Política
Ciro Gomes é condenado por violência política de gênero por comentários sobre prefeita de Crateús, Janaína Farias
Fortaleza — A Justiça Eleitoral do Ceará condenou nesta segunda-feira (18) o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) a 1 ano e 4 meses de reclusão e ao pagamento de multa de R$ 4,2 mil pelo crime de violência política de gênero, em razão de declarações contra a atual prefeita de Crateús, Janaína Farias (PT), feitas entre abril e maio de 2024, quando ela havia tomado posse como senadora. A pena privativa de liberdade foi substituída por medidas alternativas: pagamento de 20 salários-mínimos à própria Janaína e 50 salários-mínimos a entidades de proteção dos direitos das mulheres no Ceará. Cabe recurso.
O que decidiu a Justiça
- A sentença, assinada pelo juiz Edson Feitosa dos Santos, da 115ª Zona Eleitoral de Fortaleza, enquadrou Ciro no artigo 326-B do Código Eleitoral, que define violência política de gênero como assediar, constranger, humilhar, perseguir ou ameaçar, por qualquer meio, candidata ou detentora de mandato, com menosprezo ou discriminação à condição de mulher.
- O magistrado destacou que, ainda que o suposto alvo final fosse o senador Camilo Santana (PT), as declarações “atingiram em cheio a reputação da ofendida, deslegitimando o exercício de seu mandato, especialmente no contexto em que ocorreram”, logo após a posse de Janaína no Senado.
As declarações que motivaram a ação
- Em diferentes entrevistas, Ciro chamou Janaína Farias de “cortesã”, disse que ela “organizava as farras” e a qualificou como “assessora para assuntos de cama” do então senador Camilo Santana, de quem era segunda suplente.
- No processo, Ciro confirmou as falas, mas negou conotação sexista. Segundo a defesa, tratava-se de críticas ao “patrimonialismo” atribuído a Camilo Santana.
Reações
- A prefeita Janaína Farias classificou a condenação como “vitória das mulheres”.
- Em nota, Ciro Gomes afirmou confiar que “as instâncias superiores saberão fazer justiça e analisar o caso fora do calendário de interesses eleitorais”. Ele é pré-candidato ao governo do Ceará em 2026.
Histórico do caso e medidas anteriores
- A ação foi proposta pelo Ministério Público Eleitoral do Ceará em julho de 2024, apontando perseguição política com “discursos agressivos e persistentes” contra Janaína, eleita prefeita de Crateús naquele ano.
- Em setembro de 2025, a Advocacia do Senado pediu a prisão preventiva de Ciro por ataques à prefeita, mas o requerimento foi negado. Na ocasião, a Justiça proibiu o ex-ministro de fazer referências difamatórias à gestora, ainda que de forma indireta, sob pena de multa de R$ 10 mil por manifestação.
Penas e execução
- Além da multa de R$ 4,2 mil, a pena de 1 ano e 4 meses foi substituída por pagamentos compensatórios e a entidades de defesa dos direitos das mulheres (20 salários-mínimos à vítima e 50 salários-mínimos a organizações do Ceará).
- A decisão é de primeira instância. Ciro pode recorrer em liberdade e segue proibido de retomar referências difamatórias a Janaína Farias.
Contexto legal
- O artigo 326-B do Código Eleitoral foi criado para coibir práticas que, por meio de linguagem misógina ou depreciativa, limitem, desestimulem ou deslegitimem a atuação de mulheres na política. No entendimento da Justiça cearense, as falas de Ciro extrapolaram o limite da crítica política e incidiram na proteção expressa do dispositivo.
Análise | Opinião da reportagem
- A decisão sinaliza um cerco mais firme da Justiça Eleitoral à violência política de gênero às vésperas do ciclo eleitoral de 2026. Com base no 326-B, o caso tende a balizar discursos públicos no Ceará e além, pressionando lideranças a separar crítica politicamente legítima de ataques com conteúdo misógino. A defesa de Ciro busca politizar o timing da sentença e deve levar a discussão às instâncias superiores, o que manterá o tema no centro do debate sobre os limites da retórica na arena eleitoral.
Próximos passos
- A defesa de Ciro Gomes deve recorrer às instâncias superiores. Até decisão definitiva, a condenação permanece válida em primeira instância, com execução das medidas alternativas e manutenção das restrições impostas quanto a novas referências difamatórias à prefeita de Crateús.
Política
Pedido de abertura de CPI do Banco Master terá ‘tratamento regimental’, diz Hugo Motta
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou neste domingo (17) que o pedido de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o caso do Banco Master receberá “tratamento regimental”. Na prática, segundo interlocutores ouvidos por líderes partidários, isso significa respeitar a ordem cronológica de apresentação das comissões já protocoladas — o que colocaria a CPI do Banco Master atrás de ao menos 15 outros pedidos que aguardam decisão para instalação ou arquivamento.
Fila de CPIs na Câmara
O requerimento para criar a CPI do Banco Master foi protocolado na Câmara em 2 de fevereiro pelo deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) e já conta com assinaturas suficientes para a instalação. A efetiva criação do colegiado, porém, depende de despacho do presidente da Casa, Hugo Motta. Parlamentares e técnicos avaliam, nos bastidores, que a justificativa de seguir estritamente a ordem regimental prospera sobretudo porque não há, no momento, interesse político majoritário na abertura da comissão.
Disputa por CPMIs no Congresso
Além da Câmara, há movimentações no Congresso para a criação de comissões mistas de inquérito (CPMIs) sobre o tema. Dois pedidos já foram apresentados: um pelo deputado Carlos Jordy (PL-RJ) e outro pelas deputadas Heloísa Helena (Rede-RJ) e Fernanda Melchionna (PSOL-RS). Em paralelo, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) e o senador Carlos Viana (PSD-MG) coletam assinaturas para novos requerimentos. No Senado, há iniciativas individuais dos senadores Eduardo Girão (Novo-CE) e Alessandro Vieira (MDB-SE).
Regra regimental e impasse no Senado
O regimento do Congresso prevê a instalação automática de CPMI na primeira sessão do ano legislativo, desde que cumpridos os requisitos formais. Ainda assim, na sessão em que foram analisados os vetos do projeto da dosimetria, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), recusou-se a instalar a comissão. Governistas apontam que houve um acordo com a oposição para derrubar vetos sem deflagrar a CPMI. Alcolumbre e líderes oposicionistas negam a existência de entendimento dessa natureza.
Judicialização
Diante do impasse, na última sexta-feira, Lindbergh Farias ingressou com mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF) para obrigar a Mesa do Congresso a instalar a CPMI. A judicialização adiciona pressão sobre o comando do Legislativo e pode acelerar decisões que, politicamente, vinham sendo postergadas.
Calendário eleitoral e cálculo político
Deputados e senadores reconhecem um calendário curto em ano eleitoral e relatam resistência da cúpula do Congresso em avançar com CPIs e CPMIs. Sob reserva, um deputado do Centrão recorreu ao adágio de Brasília — “uma CPI todo mundo sabe como começa, ninguém sabe como termina” — e admitiu que uma comissão dessa natureza “teria o potencial de atingir muita gente” dentro do Parlamento.
O que está em jogo
As comissões parlamentares de inquérito são instrumentos de investigação do Legislativo, com prazos definidos e foco em fatos determinados. Têm poder de convocar autoridades e requisitar documentos, e, em geral, funcionam como arenas de pressão política com impacto sobre agendas legislativas e sobre a opinião pública. No caso do Banco Master, acumulam-se ao menos sete pedidos de abertura de investigação no Congresso, refletindo a disposição de diferentes blocos partidários de escrutinar o tema por diversas frentes.
Análise da Revista Oi
A sinalização de “tratamento regimental” por Hugo Motta funciona, na prática, como um freio institucional que posterga a decisão política sobre a CPI do Banco Master. Em um ambiente de disputa intensa e calendário encurtado, a estratégia de priorizar a fila serve de escudo para a presidência da Câmara e preserva articulações em curso. Ao mesmo tempo, a multiplicação de pedidos na Câmara, no Senado e no âmbito de CPMIs mantém a pauta viva e aumenta a pressão — sobretudo se o STF vier a arbitrar pela instalação da comissão mista. Em suma, há apetite para investigar, mas falta consenso para pagar o custo político imediato.
Próximos passos
- Despacho de Hugo Motta sobre a CPI do Banco Master, após análise da fila de requerimentos.
- Decisão do STF sobre o mandado de segurança que pede a instalação da CPMI.
- Definição no Senado sobre a postura da Mesa diante de novos requerimentos e de eventual ordem judicial.
Enquanto isso, a construção de maiorias e o relógio eleitoral tendem a pesar mais do que a retórica, indicando que qualquer avanço dependerá de cálculo político fino e de pressão concentrada de bancadas interessadas.
Política
Datafolha: 39% avaliam governo Lula como ruim ou péssimo; 30% como ótimo ou bom
São Paulo — Uma pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (16) pelo jornal Folha de S.Paulo aponta estabilidade na avaliação do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT): 39% dos entrevistados consideram a gestão ruim ou péssima, 30% a avaliam como ótima ou boa e 29% a classificam como regular. Outros 1% não souberam responder. Os números repetem, dentro da margem de erro, o retrato observado em abril.
Avaliação do governo e comparação com abril
- Ótimo/bom: 30%
- Regular: 29%
- Ruim/péssimo: 39%
- Não sabe: 1%
Em relação ao levantamento anterior, de abril, as variações ficaram dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Na ocasião, 40% avaliavam o governo como ruim ou péssimo, 29% como ótimo ou bom e 2% não souberam responder. A fotografia atual, portanto, reforça um quadro de estabilidade e cristalização das opiniões sobre a gestão.
Aprovação e desaprovação do presidente
A pesquisa também mediu a percepção sobre o desempenho pessoal de Lula como presidente: 51% desaprovam, 45% aprovam e 4% não souberam responder. Assim como na avaliação do governo, os índices são os mesmos registrados em abril.
Expectativas após três anos e quatro meses de gestão
Questionados sobre o que esperavam do governo até aqui, 59% disseram que Lula fez menos do que esperavam, 23% afirmaram que entregou o que esperavam e 13% avaliaram que fez mais do que o esperado. O dado ajuda a explicar a persistência de um saldo negativo entre avaliação e aprovação, ainda que parte do eleitorado mantenha visão regular da gestão.
Contexto político: pesquisa sai após divulgação de áudio envolvendo Flávio Bolsonaro
Este é o primeiro levantamento publicado após a divulgação de um áudio envolvendo o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, no qual, segundo reportagens do g1, o parlamentar cobra repasses para o financiamento do filme “Dark Horse”, que narra a história de Jair Bolsonaro e menciona o ator Jim Caviezel. A pesquisa, contudo, indica que o episódio, ao menos até agora, não alterou significativamente o humor do eleitorado sobre o governo federal.
Metodologia
O Datafolha ouviu 2.004 eleitores com 16 anos ou mais entre os dias 12 e 13 de maio. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. O instituto faz parte do Grupo Folha, ao qual pertence a Folha de S.Paulo, e é um dos mais tradicionais na realização de levantamentos de opinião no país.
O que está por trás dos números (análise)
Os resultados reforçam um cenário de estabilidade e polarização das percepções: a desaprovação (51%) segue acima da aprovação (45%), enquanto a avaliação “regular” (29%) permanece relevante, sinalizando um contingente que não migra nem para o apoio nem para o rechaço total. O dado de expectativas frustradas — 59% dizem que o governo entregou menos do que esperavam — ajuda a entender por que o saldo negativo persiste, mesmo sem piora recente. Na prática, o governo enfrenta o desafio de transformar a percepção de “regular” em “ótimo/bom” e de reverter a sensação de frustração, especialmente num ambiente de ruído político constante. O fato de eventos de repercussão — como o áudio envolvendo Flávio Bolsonaro e o financiamento do filme “Dark Horse” — ainda não terem movido o ponteiro sugere que fatores estruturais (economia, serviços públicos, custo de vida e comunicação de resultados) pesam mais na avaliação atual do que episódios pontuais do noticiário.
Encerramento
Com índices estáveis em relação a abril, a nova pesquisa Datafolha indica que a opinião do eleitorado sobre o governo Lula está consolidada no curto prazo. Para alterar esse quadro, o Planalto terá de combinar entregas econômicas e sociais percebidas no dia a dia com uma estratégia de comunicação eficaz — único caminho plausível para reduzir a frustração apontada pela maioria e converter avaliação regular em apoio efetivo.
Política
Tebet sobre Flávio Bolsonaro: ‘Presidenciável íntimo de banqueiro envolvido no maior escândalo de corrupção do Brasil’
Revista Oi
Limeira (SP) — A ex-ministra do Planejamento Simone Tebet (PSB) afirmou nesta sexta-feira (15) que a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República em 2026 se tornou “insustentável” após a divulgação de mensagens e de um áudio em que o senador pede dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro. Em sua fala, Tebet classificou o senador como “presidenciável íntimo de banqueiro envolvido no maior escândalo de corrupção do Brasil”. A declaração foi dada durante o 3º Fórum Mulheres na Política, em Limeira, interior de São Paulo.
Revelações que acirraram a crise
- As informações vieram a público na quarta-feira (13), em reportagens do Intercept Brasil, que teve acesso a mensagens trocadas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, além de um áudio enviado pelo senador ao banqueiro em setembro de 2025, pressionando pagamentos para a cinebiografia “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O g1 compilou e detalhou os conteúdos no dia seguinte.
- Nas trocas, Flávio trata Vorcaro como “irmão” e faz pedidos de recursos vinculados à produção do filme. Uma das mensagens destacadas traz a frase “Topa jantar com o Jim Caviezel?”, referência ao ator norte-americano.
Quem é Daniel Vorcaro e por que o caso pesa
- Daniel Vorcaro é empresário do setor financeiro e foi o principal controlador do Banco Master. Em 2025, o banco entrou em liquidação extrajudicial determinada pelo Banco Central e o banqueiro foi preso em novembro daquele ano no contexto de investigações da Polícia Federal sobre supostas fraudes financeiras de grande escala. O caso é descrito por autoridades e documentos oficiais como um dos maiores escândalos bancários recentes do país.
- A conexão política com uma figura no epicentro de um escândalo financeiro amplia o custo reputacional para qualquer pré-candidatura nacional, sobretudo em um ambiente eleitoral sensível a temas de integridade e financiamento político.
O que disse Flávio Bolsonaro
- Em agenda no Rio de Janeiro, nesta sexta-feira (15), Flávio Bolsonaro comentou as revelações e afirmou que “não tem motivo para se justificar com ninguém”, sem apresentar detalhamento adicional sobre a natureza dos pedidos ou o enquadramento financeiro das negociações para o filme.
- Até o momento, não há decisão judicial sobre eventual ilicitude nos pedidos de recursos para a produção audiovisual. Em tese, aportes privados para obras culturais não configuram irregularidade por si só; o problema surge se houver vínculo com financiamento eleitoral fora das regras, hipótese que, caso ocorresse, poderia atrair questionamentos do Ministério Público Eleitoral e da Justiça Eleitoral.
O contexto e o impacto político
- A fala de Tebet, uma das principais lideranças do campo de centro reformista e ex-ministra do Planejamento, confere lastro político à leitura de que o episódio fragiliza a viabilidade eleitoral de Flávio Bolsonaro em 2026. Além de mobilizar o debate sobre ética pública, a associação direta com um banqueiro investigado num escândalo bilionário tende a acionar anticorpos no eleitorado moderado e a municiar adversários.
- Minha avaliação, com base nas informações disponíveis e em precedentes eleitorais, é que o dano imediato é sobretudo de imagem: o conteúdo das mensagens expõe proximidade e tratativas financeiras sensíveis, o que, em ano pré-eleitoral, contamina narrativas e afeta alianças. O desfecho jurídico dependerá do avanço das investigações sobre o Banco Master e de eventual verificação de trânsito de recursos com finalidade político-eleitoral fora dos marcos legais.
O que vem a seguir
- As investigações sobre o caso Banco Master seguem sob responsabilidade das autoridades competentes. No campo político, a pré-campanha de 2026 entra em fase de testes de resiliência: caberá ao entorno de Flávio Bolsonaro apresentar explicações consistentes e separar, se for o caso, apoios culturais de eventuais vínculos eleitorais.
- A Revista Oi seguirá acompanhando os desdobramentos das apurações e os impactos no tabuleiro eleitoral de 2026.
Fontes citadas
- Intercept Brasil (13/5/2026)
- g1 (14 e 15/5/2026)
- Registros públicos sobre a liquidação extrajudicial do Banco Master e a prisão de Daniel Vorcaro em 2025
-
Religião8 meses agoArautos do Evangelho: Mitos, Farsas e Verdades
-
Religião8 meses agoArautos do Evangelho: Denúncias e Abuso
-
Política12 meses agoÁudio com plano de assassinato de autoridades é enviado ao STF em relatório complementar
-
Entretenimento12 meses agoPremonição 6: Laços de Sangue’ retoma bem franquia sem decepcionar fãs
-
Política10 meses agoAnistia pelo 8 de Janeiro é rejeitada por 55% e aprovada por 35%, indica Datafolha
-
Política10 meses ago
Ação na Suprema Corte dos EUA, pedido direto a Trump: as alternativas para Moraes reverter a sanção
-
Negocios12 meses agoEmbalagem ‘mágica’ muda de cor para avisar se peixe está estragada
-
Política10 meses agoCom Zambelli e ministros de Lula, Câmara tem 30 deputados fora do exercício; veja caso a caso
