Política
Explosão de negócios da família Trump abre caminho para presidentes dos EUA lucrarem com o cargo
Revista Oi
A rápida expansão dos negócios da família Trump, com foco em projetos no exterior e em criptoativos durante o segundo mandato, reacendeu um debate central na política americana: onde termina o interesse público e começa o interesse privado de um presidente em exercício. Enquanto acordos internacionais, investimentos em setores sensíveis e receitas bilionárias com moedas digitais elevaram substancialmente a fortuna do clã, especialistas em ética alertam para conflitos de interesse “sem precedentes” e seu impacto sobre a democracia dos Estados Unidos.
Expansão internacional e cripto: uma virada de chave
Segundo reportagens e registros citados por veículos como The New York Times, Wall Street Journal e Associated Press (AP), a Trump Organization — sob comando de Eric Trump e Donald Trump Jr. — acelerou a internacionalização de seus negócios após um primeiro mandato em que evitou fechar novos acordos fora dos EUA. Em pouco mais de um ano no segundo mandato, já foram anunciados oito empreendimentos no exterior. Paralelamente, a família ingressou com força no ecossistema de criptoativos, criando novas fontes de receita por meio de plataformas, tokens e moedas “meme”.
A entrada nas criptomoedas elevou receitas a patamares bilionários. A World Liberty, empresa ligada à família, vendeu “tokens de governança” que concedem direito a voto em decisões da plataforma sem transferir controle societário; apenas no ano passado, esses tokens arrecadaram US$ 2 bilhões. Entre os compradores está o empresário Justin Sun, que, por ser estrangeiro, não pode doar a políticos nos EUA — ele gastou US$ 75 milhões nos tokens entre a eleição e a posse, e mais tarde adquiriu US$ 200 milhões em moedas “meme” com a imagem de Trump, o que lhe garantiu acesso a eventos exclusivos.
Negócios com potenciais impactos de política externa
Os novos acordos levantam questionamentos sobre eventuais benefícios concedidos a parceiros estratégicos. No Catar, um clube de golfe e casas de luxo com a marca Trump estão sendo erguidos com participação de uma empresa estatal. No Vietnã, o governo desapropriou terras de agricultores para viabilizar um resort, em um acordo aprovado em cerimônia oficial com a presença do vice-primeiro-ministro, segundo o NYT. E na Arábia Saudita, um empreendimento chamado “Trump Plaza” à beira do Mar Vermelho é tocado por uma companhia próxima à família real. Em janeiro, a Trump Organization anunciou um terceiro acerto no país em menos de um ano — mansões, hotel e campo de golfe próximos a Riad — em colaboração com empresa pertencente ao fundo soberano saudita.
Não há comprovação direta de que esses negócios tenham alterado decisões de Washington em favor desses países. Ainda assim, os resultados práticos chamam atenção: o Catar obteve acesso a tecnologia americana, o Vietnã conquistou redução de tarifas e a Arábia Saudita recebeu aviões de combate — enquanto a Trump Organization arrecadou dezenas de milhões de dólares em taxas. A empresa sustenta que não faz negócios com governos estrangeiros, descrevendo a operação no Catar como “colaboração” e afirmando que a parceira saudita é privada; não comentou casos específicos que envolvem fundos soberanos.
Cripto: vendas bilionárias, chips e um perdão presidencial
Outro ponto sensível surgiu com a World Liberty Financial. Pouco antes da posse, quase metade da empresa foi vendida por US$ 500 milhões a uma companhia controlada por integrante da família real dos Emirados Árabes Unidos. Outro fundo estatal dos Emirados investiu US$ 2 bilhões na Binance usando uma moeda digital criada pela World Liberty. Com isso, a empresa vinculada à família Trump aplicou os recursos em ativos considerados seguros e obteve dezenas de milhões de dólares em juros.
Na sequência, o governo Trump revogou uma regra do governo Biden e permitiu a venda de chips avançados aos Emirados. Mais tarde, Changpeng Zhao, fundador da Binance que havia se declarado culpado por falhas de compliance na plataforma, recebeu perdão presidencial. O advogado de Zhao negou qualquer relação entre os negócios e o perdão. A Casa Branca disse que Zhao foi punido injustamente em meio ao que classificou como “guerra da administração Biden contra as criptomoedas”. A World Liberty também negou conflito de interesse, afirmando que o acordo com os Emirados não teve ligação com a decisão sobre chips.
A monetização da imagem: moedas “meme”, clubes e produtos
A estratégia comercial avança ainda pela venda direta ao público. Moedas “meme” com o rosto de Trump arrecadaram US$ 320 milhões em quatro meses, segundo a Chainalysis, superando em mais que o dobro a receita de quatro anos do antigo hotel Trump International, em Washington, D.C., no primeiro mandato. Compradores dessas moedas podem permanecer anônimos, diferentemente de doações eleitorais, o que cria novas rotas de influência sem transparência tradicional.
No mercado físico, Donald Trump Jr. lançou um clube privado em Georgetown, Washington, batizado “Executive Branch”, com cotas de até US$ 500 mil para membros fundadores. O apelo ali é a proximidade com o centro do poder. Paralelamente, o presidente tem promovido itens como Bíblias “God Bless the USA” (US$ 59,99), tênis “Never Surrender” (US$ 399) e guitarras autografadas que chegam a US$ 11.500.
Investimentos em setores sensíveis e busca por contratos públicos
Eric e Donald Jr. também investiram em empresas que disputam contratos com o governo federal — entre elas, uma fabricante de drones armados que busca vender ao Pentágono e a aliados dos EUA no Golfo, além de uma produtora de motores de foguetes, uma fornecedora de chips de inteligência artificial e uma empresa de análise de dados. Registros oficiais citados por veículos de imprensa mostram que esses negócios já movimentam dezenas de milhões de dólares em recursos públicos. Questionado após o acordo dos drones, Eric Trump respondeu: “Tenho um orgulho enorme de investir em empresas nas quais acredito.” Um representante de Donald Jr. afirmou que ele não “interage” com o governo sobre essas empresas e que esperar que ele deixe de prover a própria família é “um padrão risível e ridículo”.
Mercado, risco e volatilidade
A família também surfou a alta de ativos digitais. A American Bitcoin abriu capital em setembro, o que avaliou a fatia de Donald Jr. e Eric em cerca de US$ 1 bilhão na época — meses depois de o presidente anunciar a criação de uma reserva nacional de bitcoin, medida que impulsionou a cotação. A volatilidade do setor, porém, cobrou seu preço: tanto as ações da American Bitcoin quanto o valor das moedas “meme” teriam caído cerca de 90% desde o pico. Mesmo assim, anúncios de novos eventos exclusivos com grandes detentores das moedas chegaram a provocar repiques temporários.
Defesas, reações e a opinião pública
Questionada, a Casa Branca afirma que Trump age “de maneira ética” e que críticas são “mal informadas ou maliciosas”. A porta-voz Anna Kelly diz que os ativos do presidente estão sob administração dos filhos e que ele “não tem envolvimento” nos negócios da família. A Trump Organization declara cumprir “integralmente as leis de ética e de conflitos de interesse” e rejeita a “insinuação” de que a política enriqueceu a família.
Ainda assim, a percepção pública parece estar em mutação. Em pesquisa do Pew Research Center de janeiro, 42% dos eleitores republicanos disseram confiar que Trump age eticamente, abaixo dos 55% do início do segundo mandato. Em fala ao The New York Times, o presidente sugeriu que “ninguém se importava” com conflitos de interesse, citando a exceção legal que isenta o chefe do Executivo de restrições aplicáveis a outros funcionários.
Contexto histórico e a cláusula dos emolumentos
Historicamente, presidentes buscaram evitar a aparência de ganho privado associado ao cargo. Harry Truman não permitiu o uso comercial de seu nome nem após deixar a Casa Branca; Richard Nixon chegou a mandar instalar escutas no telefone do irmão por temer favorecimentos; George W. Bush se desfez de todas as ações antes de tomar posse. Outros casos cercaram famílias presidenciais: Hunter Biden integrou o conselho de uma empresa ucraniana enquanto Joe Biden era vice; a Fundação Clinton recebeu doações estrangeiras após o término do mandato de Bill Clinton; o irmão de Jimmy Carter explorou o sobrenome para vender cerveja. Nenhum desses exemplos, porém, envolveu um presidente em exercício liderando uma expansão internacional e digital de negócios privados nessa escala.
No pano de fundo jurídico, a Foreign Emoluments Clause da Constituição dos EUA proíbe que ocupantes de cargos federais aceitem presentes, vantagens ou títulos de governos estrangeiros sem consentimento do Congresso. A aplicação ao presidente e o alcance prático desse dispositivo seguem objeto de debate acadêmico e tiveram pouca análise judicial substantiva. Ainda assim, o princípio nela contido — blindar o poder público de influências externas — está no centro das preocupações descritas por historiadores como Julian Zelizer (Princeton), que vê “nenhuma linha” separando decisões políticas e interesses da família Trump, e Timothy Naftali (Columbia), para quem “quaisquer restrições do primeiro mandato parecem ter desaparecido”.
Dinheiro conta — e muda o jogo
A Forbes estima a fortuna de Donald Trump em US$ 6,3 bilhões — 60% a mais do que antes de ele retornar à Presidência —, um salto notável após anos de dificuldades em alguns ativos tradicionais da marca. O hotel Trump International em Washington nunca foi lucrativo antes de ser vendido em 2022; redes voltadas à classe média fecharam no primeiro mandato; e prédios residenciais retiraram o nome “Trump” das fachadas para não afastar compradores. Hoje, em Washington e em setores diretamente expostos a decisões governamentais, a marca recupera valor.
Opinião
Com base nos fatos e relatos apresentados por veículos de referência, a linha que separa o público do privado na Presidência parece ter se tornado mais tênue. A combinação de negócios externos com participação de entes estatais, receitas não transparentes via cripto e investimentos da família em empresas que buscam contratos com o próprio governo configura, no mínimo, um cenário de riscos éticos reais. Mesmo quando não há prova de contrapartida direta, a aparência de conflito já é corrosiva — sobretudo quando envolvida em decisões sensíveis de política externa e tecnológica. O precedente que se desenha, se não for enfrentado por regras mais claras e fiscalização mais firme, tende a institucionalizar um modelo em que o cargo máximo do país pode se tornar uma alavanca de monetização privada. Isso não é apenas um debate moral: é um teste de estresse para a confiança pública em instituições democráticas.
O que observar a seguir
- Transparência: divulgação de contratos, investidores e estruturas societárias dos novos empreendimentos.
- Supervisão: posição do Congresso sobre salvaguardas e aplicação de normas de ética, inclusive quanto a negócios com entes estatais estrangeiros.
- Mercado: a resiliência — ou não — das fontes de receita em cripto diante da volatilidade e de maior escrutínio regulatório.
- Política externa: sinais de alinhamento entre decisões estratégicas dos EUA e interesses comerciais privados de parceiros estrangeiros ligados aos negócios da família.
Em um país cuja Constituição buscou, desde a origem, blindar o poder político de influências econômicas externas, o momento exige luz forte sobre o que é negócio e o que é governo — e, sobretudo, onde nenhum dos dois deveria se encontrar.
Política
Tebet sobre Flávio Bolsonaro: ‘Presidenciável íntimo de banqueiro envolvido no maior escândalo de corrupção do Brasil’
Revista Oi
Limeira (SP) — A ex-ministra do Planejamento Simone Tebet (PSB) afirmou nesta sexta-feira (15) que a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República em 2026 se tornou “insustentável” após a divulgação de mensagens e de um áudio em que o senador pede dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro. Em sua fala, Tebet classificou o senador como “presidenciável íntimo de banqueiro envolvido no maior escândalo de corrupção do Brasil”. A declaração foi dada durante o 3º Fórum Mulheres na Política, em Limeira, interior de São Paulo.
Revelações que acirraram a crise
- As informações vieram a público na quarta-feira (13), em reportagens do Intercept Brasil, que teve acesso a mensagens trocadas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, além de um áudio enviado pelo senador ao banqueiro em setembro de 2025, pressionando pagamentos para a cinebiografia “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O g1 compilou e detalhou os conteúdos no dia seguinte.
- Nas trocas, Flávio trata Vorcaro como “irmão” e faz pedidos de recursos vinculados à produção do filme. Uma das mensagens destacadas traz a frase “Topa jantar com o Jim Caviezel?”, referência ao ator norte-americano.
Quem é Daniel Vorcaro e por que o caso pesa
- Daniel Vorcaro é empresário do setor financeiro e foi o principal controlador do Banco Master. Em 2025, o banco entrou em liquidação extrajudicial determinada pelo Banco Central e o banqueiro foi preso em novembro daquele ano no contexto de investigações da Polícia Federal sobre supostas fraudes financeiras de grande escala. O caso é descrito por autoridades e documentos oficiais como um dos maiores escândalos bancários recentes do país.
- A conexão política com uma figura no epicentro de um escândalo financeiro amplia o custo reputacional para qualquer pré-candidatura nacional, sobretudo em um ambiente eleitoral sensível a temas de integridade e financiamento político.
O que disse Flávio Bolsonaro
- Em agenda no Rio de Janeiro, nesta sexta-feira (15), Flávio Bolsonaro comentou as revelações e afirmou que “não tem motivo para se justificar com ninguém”, sem apresentar detalhamento adicional sobre a natureza dos pedidos ou o enquadramento financeiro das negociações para o filme.
- Até o momento, não há decisão judicial sobre eventual ilicitude nos pedidos de recursos para a produção audiovisual. Em tese, aportes privados para obras culturais não configuram irregularidade por si só; o problema surge se houver vínculo com financiamento eleitoral fora das regras, hipótese que, caso ocorresse, poderia atrair questionamentos do Ministério Público Eleitoral e da Justiça Eleitoral.
O contexto e o impacto político
- A fala de Tebet, uma das principais lideranças do campo de centro reformista e ex-ministra do Planejamento, confere lastro político à leitura de que o episódio fragiliza a viabilidade eleitoral de Flávio Bolsonaro em 2026. Além de mobilizar o debate sobre ética pública, a associação direta com um banqueiro investigado num escândalo bilionário tende a acionar anticorpos no eleitorado moderado e a municiar adversários.
- Minha avaliação, com base nas informações disponíveis e em precedentes eleitorais, é que o dano imediato é sobretudo de imagem: o conteúdo das mensagens expõe proximidade e tratativas financeiras sensíveis, o que, em ano pré-eleitoral, contamina narrativas e afeta alianças. O desfecho jurídico dependerá do avanço das investigações sobre o Banco Master e de eventual verificação de trânsito de recursos com finalidade político-eleitoral fora dos marcos legais.
O que vem a seguir
- As investigações sobre o caso Banco Master seguem sob responsabilidade das autoridades competentes. No campo político, a pré-campanha de 2026 entra em fase de testes de resiliência: caberá ao entorno de Flávio Bolsonaro apresentar explicações consistentes e separar, se for o caso, apoios culturais de eventuais vínculos eleitorais.
- A Revista Oi seguirá acompanhando os desdobramentos das apurações e os impactos no tabuleiro eleitoral de 2026.
Fontes citadas
- Intercept Brasil (13/5/2026)
- g1 (14 e 15/5/2026)
- Registros públicos sobre a liquidação extrajudicial do Banco Master e a prisão de Daniel Vorcaro em 2025
Política
Lula defende proibição de IA nas eleições e diz que ‘não aceita’ uso na sua campanha política
Em evento do Minha Casa Minha Vida em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador (BA), nesta quinta-feira (14), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu as restrições impostas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ao uso de inteligência artificial (IA) nas eleições deste ano e afirmou que não aceitará o uso desse tipo de ferramenta em sua campanha. A fala ocorreu dois dias após a posse do ministro Kassio Nunes Marques na presidência do TSE, quando, segundo Lula, ele tomou conhecimento das novas regras.
O que disse Lula
Durante o discurso de entrega de moradias, Lula classificou o uso de IA nas eleições como “uma mentira”. “Na eleição, as pessoas têm que votar em uma coisa, verdadeira de carne e osso. As pessoas não podem votar em uma mentira”, afirmou. O presidente citou exemplos de manipulações digitais e a possibilidade de criar imagens para sugerir presença simultânea em comícios: “Eu estou lá, e não estou”. E concluiu: “Um cidadão que aprendeu a ter caráter com a Dona Lindu [mãe de Lula], não aceitará IA para fazer campanha política”.
O que diz a regra do TSE
A resolução aprovada pelo TSE em março estabelece um cerco ao uso de IA no período imediatamente anterior e posterior ao pleito:
- Fica proibida a publicação e a republicação — orgânica ou por impulsionamento pago — de novos conteúdos sintéticos produzidos ou alterados por IA nas 72 horas que antecedem a votação e nas 24 horas seguintes ao dia da eleição.
- Em caso de descumprimento, as plataformas devem remover o conteúdo de forma imediata; a Justiça Eleitoral pode determinar a retirada e, em casos extremos, a indisponibilidade do serviço.
- Empresas de inteligência artificial não poderão ranquear, recomendar, sugerir ou priorizar candidatos, partidos, federações, coligações ou campanhas eleitorais.
Contexto e alcance
O objetivo declarado da Corte é reduzir a disseminação de conteúdos falsos e manipulações digitais no período mais sensível do processo eleitoral. A fala de Lula, ao associar o uso de IA a “mentira” e “manipulação”, alinha-se ao esforço de conter o impacto de conteúdos sintéticos — como imagens e vídeos adulterados — que podem confundir o eleitorado às vésperas da votação.
Análise Revista Oi
A posição do presidente funciona como um sinal político para a própria campanha e para o ambiente de disputa: ao rejeitar o recurso a conteúdos gerados por IA, Lula tenta se diferenciar em um momento em que a Justiça Eleitoral endurece o controle sobre materiais “sintéticos”. É um gesto que reforça a narrativa de combate à desinformação e, ao mesmo tempo, pressiona adversários a se comprometerem publicamente com padrões semelhantes. A eficácia da medida, contudo, dependerá da agilidade de plataformas e da atuação coordenada da Justiça Eleitoral para identificar e remover conteúdos proibidos dentro da janela de 72 horas antes e 24 horas depois do pleito — exatamente como prevê a própria resolução.
Próximos passos
As regras valem para as eleições de 2026 e já orientam partidos, candidaturas e plataformas digitais sobre limites e responsabilidades. Campanhas terão de ajustar estratégias de comunicação para o período crítico, e empresas de tecnologia deverão adaptar sistemas para cumprir as vedações de ranqueamento e recomendação de conteúdos eleitorais ligados a IA. Em caso de infração, a remoção célere — e, se necessário, a desativação temporária de serviços — será o caminho indicado pela norma do TSE.
Política
Relação entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro repercute na imprensa internacional
Em 13 de maio de 2026, veio a público que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. As informações foram publicadas pelo Intercept Brasil, com base em mensagens e um áudio atribuídos ao parlamentar. Desde então, o caso ganhou eco na imprensa internacional, com reportagens do Clarín, Reuters, Associated Press e Bloomberg, e provocou reação no mercado financeiro brasileiro.
O que dizem as mensagens e os valores em jogo
Segundo o Intercept Brasil, Daniel Vorcaro teria desembolsado R$ 61 milhões entre fevereiro e maio de 2025 para a produção do longa “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro. Ainda de acordo com a reportagem, o montante foi transferido para um fundo nos Estados Unidos ligado a um aliado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro. A TV Globo afirma ter confirmado com investigadores e fontes com acesso ao material tanto o conteúdo das mensagens quanto a existência do áudio.
A resposta de Flávio Bolsonaro
Em vídeo, o senador confirmou ter solicitado recursos a Vorcaro, negou qualquer irregularidade e disse não manter “relações espúrias” com o banqueiro. Ele também defendeu a criação de uma CPI do Banco Master. A Associated Press destacou uma contradição: horas antes de as mensagens virem a público, Flávio havia dito a jornalistas em Brasília que não tinha ligação com Vorcaro.
Repercussão internacional
- Clarín: o jornal argentino noticiou que Flávio negociou com um banqueiro em prisão preventiva e apontou que o Banco Master teria se comprometido com um aporte de US$ 24 milhões para o filme. A publicação ressaltou o impacto político após a divulgação das conversas.
- Reuters: a agência informou que as revelações tiveram efeito imediato nos mercados e podem interferir na disputa presidencial. A cobertura lembrou os desdobramentos do caso Banco Master e a decisão do Banco Central de liquidar a instituição em meio a investigações sobre carteiras de empréstimos fraudulentas.
- Associated Press: além de registrar a negativa de irregularidades por parte de Flávio, a AP evidenciou a mudança de discurso do senador no dia da publicação das mensagens.
- Bloomberg: a agência destacou o impacto direto nos ativos brasileiros e a preocupação de investidores com potenciais efeitos políticos.
Impacto no mercado
A percepção de risco aumentou após a divulgação do caso. Segundo a Bloomberg, o Ibovespa encerrou o dia em queda de 1,8%, enquanto o real recuou 2,4% frente ao dólar, refletindo a cautela de investidores diante do entrelaçamento entre política, investigações financeiras e ano eleitoral.
Banco Master: o pano de fundo
O nome de Daniel Vorcaro está ligado ao Banco Master, instituição que passou por liquidação extrajudicial determinada pelo Banco Central em 2025, no contexto de investigações sobre fraudes em carteiras de crédito. O caso projetou Vorcaro para o centro de um dos maiores escândalos financeiros recentes e segue em apuração pelas autoridades. Esse histórico amplifica a repercussão das mensagens envolvendo o financiamento do filme, sobretudo por envolver recursos vultosos e estruturas no exterior.
O que está em jogo
O episódio adiciona pressão sobre o senador e o entorno político de Jair Bolsonaro, ao cruzar três frentes sensíveis: captação privada para uma obra com potencial eleitoral, a participação de um banqueiro investigado e o uso de um fundo nos Estados Unidos associado a um aliado de Eduardo Bolsonaro. A confirmação de trechos das mensagens por veículos nacionais e a cobertura internacional aumentam o escrutínio sobre governança e conformidade nessas operações.
Análise da Revista Oi
À luz dos dados disponíveis, o caso reúne elementos que justificam a reação do mercado e a atenção da imprensa estrangeira: valores elevados, conexão com um banco liquidado por decisão do regulador e contradições no discurso público do senador. A confirmação do pedido de recursos por Flávio Bolsonaro, mesmo com a negativa de irregularidades, coloca o tema no campo de compliance e transparência — especialmente pelo trânsito do dinheiro em um fundo no exterior. A CPI do Banco Master, defendida pelo próprio senador, pode ser um palco para esclarecer a origem e o destino dos recursos, além das eventuais interfaces entre interesses políticos e financeiros. No curto prazo, a manutenção de ruído e novas revelações tende a alimentar volatilidade e a disputa narrativa no ciclo eleitoral.
Próximos passos
- Avanço de investigações sobre o Banco Master e seus desdobramentos judiciais.
- Possível abertura de CPI no Congresso e convocações de envolvidos.
- Esclarecimento sobre a cadeia de financiamento do filme “Dark Horse”, incluindo o papel do fundo nos EUA.
- Monitoramento da reação do mercado conforme novas informações sejam divulgadas.
Nota do editor
Esta reportagem se baseia nas informações publicadas pelo Intercept Brasil e na verificação de veículos nacionais e internacionais citados, além de contexto regulatório relativo ao Banco Central e ao caso Banco Master. Novos desdobramentos serão acompanhados pela Revista Oi.
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