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Formalização abre portas: pequenos negócios ampliam renda, segurança e presença em novos mercados

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Empreender deixou de ser apenas uma alternativa ao desemprego e virou projeto de vida para milhões de brasileiros. Segundo o relatório Empreendedorismo no Brasil 2025, do Global Entrepreneurship Monitor (GEM), ter o próprio negócio é o segundo maior sonho da população adulta entre 18 e 64 anos. Esse desejo vem se traduzindo em CNPJs: no primeiro trimestre de 2026, o país registrou a formalização de quase 1,6 milhão de empresas, das quais 76,4% foram abertas na figura do Microempreendedor Individual (MEI). Na prática, formalizar tem significado mais renda, segurança e portas abertas em novos mercados — do fornecimento para grandes clientes a vendas em marketplaces e exportação.

Do extra ao CNPJ: quando o ticket e a base de clientes sobem

Em 2017, então com 32 anos, Raphael da Silva Muniz, morador de Nova Friburgo (RJ), abriu seu MEI e transformou uma renda adicional em um negócio nacional. Gerente de uma casa de festas infantis à época, apostou na produção de lembrancinhas personalizadas em MDF. Três meses depois, deixou o emprego para focar integralmente no empreendimento e, ouvindo a demanda dos clientes, migrou para o acrílico — hoje sua principal matéria-prima.

O CNPJ mudou o jogo. Com a emissão de notas fiscais, Raphael conquistou contratos maiores, como o de uma cervejaria local que saiu de 20 pedidos pontuais para encomendas de mil caixas personalizadas. “Conseguimos pedidos maiores e clientes maiores também. Isso nos fez entender que não era só mais um extra”, relembra. À frente da fábrica Inova a Laser e da marca In Store, ao lado da esposa e sócia, Vitória Bernardo e Souza, o empreendedor hoje atende o Brasil com itens personalizados para segmentos como saúde, beleza e estética.

Renda maior e rede de proteção

Os dados reforçam o impacto no bolso: de acordo com o Data Sebrae (4º trimestre de 2024), donos de negócios formais recebem, em média, R$ 6.117 por mês, ante R$ 2.115 dos trabalhadores informais. A formalização via MEI — categoria criada em 2009 e que simplificou a entrada de autônomos no regime formal — soma vantagens que vão da regularização jurídica e redução de impostos ao acesso a descontos e cobertura previdenciária.

“Certa vez atendi um pintor que sofreu um acidente de moto e ficou cerca de cinco meses sem trabalhar. Como ele era MEI, entrou em contato com o INSS e recebeu um salário-mínimo durante esse período. Quando se recuperou, voltou a trabalhar e a receber normalmente”, relata Cristiano Faquini, analista de inteligência de mercado e da Unidade de Relacionamento com Cliente do Sebrae. A gestora Fernanda Pereira Cavalcante reforça: “Não há por que o empreendedor trabalhar na informalidade. Há benefícios como auxílio-doença e, para a mulher, licença-maternidade. Inclusive, hoje existem iniciativas do próprio governo federal em que o MEI é convidado a prestar serviços para esferas estaduais e municipais”.

Uma dessas iniciativas é o Contrata+Brasil, que aproxima microempreendedores das compras públicas. Para apoiar esse acesso, o Sebrae oferece o curso Contrata+Brasil na prática, que ensina o passo a passo para cadastro, busca de oportunidades e prestação de serviços ao governo com mais segurança e menos burocracia: https://df.loja.sebrae.com.br/contrata-mais-brasil-na-pratica-guia-para-o-mei-1-372000117678?utm_source=pegn&utm_medium=digital&utm_campaign=pegn_digital_maio_2026

Escala, marketplaces e expansão internacional

A formalização também pavimenta a entrada em novos canais. Em 2023, ao levar os personalizados para marketplaces, o faturamento da Inova a Laser multiplicou por dez em um mês. O salto exigiu estrutura: a equipe saiu de três para quase 30 funcionários; a operação deixou um espaço de 35 m², passou por um galpão de 100 m² e, no ano seguinte, chegou à atual sede de 1.000 m². Com o crescimento, a empresa migrou para o regime de Empresa de Pequeno Porte (EPP) e ganhou escala industrial.

Em 2025, Raphael participou da Missão China, iniciativa do programa ProGlobal, com 80% de subsídio do Sebrae. Foram 15 dias de imersão em inovação e indústria, com acesso a tecnologias, modelos de negócio e referências de qualidade e velocidade dos chineses. Hoje, o empreendedor mantém contato com fornecedores do país para importação de insumos, já iniciou exportações para Estados Unidos, Suíça e Emirados Árabes Unidos, e prepara a presença em plataformas globais de e-commerce.

Não é caso isolado

O movimento de sair da informalidade, profissionalizar a gestão e escalar também se vê em Minas Gerais. À frente da Queijo D’Alagoa-MG, Osvaldo Martins de Barros Filho foi pioneiro na venda de queijo artesanal pela internet em 2009. O negócio, que evoluiu de MEI para EPP, colheu mais de 80 prêmios nacionais e internacionais — incluindo medalha de ouro na França — como resultado de padronização, qualidade e visão digital.

Inovação no centro e próximos passos

Com faturamento anual na casa de R$ 4 milhões, a inovação já é rotina para Raphael e Vitória. “Usamos inteligência artificial no design para ajudar a melhorar a qualidade das imagens que recebemos dos clientes”, explica ele. Os próximos passos incluem automatizar e agilizar o atendimento com IA para elevar a conversão e responder dúvidas 24 horas, além de, após investir em novos maquinários, entrar em peças de metal e inox (bandejas e potes personalizados). Para o especialista Cristiano Faquini, inovação e inteligência artificial são pilares da gestão estratégica do MEI que deseja crescer — ao lado de planejamento, marketing, vendas e organização financeira.

Agenda: Semana do MEI 2026

Entre 25 e 29 de maio, o Sebrae promove a Semana do MEI 2026 em todo o Brasil, com atividades on-line e presenciais para quem já é MEI ou quer abrir/formalizar um negócio. Antes, o Esquenta Semana do MEI começa na terça-feira (19/05), com nomes como Zica Assis, Thiago Godoy, Gil Giardelli e Ana Tex, em palestras on-line para inscritos: https://sebrae.com.br/subsites/mei/semana-do-mei?utm_source=pegn&utm_medium=digital&utm_campaign=pegn_digital_maio_2026#section-3. A agenda completa por estado está em: https://sebrae.com.br/subsites/mei/semana-do-mei

Opinião da Revista Oi

Os números do Data Sebrae, o salto de escala via marketplaces e compras públicas, além das trajetórias de Inova a Laser e Queijo D’Alagoa-MG, sustentam uma conclusão inequívoca: formalizar vale — e muito — a pena. O CNPJ não é só burocracia; ele habilita emissão de nota, contratos maiores, acesso a crédito e a políticas como o Contrata+Brasil, ao mesmo tempo em que oferece rede de proteção previdenciária. Para capturar todo esse valor, porém, é indispensável profissionalizar a gestão cedo — do planejamento tributário à operação, marketing e finanças — e investir em tecnologia. Com 76,4% das novas empresas nascendo como MEI no início de 2026, o ecossistema brasileiro mostra maturidade e um caminho claro: quem formaliza e se organiza chega mais longe, mais rápido e com menos risco.

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Durigan diz que ‘gargalo’ da economia são os juros altos: ‘quem é menos culpado é o Ministério da Fazenda’

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Resumo

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta semana que os juros elevados são o principal “gargalo” da economia brasileira, por travarem investimentos privados e pressionarem a dívida pública. Com a Selic a 14,25% ao ano — a mais alta do mundo em termos reais entre 40 países, segundo ranking da MoneYou —, Durigan defendeu “harmonizar” a política fiscal com a monetária e prometeu ajuste das contas por meio de corte de gastos e revisão de benefícios fiscais. Ele rejeitou que medidas do governo, como expansão de crédito subsidiado, tenham impedido cortes mais agressivos de juros pelo Banco Central (BC).

Juros altos, dívida cara e investimento em compasso de espera

  • A dívida pública bruta atingiu 81,4% do PIB, de acordo com dados recentes, em um contexto de déficit de R$ 56,1 bilhões nas contas do governo central em maio. Como grande parte do endividamento é corrigida pela taxa básica de juros, cada ponto percentual a mais encarece o serviço da dívida, reduzindo o espaço orçamentário para investimentos e políticas públicas.
  • A Selic está em 14,25% ao ano após decisão do Copom em junho. Em termos reais (descontada a inflação projetada para 12 meses), o Brasil lidera o ranking de juros entre 40 nações, segundo a MoneYou, o que desestimula o crédito e alonga a recuperação do investimento privado.

O que diz o governo e o Banco Central

  • Durigan sustenta que o problema central hoje são os juros, e que o Ministério da Fazenda “é quem menos tem culpa” por esse quadro. Para ele, é preciso “harmonizar” a estratégia de receitas e despesas com a condução da política monetária.
  • O Banco Central, por sua vez, ressalta que a Selic é uma taxa de curto prazo e que sua atuação é reativa às condições da economia e às expectativas de inflação. Em 2023, o então presidente do BC, Roberto Campos Neto, afirmou que os juros no Brasil são altos porque a dívida é alta — e não o contrário —, relacionando o nível de endividamento ao custo do dinheiro.

Mercado vê descompasso fiscal-monetário

  • Economistas apontam que ainda falta a harmonização entre a política de gastos e a definição de juros. O diagnóstico recorrente é de “remadores em direções opostas”: estímulos e expansão de despesas de um lado, e aperto monetário de outro, o que dificulta domar a inflação e, por consequência, reduz o espaço para cortes de juros.
  • O mercado financeiro é crítico à combinação de aumento de impostos com avanço de gastos. Analistas pedem ênfase maior em redução de despesas e revisão de renúncias para que a queda dos juros seja sustentável e a dívida pare de subir.

Crédito subsidiado no ano eleitoral

  • Questionado se linhas de crédito com taxas favorecidas — como para caminhões, ônibus, reforma de imóveis, táxis e o Desenrola 2.0 — em ano eleitoral travaram uma redução mais acelerada da Selic, Durigan negou. Para ele, essas iniciativas não impediram cortes adicionais.
  • Entre analistas, persiste a avaliação de que políticas de crédito direcionado aumentam a demanda agregada e podem pressionar a política monetária, sobretudo quando as expectativas fiscais estão sob escrutínio.

Ajuste fiscal: como o governo pretende agir

  • Durigan afirmou que o governo implementará, nos próximos anos, o ajuste necessário para levar as contas “de volta ao azul”, com contenção de gastos e redução de benefícios fiscais. Ele defendeu tributar mais os mais ricos, revisar programas sociais e cortar subsídios.
  • Sobre a desindexação do salário mínimo em benefícios previdenciários e a desvinculação de gastos obrigatórios em saúde e educação da variação da receita — propostas citadas por analistas —, disse que é um debate para o próximo governo.
  • O ministro classificou o arcabouço fiscal aprovado em 2023 como “viável e sustentável”, apesar da compressão prevista dos gastos livres, ponto que suscita receio no mercado sobre risco de paralisia da máquina pública se não houver recomposição estrutural.

Análise Revista Oi

  • O diagnóstico de que os juros altos são um gargalo é preciso no curto prazo: eles encarecem a dívida e inibem investimento. Mas a trajetória dos juros depende diretamente da credibilidade fiscal. Sem uma âncora clara — com redução efetiva de despesas obrigatórias e de renúncias, e não apenas aumento de arrecadação —, o BC tende a ser mais cauteloso.
  • A promessa de ajuste com corte de gastos, revisão de benefícios fiscais e foco nos mais ricos aponta na direção esperada pelo mercado. O desafio é de execução: calibrar estímulos (como crédito subsidiado) para não conflitar com a política monetária e cumprir o arcabouço sem asfixiar despesas discricionárias essenciais.
  • Se o governo avançar em medidas estruturais que estabilizem a dívida em patamar mais baixo, cria-se espaço para a queda consistente dos juros reais. Sem isso, a inércia fiscal mantém a Selic pressionada e a dívida acima de 80% do PIB tende a alimentar um ciclo de alta de prêmios e crescimento fraco.

O que observar

  • A implementação concreta do ajuste (cortes de gastos e revisão de renúncias).
  • A dinâmica da dívida/PIB e o resultado primário nos próximos trimestres.
  • As próximas decisões do Copom e a evolução das expectativas de inflação.
  • O balanço entre novos estímulos de crédito e o compromisso com o arcabouço fiscal.

Fontes

Declarações do ministro da Fazenda Dario Durigan nesta semana; dados recentes sobre déficit e dívida (G1); decisões do Copom e Selic (G1); ranking de juros reais da MoneYou; avaliações de economistas e do Banco Central sobre o descompasso entre política fiscal e monetária (G1) e declarações de Roberto Campos Neto em 2023.

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Petróleo: saiba como a crise no Estreito de Ormuz beneficia os negócios do Brasil

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Brasil aparece como porto seguro para o óleo do Golfo em meio à incerteza

A escalada das tensões no Estreito de Ormuz — por onde transita cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo — inaugurou uma fase de incerteza no mercado global e abriu uma janela de oportunidade para o Brasil. Com produção offshore no Atlântico, fora das rotas ameaçadas do Oriente Médio, o país se firmou como alternativa confiável de fornecimento. Nono maior produtor mundial, responde por aproximadamente 4% da oferta global e produz em torno de 4 milhões de barris por dia, patamar comparável ao dos Emirados Árabes Unidos. Esse reposicionamento já repercute no comércio exterior: a China redirecionou maciçamente suas compras, elevando sua fatia nas exportações brasileiras de petróleo bruto de cerca de 40% para quase 70%, enquanto produtores tentam capitalizar um prêmio de risco mais alto no Golfo.

Uma rota fora das tensões do Golfo

  • O estreitamento da oferta via Ormuz aumentou prêmios de frete, seguros e risco geopolítico associados a cargas originadas no Golfo Pérsico. Nesse contexto, o óleo brasileiro, majoritariamente extraído em águas ultraprofundas da Bacia de Santos e adjacências, ganhou competitividade relativa por oferecer estabilidade logística.
  • A geografia conta a favor: o embarque no Atlântico Sul evita gargalos em pontos de estrangulamento do comércio marítimo. Para tradings e refinarias, isso se traduz em menor risco operacional e previsibilidade de entrega.

China puxa a demanda por óleo brasileiro

  • Em meio à guerra no Irã e às ameaças recorrentes ao Estreito, Pequim ampliou de forma acelerada as compras do Brasil. “A China representava cerca de 40% das exportações brasileiras de petróleo bruto antes da crise no Estreito. Agora, está se aproximando de 70%”, afirma o especialista Adel El Gammal.
  • O movimento foi facilitado por relações já existentes. As estatais chinesas CNPC e CNOOC participam de projetos no país e aprofundaram vínculos com a Petrobras e parceiros privados, encurtando o ciclo entre oferta e demanda.

Pré-sal e margem equatorial: vantagens e apostas

  • A força estrutural do Brasil está nas reservas do pré-sal, entre as mais promissoras do mundo nas últimas duas décadas. Extraído em águas ultraprofundas, o óleo é competitivo por sua qualidade e produtividade dos poços, atributos valorizados em um mercado que busca petróleo de refino relativamente mais simples.
  • Ao mesmo tempo, o governo sinalizou apoio à abertura de uma nova fronteira: a margem equatorial — faixa geológica que vai da costa amazônica brasileira até a Guiana. “É um novo Eldorado. Toda essa área é rica em petróleo”, avalia Samuele Furfari, professor de Geopolítica da Energia na Universidade Livre de Bruxelas. A aposta mira diversificação de portfólio e ampliação de volumes à medida que a demanda global se realinha.

Os gargalos: refino curto e baixa elasticidade no curto prazo

  • O avanço da produção esbarra em limitações conhecidas. “O aumento da capacidade produtiva deve ser acompanhado do aumento da capacidade de refino. E, no Brasil, essa é uma de suas limitações; está longe de ser suficiente”, observa Adel El Gammal. O país exporta grande parcela do óleo cru e importa derivados de maior valor agregado, o que reduz o ganho interno na cadeia.
  • Há ainda a baixa elasticidade da oferta no curto prazo. A indústria opera em horizontes longos: ampliar produção relevante demanda investimentos bilionários e projetos que levam anos. “O que decidimos hoje terá efeitos daqui a dez anos”, resume Furfari. Em outras palavras, o bônus de preço presente não se converte automaticamente em mais barris amanhã sem planejamento, licenciamento e logística.

Política, transição energética e a equação Lula-Petrobras

  • O governo Lula tenta equilibrar a ambição climática com a realidade de um Estado produtor. A Petrobras segue expandindo no offshore e Brasília autorizou a retomada da perfuração no campo de Urucu, no Amazonas, após mais de uma década de paralisação — sinal de que, apesar do discurso de transição, a política energética incorporará o petróleo como alavanca fiscal e industrial no médio prazo.
  • Há também os limites da política doméstica: em um sistema federativo e fragmentado, o Planalto negocia com entes regionais, oposição e interesses econômicos consolidados, o que restringe a velocidade de mudanças estruturais.

Um mercado mais disperso — e mais competitivo

  • Analistas apontam uma reconfiguração do tabuleiro energético. “Não é mais um mercado hegemônico, onde uma minoria dita as regras; é um mercado disperso, onde cada produtor encontra seu lugar”, diz Furfari. A saída dos Emirados Árabes Unidos da Opep, em abril, é lida como símbolo dessa inflexão e do enfraquecimento da coordenação clássica de oferta.
  • A boa maré para o Brasil, porém, tem contrapesos. A concorrência avança: Guiana, Angola, Moçambique, Azerbaijão e Canadá buscam ampliar presença. Com novos atores, o prêmio de escassez que hoje favorece o óleo brasileiro tende a se diluir. E o petróleo segue um mercado cíclico, altamente sensível a choques geopolíticos — de Ormuz ao Atlântico.

Opinião: janela tática exige execução estratégica

  • Na avaliação da Revista Oi, o Brasil vive uma rara conjunção de preço, demanda e geopolítica. Mas capturar valor sustentável requer:
    1. Destravar investimentos em refino e dutos para reduzir a dependência de importação de derivados;
    2. Acelerar, com rigor ambiental e previsibilidade regulatória, a exploração na margem equatorial;
    3. Ampliar a infraestrutura portuária e de escoamento do pré-sal;
    4. Articular a política industrial para transformar parte do boom de exportações em encadeamentos produtivos no país.
  • Se fizer isso, o país consolida sua posição como fornecedor confiável em um mercado mais fragmentado — e converte a volatilidade de Ormuz em ganhos permanentes de competitividade. Se não, corre o risco de ver os benefícios se dissiparem quando a maré geopolítica mudar.

Encerramento

A crise no Estreito de Ormuz reposicionou o Brasil no radar dos grandes consumidores. Com 4 milhões de barris por dia, reservas robustas no pré-sal e novas fronteiras no horizonte, o país tem lastro para crescer. O desafio é transformar a vantagem circunstancial em política de Estado — ampliando refino, infraestrutura e governança — antes que a concorrência e o ciclo do petróleo virem a página.

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Rondônia Rural Show movimentou R$ 4,5 bilhões em negócios em 2026

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Balanço mantém feira em patamar bilionário, apesar de recuo ante o recorde de 2025; público foi de 410 mil pessoas e governo investiu R$ 26 milhões na estrutura

Ji-Paraná (RO) — A 13ª edição da Rondônia Rural Show Internacional movimentou R$ 4,5 bilhões em negócios entre 25 e 30 de maio, segundo balanço do Governo de Rondônia. O montante, embora expressivo, ficou abaixo do recorde de R$ 5,1 bilhões registrado em 2025. Ao longo dos seis dias de programação, cerca de 410 mil pessoas passaram pelo Centro Tecnológico Vandeci Rack, público ligeiramente inferior aos 430 mil visitantes do ano passado.

Estrutura e público

Para receber produtores rurais, empreendedores e visitantes de diversas regiões do estado, o governo estadual investiu mais de R$ 26 milhões na infraestrutura do evento em Ji-Paraná. A organização manteve a feira em grande escala, com fluxo robusto de público e operações distribuídas no parque do Centro Tecnológico Vandeci Rack. Mesmo com a queda de aproximadamente 20 mil visitantes em relação a 2025, a edição 2026 confirmou o apelo do evento e sua capacidade de atrair negócios bilionários.

Programação e foco da edição

Com o tema “Exportação e Desenvolvimento”, a Rondônia Rural Show deste ano reuniu produtores, pesquisadores e representantes da comunidade em painéis, fóruns, seminários, mesas-redondas, oficinas técnicas e exposições voltadas ao agronegócio. A agenda priorizou debates sobre estratégias de crescimento para o setor agropecuário em Rondônia, com ênfase na inserção em mercados externos e na qualificação produtiva. A programação detalhada incluiu atividades técnicas e de difusão de conhecimento, alinhadas ao objetivo de fortalecer a competitividade do campo no estado.

Desempenho e comparação

  • Negócios: R$ 4,5 bilhões em 2026, ante R$ 5,1 bilhões em 2025.
  • Público: 410 mil pessoas em 2026, abaixo dos 430 mil do ano anterior.
  • Investimento público: mais de R$ 26 milhões na estrutura da edição realizada em Ji-Paraná.

Análise

Os números confirmam a Rondônia Rural Show como um dos principais termômetros do agronegócio rondoniense. Embora abaixo do pico de 2025, o resultado financeiro de 2026 manteve a feira em patamar bilionário, o que, na prática, sinaliza resiliência do ambiente de negócios. A ligeira queda de público não comprometeu a relevância do evento, que segue capaz de mobilizar grande volume de visitantes e fomentar negociações. Na avaliação da Revista Oi, o investimento público na estrutura — superior a R$ 26 milhões — se alinha ao objetivo declarado do governo de ancorar a feira como plataforma de geração de negócios e de difusão tecnológica. O foco desta edição em “Exportação e Desenvolvimento” aponta para uma agenda de médio prazo voltada à internacionalização e à agregação de valor, crucial para sustentar competitividade e ampliar mercados ao setor agropecuário local.

Encerramento

A 13ª Rondônia Rural Show encerrou a edição 2026 reforçando seu papel na economia do estado: integrar produtores, empreendedores e pesquisadores em torno de conteúdo técnico e oportunidades comerciais. Com balanço robusto e diretrizes voltadas à expansão externa, a feira tende a seguir como referência do calendário do agronegócio em Rondônia, orientando as pautas do setor ao longo do ano.

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