem a devida contraprestação, inclusive repasses superiores a R$ 11 milhões em julho e agosto de 2024 quando, no período, apenas seis pontos funcionavam. A Prefeitura argumenta que o modelo de repasse antecede a execução, com posterior prestação de contas, conforme o marco legal das OSCs.

Notas e fornecedores na mira

  • Reportagens apontaram o uso de ao menos R$ 4 milhões em notas canceladas ou emitidas pelo próprio instituto para justificar despesas, além de pagamentos em duplicidade. Um parecer técnico municipal de fevereiro de 2026 citou a impossibilidade de a entidade emitir nota para si mesma e registrou glosas. A gestão afirma que cerca de R$ 930 mil foram devolvidos e que o contrato foi renovado para manutenção dos 3,2 mil pontos.
  • A ONG também apresentou faturas, em vez de notas, de R$ 8,5 milhões relativas à locação de equipamentos em 2024. Especialistas ouvidos nas apurações lembram que, em locação pura de bens móveis, o ISS não incide e faturas podem lastrear a despesa, mas a comprovação de entrega e compatibilidade com o contrato é essencial quando há recursos públicos.
  • Outro ponto de atenção é um contrato de R$ 12 milhões com a Favela Conectada, que teria instalado mais de 900 pontos. O antigo sócio, Alex Leandro Bispo dos Santos, preso desde fevereiro por acusação de feminicídio, figurava nos documentos iniciais apenas como “Alex”, sem CPF ou RG. Após a denúncia, a empresa mudou de controle societário.

Relação com o filme “Dark Horse” e aliados políticos

  • Karina é sócia da produtora Go Up, que participa da cinebiografia “Dark Horse” (Azarão, em inglês) sobre Jair Bolsonaro. Ao comentar a hipótese de que recursos do contrato tenham sido desviados para o filme, Nunes disse que, se a investigação estiver motivada por essa ligação, “o caso seria grave”.
  • Em 2022, uma empresa de Karina prestou consultoria para a campanha de Mário Frias (PL), recebendo R$ 54 mil, e o parlamentar destinou cerca de R$ 2 milhões em emendas ao ICB — transações sob apuração preliminar no STF por suposta falta de transparência.
  • O deputado federal Bruno Lima (Podemos), que chefiou a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia quando o contrato foi firmado, afirmou apoiar a apuração, disse não conhecer Karina e negou vínculo político com o bolsonarismo. Ele atribuiu a condução do processo ao corpo técnico da pasta e defendeu o escopo social do projeto.

O que dizem os citados

  • Prefeitura de São Paulo: diz colaborar com a Polícia Civil e o Ministério Público, afirma que o programa está em operação e que a prestação de contas é pública (SEI). Rejeita ilações de desvio e sustenta que o chamamento cumpriu as exigências legais e foi acompanhado pelo Tribunal de Contas do Município.
  • Karina Gama: afirma desconhecer notas canceladas por fornecedores, diz que as inconsistências do próprio instituto foram apontadas por ela mesma e estão sendo regularizadas na prestação de contas. Sustenta que suas empresas e o ICB funcionam no mesmo endereço para “manter controle”.
  • Complexsys (fornecedora): declara que acompanha as apurações, reafirma o devido processo legal e a presunção de inocência e se coloca à disposição das autoridades.
  • Ministério Público de SP: conduz inquéritos cível e criminal para apurar suposto direcionamento do chamamento, ausência de justificativas técnicas e aditivos em sequência com repasses antecipados.

Contexto legal e de transparência

  • As parcerias entre o poder público e organizações da sociedade civil seguem a Lei 13.019/2014 (Marco Regulatório das OSCs), que prevê termos de colaboração, repasses com posterior prestação de contas e exigências de transparência, economicidade e comprovação de execução do objeto. Em contratos dessa natureza, a regularidade não se limita à existência de documentos de cobrança: é necessário comprovar, com segurança, entrega do serviço, pertinência da despesa e aderência aos preços de referência.

Análise Revista Oi

  • A fala de Nunes sobre “perseguição política” dialoga com a polarização em torno do filme de Bolsonaro, mas, até aqui, o que sustenta o interesse público do caso não é o tema do longa, e sim os indícios técnicos levantados por polícia e Ministério Público: sobrepreço relevante frente à referência da Prodam, aditivos sucessivos, pagamentos antecipados sem contraprestação comprovada e inconsistências documentais. A defesa política sem enfrentar esses pontos objetivos tende a não dissipar dúvidas. Transparência ativa — inclusive com divulgação detalhada de medições, custos por ponto, disponibilidade real da rede e correções de rumo — é o caminho para preservar um serviço essencial nas periferias e delimitar responsabilidades, se houver.

Próximos passos

  • A Polícia Civil e o MP-SP seguem com as apurações cível e criminal. A Prefeitura diz que adotará medidas caso órgãos de controle apontem irregularidades. A situação do contrato, dos aditivos e da efetiva operação dos 3,2 mil pontos seguirá no centro do debate — e sob escrutínio técnico e jurídico.

Nota ao leitor

  • Todas as pessoas e entidades citadas têm direito ao contraditório e ampla defesa. Até o momento, não há conclusões judiciais definitivas sobre os fatos sob investigação. A Revista Oi seguirá acompanhando.
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Política

Lula diz que esquerda terá de usar verde e amarelo na Copa ‘para não deixar cores do Brasil serem tomadas’

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No Rio de Janeiro, durante o lançamento da Tela Brasil neste sábado (30), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu que a esquerda use verde e amarelo durante a Copa do Mundo para “não deixar as cores do Brasil serem tomadas”. No mesmo discurso, Lula criticou a exaltação de referências estrangeiras — como viagens a Miami — e cobrou maior valorização da cultura, história e riquezas nacionais. As falas ocorrem em meio à escalada de críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a quem o presidente chamou de “traidor” após a classificação, pelos Estados Unidos, do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas — medida que levou o governo a alertar para possíveis riscos ao funcionamento do PIX.

Disputa pelos símbolos nacionais

  • Ao avistar Eduardo Cavaliere, que usava um casaco amarelo da Seleção, Lula afirmou que a esquerda precisa reaprender a vestir verde e amarelo e acrescentou: “colocar: não bolsonarista”. O presidente tem reiterado, desde 2022, que as cores da bandeira e a camisa da Seleção representam todos os brasileiros, e não um campo político específico. A mensagem mira a reapropriação de símbolos que, nos últimos anos, ficaram fortemente associados a atos e apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Cultura brasileira no centro

  • No evento no Rio — que marcou o lançamento da Tela Brasil, plataforma pública e gratuita voltada à exibição de produções audiovisuais brasileiras, com acervo inicial superior a 500 filmes nacionais — Lula reforçou a defesa da soberania cultural. “A quantidade de enlatado de má qualidade que a gente é obrigado a assistir toda noite […] não permite que a juventude brasileira tenha acesso à plenitude da cultura brasileira”, disse. O presidente também criticou a preferência por destinos como Miami em detrimento da Amazônia: “Tem tanta gente que defende o meio ambiente […] Essa mesma gente pega um avião e vai para a Miami, ninguém vai para a Amazônia”.

Atrito com Flávio Bolsonaro e efeitos da medida dos EUA

  • Antes do compromisso no Rio, Lula esteve em Sergipe, onde, ao participar do anúncio de investimentos da Petrobras, chamou o senador Flávio Bolsonaro de “traidor” por articular, nos EUA, a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas. A decisão norte-americana foi anunciada um dia após o encontro do senador com Donald Trump.
  • Em nota, o governo federal afirmou que a articulação da família Bolsonaro contraria interesses do país e alertou para potenciais riscos ao funcionamento do PIX decorrentes da medida americana. A preocupação do Planalto está ligada a eventuais impactos de compliance e sanções sobre instituições e fluxos financeiros, com possíveis reflexos em sistemas de pagamento. Lula também reiterou que o Brasil não admitirá ser “tratado como moleque”.

O que está em jogo

  • A fala sobre o verde e amarelo insere-se numa disputa simbólica às vésperas da Copa: ao reivindicar as cores nacionais, o Planalto busca neutralizar a associação desses símbolos a um campo político e ampliar sua base de identificação com o público.

Análise – Revista Oi

  • A mensagem de Lula combina política e cultura: ao mesmo tempo em que tenta ressignificar símbolos nacionais em um momento de grande visibilidade (a Copa), o governo apresenta uma vitrine para o audiovisual brasileiro (Tela Brasil) e projeta um discurso de soberania diante de pressões externas. O embate com Flávio Bolsonaro dá o tom político do dia e pode mobilizar aliados e opositores em torno de dois eixos: a narrativa sobre quem “defende o Brasil” e o potencial impacto econômico-regulatório da decisão americana. O sucesso dessa estratégia dependerá de a administração transformar a reapropriação simbólica em gestos concretos — como a expansão do acesso a produções nacionais — e de sua capacidade de blindar sistemas domésticos, como o PIX, de eventuais efeitos colaterais.

Encerramento

Com a Copa no horizonte e a recém-lançada Tela Brasil prometendo ampliar o acesso a obras nacionais, o governo aposta em agenda simbólica e cultural para falar a um público amplo. Ao mesmo tempo, a disputa política com a oposição — agora atravessada por decisões do governo dos EUA — deve manter aceso o debate sobre soberania, segurança e economia. Nos próximos dias, expectativa recai sobre os desdobramentos da medida americana e sobre a capacidade do Planalto de consolidar a pauta cultural como política de Estado.

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