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Empresários se mobilizam contra possível fim da taxa das blusinhas: ‘Medida eleitoreira’

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A indústria e o varejo reagiram à possibilidade de o governo anunciar o fim da chamada “taxa das blusinhas”. Representantes de 67 associações empresariais e de trabalhadores encaminharam um ofício ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificando a eventual medida como “eleitoreira”. A mobilização ocorre após Lula afirmar, em entrevista, que estuda encerrar a cobrança — o que acendeu um racha dentro do governo e provocou forte pressão do setor produtivo.

Reação do setor produtivo

No documento enviado ao Planalto, os signatários afirmam que o regime atual contribuiu para aumento do emprego nos setores beneficiados e para a alta na arrecadação federal. Eles também dizem que, mesmo após uma redução inicial, as importações de até US$ 50 já retornaram ao patamar anterior, o que reforçaria, segundo os empresários, a necessidade de manter instrumentos de equilíbrio competitivo. “Nossa indústria atende a todos os perfis de consumidores. Se querem, e nós queremos, vamos reduzir os impostos, taxas e contribuições para quem investe e produz no Brasil”, completa Pimentel, um dos articuladores do movimento.

O que é a “taxa das blusinhas” e o Remessa Conforme

A “taxa das blusinhas” é o apelido dado ao imposto de importação aplicado a compras internacionais de baixo valor realizadas pela internet — um mecanismo associado ao programa Remessa Conforme, criado para padronizar e dar transparência à tributação de encomendas. Hoje, compras de até US$ 50 pagam 20% de imposto de importação, além de 17% de ICMS. A taxação foi aprovada pelo Congresso com apoio do Ministério da Fazenda após queixas de empresários sobre a “invasão” de produtos de baixo valor, sobretudo de origem chinesa, pressionando a produção nacional.

Divisão no governo e cálculo político

A discussão expôs divergências internas. Os ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) se posicionam contra o fim da taxa, defendendo estabilidade regulatória e previsibilidade para investimentos — o setor fala em R$ 100 bilhões previstos neste ano. Já a ala política do governo vê na medida uma oportunidade de melhorar o humor do eleitorado ao baratear compras internacionais de pequeno valor. Após a sinalização inicial do presidente, o discurso oficial passou a ser o de que “nada está definido”, movimento que veio na esteira da reação articulada por empresários e líderes sindicais.

O que está em jogo

A decisão terá efeitos práticos sobre competitividade, empregos, arrecadação e previsibilidade regulatória. Para consumidores, o eventual fim da taxa poderia baratear compras de pequeno valor no curto prazo. Para a indústria e o varejo nacionais, a mudança ampliaria a assimetria tributária em relação a produtos importados de baixo preço, reacendendo o risco de perda de mercado e de investimentos. Em ano eleitoral, o custo político de cada escolha também pesa: aliviar o bolso do consumidor tem apelo imediato, mas o recuo após a pressão empresarial sugere que o Planalto mede o impacto econômico e o sinal que enviaria a quem investe e produz no país.

Opinião

Diante dos argumentos apresentados e do histórico recente, há mais riscos do que benefícios em uma guinada abrupta. O regime do Remessa Conforme ainda está em consolidação e tem fornecido alguma previsibilidade a um segmento marcado por distorções. Alterá-lo às vésperas do pico do calendário eleitoral reforçaria a percepção de casuísmo, fragilizaria a confiança de quem já anunciou planos de investimento e deixaria um vácuo regulatório difícil de recompor. Se a intenção é reduzir o custo ao consumidor, a via mais responsável — como sugerem os próprios empresários — seria uma agenda crível de desoneração ampla e de competitividade para quem produz no Brasil, e não uma exceção pontual que aprofunda a assimetria com o importado de baixo valor.

Próximos passos

Com o governo indicando que a decisão ainda está em estudo, a expectativa é de novas rodadas de negociação entre Fazenda, MDIC e a ala política do Planalto. Qualquer anúncio deve considerar o impacto fiscal, a concorrência com produtos de baixo valor e os sinais a investidores. O desfecho tende a balizar não apenas o e-commerce transfronteiriço, mas também o ambiente de negócios no varejo e na indústria ao longo de 2026.

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Como pequenos negócios aproveitaram show de Shakira para lucrar com camisetas, bonés e viagens

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A apresentação de Shakira na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, desencadeou uma onda de consumo que começou antes do show e se espalhou por diferentes setores, beneficiando pequenos empreendedores dentro e fora do estado. Com público estimado em até 2,5 milhões de pessoas, o megaevento se confirmou como vitrine para quem soube antecipar demanda, criar produtos temáticos e mobilizar fãs por meio de estratégias digitais.

Merchandising pop no Saara: planejamento que vira faturamento

No coração do comércio popular carioca, a empreendedora Lorrana Lica, dona da Loja LIX no Saara (centro do Rio), apostou mais uma vez no nicho de cultura pop que explora desde 2022. Para o show, lançou uma coleção temática com cerca de 50 dias de antecedência — janela que permitiu testar a aceitação do público, ajustar modelagens e calibrar a produção. Entre os itens, camisetas, bonés, tops e leques personalizados, com preços a partir de R$ 49,90.

O histórico reforça a viabilidade do modelo. Em eventos de grande porte como RBD, Madonna e Lady Gaga, a estratégia já havia levado a negócios com receitas de até R$ 600 mil. Diante do fluxo de visitantes e da alta exposição em Copacabana, a empresária repetiu a fórmula com a cantora colombiana para ampliar os ganhos. Na prática, trata-se de uma operação que combina timing, leitura de tendências e logística enxuta — um trio que, quando bem executado, aumenta giro e reduz risco de encalhe.

Turismo de fãs no interior de SP: pacote sob medida

Fora do Rio, a mobilização também rendeu. Em São Paulo, a agente de viagens Camila Meira, da CM PRIME TRAVEL, estruturou um bate-volta para levar fãs até Copacabana. O pacote, apoiado por parcerias com comunidades de fãs nas redes sociais, transportou 64 pessoas. A empreendedora investiu cerca de R$ 20 mil — incluindo aluguel de ônibus e custos de preparação — e vendeu passagens por cerca de R$ 300.

Além do resultado financeiro, o projeto representou um passo na consolidação de sua atuação no turismo de eventos, unindo negócio e paixão pela artista. O caso evidencia como o engajamento digital encurta o caminho entre intenção e venda: comunidades organizadas convertem-se em demanda previsível e viabilizam operações enxutas, com risco controlado e comunicação direta com o público-alvo.

Economia criativa em marcha: quando fãs viram mercado

Casos como os de Lorrana Lica e Camila Meira ilustram um movimento típico de grandes shows em espaços abertos: a economia criativa ganha tração, transforma fãs em consumidores — e, muitas vezes, em empreendedores. A alta concentração de público e a previsibilidade do calendário permitem que pequenos negócios planejem coleções, calibrando oferta e preço, enquanto agências e operadores regionais montam rotas sob medida para atender nichos de fãs.

Minha avaliação

Os resultados apresentados confirmam um padrão: quem se antecipa ao pico de demanda, aposta em produtos temáticos com boa relação custo-benefício e aciona redes de fãs com comunicação clara tende a capturar valor de forma eficiente em megaeventos. No comércio, a janela de 50 dias mostrou-se estratégica para testar e ajustar; no turismo, a combinação de investimento moderado, preço alinhado e parcerias digitais funcionou como alavanca de adesão. Em suma, planejamento, nicho bem definido e execução ágil transformam grandes shows em oportunidades concretas para pequenos empreendedores.

Encerramento

No embalo de Shakira, a música não foi o único espetáculo: os negócios também entraram no ritmo. A experiência de Copacabana reforça que megaeventos continuam a ser motores de renda para quem sabe ler tendências, ativar comunidades e entregar rapidamente o que o público deseja — do merchandising criativo às viagens sob medida. Para a economia criativa, é um roteiro que vale repetir.

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