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Política

Anistia pelo 8 de Janeiro é rejeitada por 55% e aprovada por 35%, indica Datafolha

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Pesquisa Datafolha sobre Anistia pelo 8 de Janeiro

Brasília, 1º de agosto de 2023 – A mais recente pesquisa do instituto Datafolha, divulgada na última sexta-feira, revela que a proposta de anistiar aqueles condenados pela tentativa de golpe de Estado do 8 de Janeiro continua a encontrar resistência entre os brasileiros. O levantamento indica que 55% dos entrevistados são contrários à anistia, enquanto 35% apoiam o projeto. Este resultado evidencia uma pequena alteração em relação à pesquisa anterior realizada em abril deste ano, quando 56% se posicionaram contra e 37% a favor.

Estabilidade e Contexto Histórico

Os números atuais representam a menor resistência ao projeto desde que as sondagens foram iniciadas, em março de 2024. Naquela ocasião, a iniciativa enfrentava oposição de 63% do público, com apenas 31% de apoio. A pesquisa mais recente, realizada entre os dias 29 e 30 de julho, entrevistou 2.004 pessoas em diferentes regiões do país e apresenta uma margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

Análise e Perspectivas

A tentativa de golpe de 8 de Janeiro, que marcou o início do ano de 2023 com tumultos na capital federal, Brasília, continua a reverberar na sociedade brasileira, alimentando debates sobre a necessidade de medidas severas contra os responsáveis. A manutenção de uma maioria contrária à anistia neste estágio pode refletir uma demanda por justiça e responsabilização, em um cenário político que exige transparência e rigor no cumprimento das leis democráticas.

Conclusão e Próximos Passos

Este levantamento da Datafolha serve como um barômetro do humor político entre os brasileiros em relação a questões de impunidade e justiça. Com o país se aproximando de um novo ciclo eleitoral, a polêmica em torno da anistia aos envolvidos no 8 de Janeiro poderá influenciar discursos e estratégias políticas nos meses que se seguem. O debate sobre como lidar com o passado recente segue aberto, enquanto a sociedade busca caminhos para consolidar a democracia e prevenir novos desafios à ordem constitucional.

Revista Oi



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Política

De Pelé a Neymar: como futebol e política no Brasil se cruzam nas Copas do Mundo

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Brasília, 13 de junho de 2026

A poucos dias do início da Copa do Mundo de 2026, a relação entre futebol e política voltou ao centro do debate público no Brasil. Após a convocação de Neymar pelo técnico Carlo Ancelotti, o Partido Liberal (PL) publicou nas redes um vídeo produzido com inteligência artificial associando a imagem do jogador à do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República. “Flávio é Neymar e Neymar é Flávio”, diz a peça — rapidamente repercutida pelo parlamentar, que divulgou foto ao lado do atleta. Neymar não se manifestou. Em paralelo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ver chances do hexa, mas avaliou que o país vive uma fase sem “grandes ídolos” no futebol. O episódio reacende um enredo recorrente: a cada quatro anos, o campo e o palanque se encontram — independentemente do governante e de sua inclinação ideológica.

Antes da bola rolar: política em campo

  • O uso da seleção como capital simbólico não é novo. “Hoje em dia os atletas são muito mais do que jogadores. Eles também são celebridades. E o Neymar é, sem dúvida, o grande atleta da geração brasileira”, observa Bruna Barenco, mestre e doutoranda em História (UFF). Em ambiente eleitoral, a visibilidade se amplifica: “No Brasil, todo ano [desde 1994] de Copa é ano de eleição. Então o futebol ganha uma importância muito maior. Tudo o que esses jogadores falam ou fazem acaba tendo impacto político também”, explica.
  • Ao comentar a convocação, Lula disse na TV Brasil que o Brasil pode ser campeão, mas sem a figura de um grande ídolo como em outras épocas: “Lamentavelmente, a gente não está em uma fase de produção de tantos gênios… A seleção pode ser campeã do mundo, mas o problema é que nossa seleção não tem mais nenhum ídolo.”
  • Em encontro com Donald Trump, em 7 de maio, Lula brincou sobre a entrada dos jogadores nos EUA durante a Copa: “Espero que você não anule o visto dos jogadores da seleção brasileira, porque a gente vai vir para ganhar a Copa do Mundo.”

1958 — Anos Dourados e o fim do “complexo de vira-lata”

Sob Juscelino Kubitschek, a vitória na Suécia, liderada por Pelé e Garrincha, dialogou com o otimismo desenvolvimentista — Brasília em construção, arquitetura de Niemeyer, Bossa Nova em ascensão. O governo celebrou a conquista com festa no Palácio do Catete e discursos que ecoavam a ideia de identidade nacional miscigenada. Para além do troféu, a campanha confrontou o “Complexo de Vira-lata”, expressão de Nelson Rodrigues após o trauma de 1950, reposicionando o Brasil no imaginário internacional.

1962 — Jango, diplomacia e a urgência do bicampeonato

A Copa do Chile consolidou a imagem do Brasil como potência futebolística em meio a um cenário político tenso — a última antes de um longo hiato sem presidente eleito diretamente. Com Pelé lesionado e Garrincha suspenso nas semifinais, a participação do camisa 7 na final virou questão de Estado. Tancredo Neves, então primeiro-ministro, foi acionado para interceder junto à Fifa e às autoridades chilenas. Garrincha acabou liberado, e o título ajudou a reforçar a ideia de um país já integrado “à dinâmica mundial de poder”, como pontua Bruna Barenco.

1970 — Ditadura, ufanismo e o poder das imagens

O regime militar transformou o futebol em vitrine. Emílio Garrastazu Médici frequentava estádios, associava-se a clubes e via na seleção um ativo de propaganda. A conquista no México, no auge do “Milagre Econômico”, foi trilha do ufanismo ao som de “Pra Frente, Brasil”. A engrenagem política também se fez sentir no banco de reservas: João Saldanha caiu a 72 dias da estreia, após responder com ironia à suposta pressão de Médici para convocar Dadá Maravilha — “Nem Saldanha escala o ministério, nem Médici escala a seleção.” Zagallo assumiu e levou o time ao tricampeonato. Para o historiador Carlos Fico (UFRJ), o sucesso de hinos patrióticos não significou adesão automática ao regime, mas ilustrou a tentativa de construir uma “unidade nacional” pela bola.

1994 — Plano Real, luto e pragmatismo campeão

Em meio à redemocratização recente, ao impeachment de Collor e ao lançamento do Plano Real, a seleção de Romário, Bebeto, Dunga e Taffarel foi eficiente, ainda que pouco exuberante, num ano marcado pela hiperinflação e pela comoção com a morte de Ayrton Senna. “O futebol começava a tentar se afastar da política”, lembra Barenco. O tetracampeonato ajudou a costurar um sentimento de união em um país em busca de estabilidade — enquanto persistiam debates sobre identidade e estilo de jogo.

2002 — Pentacampeão e a travessia para um novo ciclo

Com a economia estabilizada e Fernando Henrique Cardoso no Planalto, a relação do governo com o futebol foi mais protocolar — apesar da imagem icônica de Vampeta dando cambalhotas na rampa do Planalto na recepção à delegação. O penta coincidiu com a virada política daquele ano: meses depois, Lula venceria sua primeira eleição presidencial. Para Barenco, democracias também mobilizam o futebol, “talvez de maneira menos direta”, com presença em comemorações e interação com ídolos.

2026 — A disputa simbólica do hexa e o “naming rights” da alegria

  • A associação do PL entre Neymar e Flávio Bolsonaro cristaliza uma estratégia conhecida: colar a imagem de ídolos à de candidatos para irradiar popularidade. O silêncio do jogador, ao menos por ora, preserva sua marca de exposição a um público transversal — e evita contaminação em um debate cada vez mais polarizado.
  • Do outro lado, Lula busca calibrar expectativas: reconhece a força esportiva da seleção, mas desloca o eixo da discussão do “gênio” individual para o coletivo — um argumento que reduz a personalização do eventual triunfo. Sua brincadeira com Trump sobre vistos também explora, com leveza, o soft power do futebol brasileiro no palco internacional.
  • “Só um governo pouco habilidoso não se aproveitaria desse tipo de eventual conquista”, resume Carlos Fico. Em ano eleitoral, o hexa tem valor político instantâneo — e o risco de ser apropriado por diferentes narrativas, a depender da conjuntura e do humor das arquibancadas.

Análise da Revista Oi

  • O futebol segue como o mais potente vetor simbólico da política brasileira — transversal a regimes e governos. A história mostra que vitórias e derrotas não definem votos por si, mas moldam climas de opinião. Em 2026, a ofensiva digital do PL com IA e o discurso de Lula ilustram caminhos opostos para capitalizar o momento: personalização versus institucionalização.
  • Para Neymar, o cálculo é delicado: associar-se explicitamente a um polo pode reforçar nichos, mas reduzir alcance em um país onde a seleção ainda mobiliza uma audiência plural. Para os candidatos, a tentação de “batizar” a alegria do torcedor é enorme — e o risco de backlash, real, se a performance em campo frustrar.
  • Em última instância, a Copa reafirma um traço do país: o gramado como espelho da nação. Em 1958 e 1962, projetou-se autoestima; em 1970, serviu ao ufanismo; em 1994 e 2002, ancorou travessias econômicas e políticas. Em 2026, tende a ser palco e termômetro — não oráculo.

Encerramento

A história confirma: no Brasil, Copa e eleição caminham juntas desde 1994. O hexa, se vier, terá muitos pretendentes à autoria política. Mas, como sempre, quem dará a palavra final serão os 90 minutos — e a capacidade de governos, partidos e candidatos de ler o espírito de um país que, ao celebrar seus craques, também discute quem somos. Até lá, a bola seguirá dividida entre o campo e a narrativa.

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Política

Eleição e briga de Alcolumbre com Lula explicam aprovação de ‘pautas-bomba’ no Senado

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Em uma quarta-feira (10) de derrotas para o Palácio do Planalto, o Senado aprovou uma série de “pautas-bomba” com potencial de impacto fiscal superior a R$ 200 bilhões, segundo estimativas discutidas pela equipe econômica. No centro do terremoto político estão a disputa pela reeleição de Davi Alcolumbre (União-AP) ao comando do Senado e o desgaste na relação do senador com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva — combinação que, somada à decisão do presidente da Casa de avançar com votações sem acordo com o governo, explica a ofensiva que agora ameaça o Orçamento em ano eleitoral.

O que foi aprovado

O principal item aprovado foi o projeto de renegociação das dívidas de produtores rurais, relatado por Renan Calheiros (MDB-AL). A proposta, avaliada por técnicos como de alto risco fiscal, pode gerar impacto de cerca de R$ 140 bilhões ao longo dos próximos dez anos. A matéria avançou mesmo após Alcolumbre, dias antes, sinalizar em plenário — após reunião com o ministro da Fazenda, Dario Durigan — que não colocaria projetos dessa natureza em votação a pedido do governo.

Virada de rota no Senado

Na sessão desta quarta (10), Alcolumbre adotou posição oposta. Sem acordo com o Planalto, pautou a renegociação rural e deu sequência à deliberação. Para líderes governistas, o gesto teve endereço certo: agradar a senadores de diferentes bancadas, em busca de apoio para sua candidatura à reeleição, e enviar um recado a Lula de que deseja abrir um canal direto para “aparar arestas” políticas.

Crise entre o presidente do Senado e o Planalto

A crise entre o presidente do Senado e o Planalto vem de longe. Eles estão rompidos desde que o Senado, sob a condução de Alcolumbre, rejeitou o nome de Jorge Messias para a vaga de Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal, episódio que aprofundou o fosso entre as cúpulas dos Poderes e alimentou desconfianças mútuas.

Aposta do governo na Câmara

Diante do revés no Senado, o governo deslocou sua estratégia para a Câmara dos Deputados, ancorado na relação do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), com o Planalto. Ao contrário de Alcolumbre, Motta vive fase de excelente interlocução com Lula e é visto como o principal fiador para conter o avanço das medidas no curto prazo ou, ao menos, moderar seu alcance fiscal por meio de ajustes no texto.

O cálculo político

A leitura no Congresso é de que “pautas-bomba” costumam ganhar tração em períodos eleitorais por atenderem a demandas setoriais, regionais e corporativas, em troca de capital político para lideranças que almejam ampliar influência. No caso de Alcolumbre, a combinação entre necessidade de consolidar apoios e o embate com o Planalto criou o ambiente para a ruptura de compromissos informais firmados com a equipe econômica.

O que são “pautas-bomba”

No jargão de Brasília, “pautas-bomba” são projetos que elevam despesas obrigatórias ou ampliam renúncias de receita sem contrapartidas equivalentes, pressionando o resultado fiscal. Em anos eleitorais, tendem a ressurgir com força, pois oferecem ganhos imediatos a segmentos organizados, enquanto seus custos se acumulam ao longo dos anos. A renegociação ampla de dívidas, reajustes sem fonte de custeio e anistias tributárias são exemplos clássicos dessa categoria.

Análise

A movimentação no Senado expõe dois vetores que se retroalimentam: a disputa pela presidência da Casa e a deterioração da ponte política entre Alcolumbre e o Planalto. Na prática, o líder do Senado usou a agenda econômica como instrumento de poder — tanto para agregar apoios internos quanto para forçar um realinhamento com Lula. Para o governo, a janela de contenção agora depende da Câmara e de sua capacidade de reescrever projetos que, da forma como saíram do Senado, ampliam o passivo fiscal em um patamar incompatível com o compromisso de responsabilidade orçamentária.

Próximos passos

Os textos aprovados no Senado seguem para a Câmara, onde a base governista tentará calibrar escopo e impacto das medidas. O governo trabalha para reatar canais com o Senado e, paralelamente, para construir na Câmara uma barreira a novas derrotas — cenário que, se mal manejado, pode impor ao Executivo uma conta bilionária em pleno ano eleitoral e reordenar as forças no topo do Legislativo.

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Política

A mais política das Copas do Mundo – O Assunto #1737

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Abertura

A Copa do Mundo que começa nesta quinta-feira, 11 de junho de 2026, promete entrar para a história não só pelo ineditismo esportivo — 48 seleções em campo, sedes espalhadas por Estados Unidos, Canadá e México — mas também pela carga política e econômica que a cerca. Enquanto milhões lotam estádios ao longo de pouco mais de um mês, o torneio convive com duas barreiras centrais: o bolso do torcedor, diante dos ingressos mais caros já praticados, e as restrições de entrada nos EUA, que, sob a administração Donald Trump, impõem dificuldades adicionais a fãs e até a delegações. No campo, o Mundial pode marcar o crepúsculo da era Messi–Cristiano Ronaldo, enquanto o Brasil tenta romper a desconfiança para voltar ao topo.

O torneio da virada: formato, calendário e sedes

  • Inédito a três mãos: EUA (11 cidades), México (3) e Canadá (2) dividem a organização — a primeira Copa com três países-sede.
  • Expansão histórica: 48 seleções, em 12 grupos de quatro; avançam aos mata-matas os dois melhores de cada grupo e os oito melhores terceiros, inaugurando um novo “round of 32”. Serão 104 partidas ao longo de 39 dias.
  • Abertura e encerramento: o Mundial vai de 11 de junho a 19 de julho de 2026, retomando o calendário tradicional de verão no Hemisfério Norte.
  • Contexto de bastidores: a candidatura norte-americana (United 2026) venceu o Marrocos no Congresso da Fifa em 2018; o México se torna o primeiro país a sediar uma Copa pela terceira vez; o Canadá estreia como anfitrião.

Política em campo: vistos, fronteiras e a Fifa de Infantino

No episódio O Assunto #1737, Natuza Nery ouve, dos EUA, o jornalista Guga Chacra sobre o clima político: em ano de Copa sediada majoritariamente por um país de fronteiras historicamente rígidas, relatos de entraves de visto e maior escrutínio migratório atingem torcedores e podem alcançar delegações. A meu ver, esse é o ponto que transforma 2026 na Copa mais politizada desde o início do século: a experiência do torcedor passa a ser também um capítulo de política pública.

Há ainda a política do futebol. Gianni Infantino, presidente da Fifa, construiu, desde 2016, uma agenda de expansão da Copa — uma decisão com nítido cálculo geopolítico (mais países contemplados, mais votos, mais mercados). O relacionamento com Washington não é de hoje: em 2018, Infantino visitou a Casa Branca, em gesto simbólico logo após o apoio à candidatura tripla de 2026. Esse entrelaçamento entre poder esportivo e poder político ajuda a explicar tanto a escolha do modelo de Copa quanto a disposição da Fifa em aceitar preços altos e uma logística complexa em troca de alcance e receita recordes.

O peso do bolso: os ingressos mais caros

A promessa de “Copa para todos” esbarra na realidade do preço. A política de preços e o uso de modelos dinâmicos de bilhetagem tornaram os tíquetes os mais caros de todos os tempos, segundo levantamento setorial e reportagens recentes. Some-se a isso o custo de transporte e hospedagem no eixo EUA–Canadá–México — e tem-se um Mundial que, do ponto de vista do torcedor comum, é menos acessível do que edições anteriores. Na prática, há risco reputacional para a Fifa ao afastar parte do público que faz a festa nas arquibancadas.

Dentro de campo: fim de uma era e novos protagonistas

Dois dos maiores da história, Lionel Messi e Cristiano Ronaldo, chegam a 2026 no limite do ciclo. Mesmo que um deles ainda pise no gramado, a percepção de que vivemos o capítulo final dessa dupla eleva a tensão esportiva do torneio. É o momento em que as novas lideranças — algumas já consolidadas na Europa e na América do Sul — têm a chance de assumir o protagonismo.

Brasil: entre a cobrança e a reconstrução

A Seleção inicia o Mundial sob o comando de Dorival Júnior, técnico efetivado em janeiro de 2024, após meses de incerteza e idas e vindas em torno do nome de Carlo Ancelotti. A correção é necessária: embora Ancelotti tenha sido cotado e tratado como plano da CBF, foi Dorival quem assumiu o ciclo e conduziu o processo de reconstrução. No episódio, André Rizek avalia o quadro competitivo: tradicionais potências chegam fortes, e há espaço para surpresas — um cenário em que o Brasil, penta desde 2002, precisa combinar solidez tática, elenco saudável e nervos no lugar para voltar a ser protagonista. Minha leitura é que a Seleção tem material humano para brigar, mas depende de consistência defensiva e de um encaixe fino no ataque para superar rivais com projetos mais estáveis desde 2018.

Infantino, Trump e o tabuleiro global do futebol

O argumento político que cerca 2026 não se esgota nos vistos. A expansão para 48 seleções amplia a pegada diplomática do evento: mais vagas para confederações fora da Europa e da América do Sul, maior capilaridade de mercados de TV e patrocínio e uma aposta da Fifa no soft power do futebol como ativo econômico. A relação de Infantino com lideranças políticas — inclusive com a Casa Branca à época da confirmação da sede — ajuda a entender por que 2026 é, acima de tudo, um projeto global de influência.

Por que esta é a Copa mais política

  • Fronteiras e acesso: checagens de imigração e complexidade de viagem entre três países afetam torcidas e, potencialmente, equipes.
  • Economia do espetáculo: preços recordes comprimem a participação do torcedor tradicional e reforçam a lógica de maximização de receita.
  • Geopolítica da bola: a Fifa usa a expansão para ampliar seu raio de influência e consolidar alianças — um jogo de poder que extrapola o gramado.

Encerramento

A Copa de 2026 será lembrada como um divisor de águas: maior, mais longa, mais cara — e mais atravessada pela política. Entre o adeus a uma era de superastros e a busca brasileira pelo hexa, o Mundial nos EUA, Canadá e México testa os limites do futebol como festa popular em tempos de fronteiras rígidas e de um esporte cada vez mais globalizado e comercial. O que veremos a partir desta quinta-feira dirá se, apesar de tudo, a bola ainda consegue falar mais alto.

Serviço — O Assunto #1737

  • Apresentação: Natuza Nery.
  • Convidados: Guga Chacra (Globonews, TV Globo, CBN e O Globo) e André Rizek (editor-chefe e apresentador do Seleção SporTV e Fechamento SporTV).
  • Produção: Luiz Felipe Silva, Sarah Resende, Carlos Catelan, Luiz Gabriel Franco, Juliene Moretti, Stéphanie Nascimento e Guilherme Gama.
  • O Assunto é o podcast diário do g1, disponível em todas as plataformas de áudio e no YouTube, com mais de 168 milhões de downloads somados nas plataformas e 14,2 milhões de visualizações no YouTube desde agosto de 2019.
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