Política
Nunes diz que dona de ONG investigada é ‘trabalhadora e decente’ e fala em perseguição política por filme sobre Bolsonaro
São Paulo — O prefeito Ricardo Nunes (MDB) saiu em defesa da empresária Karina Ferreira da Gama, responsável pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB), alvo de operação da Polícia Civil que apura suspeitas de fraude e desvio de recursos públicos em um contrato para instalação de redes de wi-fi em comunidades da capital. Em entrevista nesta segunda-feira (1º), Nunes classificou Karina como “trabalhadora” e “decente” e sugeriu que a investigação possa ter motivação política devido à participação dela na produção do filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A gestão municipal afirma não ter identificado irregularidades no contrato; já a Polícia Civil e o Ministério Público investigam indícios de sobrepreço, pagamentos antecipados sem contraprestação e inconsistências em notas.
O que disse o prefeito
- Nunes afirmou ter conhecido Karina em eventos da Expo Cristã, mas negou manter contato frequente. “Se a questão é política, eu acho que é um erro grave. É um desrespeito à democracia. Se estão fazendo isso por conta do filme, aí eu acho grave”, disse.
- O prefeito sustenta que o chamamento público para o projeto de wi-fi ficou aberto por 30 dias, sem impugnações, e que a Prefeitura não encontrou irregularidades na execução. Segundo ele, os 3,2 mil pontos de internet “estão instalados e em funcionamento” e a administração tomará providências caso os órgãos de controle apontem problemas.
- Em nota, a Prefeitura informou que colabora com as investigações, que todo o material foi entregue às autoridades e que o programa funciona normalmente. A gestão diz que o custo estimado para 2026 é de R$ 1.280,80 por ponto/mês e que o chamamento ocorreu em 2024, antes da produção do filme.
O contrato sob suspeita
- O ICB celebrou termo de colaboração para implantar 5.000 pontos de wi-fi gratuito até junho de 2025. Até agora, foram instalados 3.200, com ao menos três aditivos alterando o cronograma.
- A investigação conduzida pela 2ª Delegacia de Crimes Contra a Administração Pública (DICCA/DPPC) apura se houve direcionamento do chamamento, já que o ICB foi o único participante e, segundo o inquérito, não teria histórico técnico no setor de telecom — atuando antes em feiras literárias e religiosas.
- A polícia aponta possível sobrepreço: enquanto a Prodam, estatal municipal de tecnologia, praticaria referência de R$ 230 por implantação e R$ 306 por manutenção mensal por ponto, o acordo com o ICB prevê pagamento fixo mensal de R$ 1.800 por ponto. A Prefeitura sustenta que o modelo de parceria com OSCs segue a Lei Federal 13.019/2014 (Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil) e que os valores evoluíram após ajustes e aditivos.
- Segundo o inquérito, o valor anual previsto de R$ 108 milhões chegou a R$ 157,1 milhões com aditivos, e ao menos R$ 26 milhões teriam sido antecipados sem a devida contraprestação, inclusive repasses superiores a R$ 11 milhões em julho e agosto de 2024 quando, no período, apenas seis pontos funcionavam. A Prefeitura argumenta que o modelo de repasse antecede a execução, com posterior prestação de contas, conforme o marco legal das OSCs.
Notas e fornecedores na mira
- Reportagens apontaram o uso de ao menos R$ 4 milhões em notas canceladas ou emitidas pelo próprio instituto para justificar despesas, além de pagamentos em duplicidade. Um parecer técnico municipal de fevereiro de 2026 citou a impossibilidade de a entidade emitir nota para si mesma e registrou glosas. A gestão afirma que cerca de R$ 930 mil foram devolvidos e que o contrato foi renovado para manutenção dos 3,2 mil pontos.
- A ONG também apresentou faturas, em vez de notas, de R$ 8,5 milhões relativas à locação de equipamentos em 2024. Especialistas ouvidos nas apurações lembram que, em locação pura de bens móveis, o ISS não incide e faturas podem lastrear a despesa, mas a comprovação de entrega e compatibilidade com o contrato é essencial quando há recursos públicos.
- Outro ponto de atenção é um contrato de R$ 12 milhões com a Favela Conectada, que teria instalado mais de 900 pontos. O antigo sócio, Alex Leandro Bispo dos Santos, preso desde fevereiro por acusação de feminicídio, figurava nos documentos iniciais apenas como “Alex”, sem CPF ou RG. Após a denúncia, a empresa mudou de controle societário.
Relação com o filme “Dark Horse” e aliados políticos
- Karina é sócia da produtora Go Up, que participa da cinebiografia “Dark Horse” (Azarão, em inglês) sobre Jair Bolsonaro. Ao comentar a hipótese de que recursos do contrato tenham sido desviados para o filme, Nunes disse que, se a investigação estiver motivada por essa ligação, “o caso seria grave”.
- Em 2022, uma empresa de Karina prestou consultoria para a campanha de Mário Frias (PL), recebendo R$ 54 mil, e o parlamentar destinou cerca de R$ 2 milhões em emendas ao ICB — transações sob apuração preliminar no STF por suposta falta de transparência.
- O deputado federal Bruno Lima (Podemos), que chefiou a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia quando o contrato foi firmado, afirmou apoiar a apuração, disse não conhecer Karina e negou vínculo político com o bolsonarismo. Ele atribuiu a condução do processo ao corpo técnico da pasta e defendeu o escopo social do projeto.
O que dizem os citados
- Prefeitura de São Paulo: diz colaborar com a Polícia Civil e o Ministério Público, afirma que o programa está em operação e que a prestação de contas é pública (SEI). Rejeita ilações de desvio e sustenta que o chamamento cumpriu as exigências legais e foi acompanhado pelo Tribunal de Contas do Município.
- Karina Gama: afirma desconhecer notas canceladas por fornecedores, diz que as inconsistências do próprio instituto foram apontadas por ela mesma e estão sendo regularizadas na prestação de contas. Sustenta que suas empresas e o ICB funcionam no mesmo endereço para “manter controle”.
- Complexsys (fornecedora): declara que acompanha as apurações, reafirma o devido processo legal e a presunção de inocência e se coloca à disposição das autoridades.
- Ministério Público de SP: conduz inquéritos cível e criminal para apurar suposto direcionamento do chamamento, ausência de justificativas técnicas e aditivos em sequência com repasses antecipados.
Contexto legal e de transparência
- As parcerias entre o poder público e organizações da sociedade civil seguem a Lei 13.019/2014 (Marco Regulatório das OSCs), que prevê termos de colaboração, repasses com posterior prestação de contas e exigências de transparência, economicidade e comprovação de execução do objeto. Em contratos dessa natureza, a regularidade não se limita à existência de documentos de cobrança: é necessário comprovar, com segurança, entrega do serviço, pertinência da despesa e aderência aos preços de referência.
Análise Revista Oi
- A fala de Nunes sobre “perseguição política” dialoga com a polarização em torno do filme de Bolsonaro, mas, até aqui, o que sustenta o interesse público do caso não é o tema do longa, e sim os indícios técnicos levantados por polícia e Ministério Público: sobrepreço relevante frente à referência da Prodam, aditivos sucessivos, pagamentos antecipados sem contraprestação comprovada e inconsistências documentais. A defesa política sem enfrentar esses pontos objetivos tende a não dissipar dúvidas. Transparência ativa — inclusive com divulgação detalhada de medições, custos por ponto, disponibilidade real da rede e correções de rumo — é o caminho para preservar um serviço essencial nas periferias e delimitar responsabilidades, se houver.
Próximos passos
- A Polícia Civil e o MP-SP seguem com as apurações cível e criminal. A Prefeitura diz que adotará medidas caso órgãos de controle apontem irregularidades. A situação do contrato, dos aditivos e da efetiva operação dos 3,2 mil pontos seguirá no centro do debate — e sob escrutínio técnico e jurídico.
Nota ao leitor
- Todas as pessoas e entidades citadas têm direito ao contraditório e ampla defesa. Até o momento, não há conclusões judiciais definitivas sobre os fatos sob investigação. A Revista Oi seguirá acompanhando.
Política
Lula diz que esquerda terá de usar verde e amarelo na Copa ‘para não deixar cores do Brasil serem tomadas’
No Rio de Janeiro, durante o lançamento da Tela Brasil neste sábado (30), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu que a esquerda use verde e amarelo durante a Copa do Mundo para “não deixar as cores do Brasil serem tomadas”. No mesmo discurso, Lula criticou a exaltação de referências estrangeiras — como viagens a Miami — e cobrou maior valorização da cultura, história e riquezas nacionais. As falas ocorrem em meio à escalada de críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a quem o presidente chamou de “traidor” após a classificação, pelos Estados Unidos, do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas — medida que levou o governo a alertar para possíveis riscos ao funcionamento do PIX.
Disputa pelos símbolos nacionais
- Ao avistar Eduardo Cavaliere, que usava um casaco amarelo da Seleção, Lula afirmou que a esquerda precisa reaprender a vestir verde e amarelo e acrescentou: “colocar: não bolsonarista”. O presidente tem reiterado, desde 2022, que as cores da bandeira e a camisa da Seleção representam todos os brasileiros, e não um campo político específico. A mensagem mira a reapropriação de símbolos que, nos últimos anos, ficaram fortemente associados a atos e apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Cultura brasileira no centro
- No evento no Rio — que marcou o lançamento da Tela Brasil, plataforma pública e gratuita voltada à exibição de produções audiovisuais brasileiras, com acervo inicial superior a 500 filmes nacionais — Lula reforçou a defesa da soberania cultural. “A quantidade de enlatado de má qualidade que a gente é obrigado a assistir toda noite […] não permite que a juventude brasileira tenha acesso à plenitude da cultura brasileira”, disse. O presidente também criticou a preferência por destinos como Miami em detrimento da Amazônia: “Tem tanta gente que defende o meio ambiente […] Essa mesma gente pega um avião e vai para a Miami, ninguém vai para a Amazônia”.
Atrito com Flávio Bolsonaro e efeitos da medida dos EUA
- Antes do compromisso no Rio, Lula esteve em Sergipe, onde, ao participar do anúncio de investimentos da Petrobras, chamou o senador Flávio Bolsonaro de “traidor” por articular, nos EUA, a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas. A decisão norte-americana foi anunciada um dia após o encontro do senador com Donald Trump.
- Em nota, o governo federal afirmou que a articulação da família Bolsonaro contraria interesses do país e alertou para potenciais riscos ao funcionamento do PIX decorrentes da medida americana. A preocupação do Planalto está ligada a eventuais impactos de compliance e sanções sobre instituições e fluxos financeiros, com possíveis reflexos em sistemas de pagamento. Lula também reiterou que o Brasil não admitirá ser “tratado como moleque”.
O que está em jogo
- A fala sobre o verde e amarelo insere-se numa disputa simbólica às vésperas da Copa: ao reivindicar as cores nacionais, o Planalto busca neutralizar a associação desses símbolos a um campo político e ampliar sua base de identificação com o público.
Análise – Revista Oi
- A mensagem de Lula combina política e cultura: ao mesmo tempo em que tenta ressignificar símbolos nacionais em um momento de grande visibilidade (a Copa), o governo apresenta uma vitrine para o audiovisual brasileiro (Tela Brasil) e projeta um discurso de soberania diante de pressões externas. O embate com Flávio Bolsonaro dá o tom político do dia e pode mobilizar aliados e opositores em torno de dois eixos: a narrativa sobre quem “defende o Brasil” e o potencial impacto econômico-regulatório da decisão americana. O sucesso dessa estratégia dependerá de a administração transformar a reapropriação simbólica em gestos concretos — como a expansão do acesso a produções nacionais — e de sua capacidade de blindar sistemas domésticos, como o PIX, de eventuais efeitos colaterais.
Encerramento
Com a Copa no horizonte e a recém-lançada Tela Brasil prometendo ampliar o acesso a obras nacionais, o governo aposta em agenda simbólica e cultural para falar a um público amplo. Ao mesmo tempo, a disputa política com a oposição — agora atravessada por decisões do governo dos EUA — deve manter aceso o debate sobre soberania, segurança e economia. Nos próximos dias, expectativa recai sobre os desdobramentos da medida americana e sobre a capacidade do Planalto de consolidar a pauta cultural como política de Estado.
Política
Pacheco confirma que não disputará governo de MG e diz que vai encerrar carreira política
São Paulo — Em evento do Lide, nesta sexta-feira (29), o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) confirmou publicamente que não será candidato ao governo de Minas Gerais em 2026 e que encerrará sua trajetória política ao fim do atual mandato no Senado, em 2027. O ex-presidente do Senado também descartou de forma categórica qualquer possibilidade de indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF), pondo fim às especulações sobre seu futuro. “Há um fechamento de ciclo na política que eu decidi fazer com o sentimento de dever cumprido”, afirmou.
Contexto e bastidores
A decisão ocorre dias após o presidente nacional do PT, Edinho Silva, reconhecer que não houve a consolidação de uma aliança para lançar Pacheco como o nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Minas — um dos maiores e mais estratégicos colégios eleitorais do país. Desde o início das conversas para 2026, Pacheco era tratado por setores do governo e do PT como a preferência do Planalto para disputar o Palácio Tiradentes.
Embora nunca tenha assumido formalmente a condição de pré-candidato, o senador admitiu negociações com dirigentes petistas ao longo dos últimos meses. Em abril, ao deixar o PSD e filiar-se ao PSB — partido do vice-presidente Geraldo Alckmin —, alimentou expectativas de que avançaria rumo à disputa mineira. A confirmação da desistência, porém, evidencia que a costura política necessária para sua candidatura não se viabilizou.
Declarações e recados
Após participar de um painel sobre tecnologia no encontro do Lide, grupo empresarial fundado por João Doria, Pacheco reiterou a decisão como definitiva e rejeitou também qualquer convite para integrar cortes superiores. “Não tenho nenhuma expectativa ou perspectiva de ingresso em tribunal superior, inclusive no Supremo Tribunal Federal”, declarou.
O senador fez ainda um balanço de sua trajetória de 12 anos na vida pública. “Fui deputado federal e senador, presidente do Senado e do Congresso Nacional por quatro anos. Tenho uma vida plenamente realizada”, disse, reforçando que sua aposentadoria política ocorrerá ao término do mandato atual, em 2027.
Repercussão
A movimentação gerou reação imediata no MDB. Em coletiva no mesmo evento, o presidente da sigla, Baleia Rossi, lamentou a aposentadoria e pediu o apoio de Pacheco à candidatura de Gabriel Azevedo ao governo de Minas. “Eu lamento que ele esteja colocando um ponto final, como ele mesmo falou, na vida pública (…). Se de alguma forma a gente puder dialogar para que haja uma convergência em torno do apoio a Gabriel Azevedo, isso seria muito importante para nós, pela relevância de sua liderança”, afirmou.
O que está em jogo em Minas
Minas Gerais tem peso decisivo nas eleições nacionais e costuma ser tratada como termômetro político. A retirada de Pacheco da disputa reconfigura o tabuleiro de 2026 no estado: reduz as opções do campo governista ligado a Lula e abre espaço para novas composições entre aliados e adversários. Sem um nome de consenso à esquerda, a tendência é que a disputa mineira atraia negociações intensas, com MDB, PSB, PT e outras legendas testando alternativas para construir um palanque competitivo.
Análise da Revista Oi
A decisão de Pacheco é, ao mesmo tempo, um gesto de encerramento de ciclo e um movimento que impõe recalibragem à estratégia de 2026 em Minas. Com o PT admitindo a falta de lastro político para consolidá-lo como candidato, o senador antecipa o desfecho e procura controlar a narrativa ao descartar também a hipótese de ir ao STF — um rumor que frequentemente orbita lideranças do Senado. O resultado prático é duplo: o Planalto perde um nome com densidade institucional no estado, e o MDB tenta ocupar rapidamente esse espaço ao cortejar o apoio de Pacheco à candidatura de Gabriel Azevedo. Ao filiar-se ao PSB em abril, Pacheco havia multiplicado especulações; ao desistir agora, sinaliza que a engenharia política exigida para 2026 não se materializou.
Encerramento
Com a confirmação de que não disputará o governo mineiro e que deixará a vida pública em 2027, Rodrigo Pacheco fecha um ciclo marcado por passagens relevantes — como a presidência do Senado e do Congresso por quatro anos — e impõe uma rearrumação imediata nas articulações para o governo de Minas. A partir de agora, caberá aos partidos reorganizar suas apostas, enquanto o senador, fora do jogo eleitoral e do radar do STF, faz seu movimento final no tabuleiro político nacional.
Política
EUA indicam nova encarregada de negócios no Brasil
Os Estados Unidos designaram a diplomata Natasha Franceschi como a nova encarregada de negócios da Embaixada em Brasília. Ela substituirá Gabriel Escobar, que retorna a Washington em julho. A decisão confirma que a representação norte-americana no país seguirá, por ora, sob comando de uma encarregada de negócios — e não de um embaixador —, solução que dispensa o agrément do governo brasileiro e é formalizada por nota diplomática ao Itamaraty, que ainda não foi oficialmente comunicado sobre a mudança.
Quem é Natasha Franceschi
Diplomata de carreira do Serviço Exterior dos EUA, Franceschi tem o posto de ministra-conselheira. Recentemente, atuou como subsecretária assistente para o Levante e Síria no Departamento de Estado. Antes, foi encarregada de negócios e número dois da embaixada em Túnis por cerca de três anos, além de ter servido como vice-chefe de missão na Eslováquia.
Ao longo de sua trajetória, ocupou cargos como diretora do escritório para o Cáucaso e conflitos regionais e serviu em Bagdá e na missão dos EUA junto à OTAN, com foco nas relações com países do Oriente Médio e do Norte da África. Franceschi também teve passagens por Paquistão, Cazaquistão, Bósnia e Rússia — um histórico que combina gestão de crise, negociação política e experiência multirregional.
Como fica a representação em Brasília
Ao optar por manter a chefia da embaixada com uma encarregada de negócios, Washington adota uma solução interina comum no serviço diplomático. Diferentemente dos embaixadores, que necessitam do agrément do país anfitrião, os encarregados de negócios assumem com a comunicação oficial via Itamaraty e não apresentam credenciais ao chefe de Estado. Na prática, a embaixada segue operando normalmente em rotinas consulares, comerciais e políticas, sob a liderança da encarregada.
Procedimentalmente, a transição deve ocorrer com a partida de Gabriel Escobar em julho. A embaixada notificará o Ministério das Relações Exteriores sobre a chegada de Franceschi e o início de suas funções.
Contexto e relevância
A decisão de manter a missão em regime de encarregada de negócios indica uma preferência por continuidade administrativa enquanto não se define uma chefia em nível de embaixador. Do ponto de vista prático, essa configuração não costuma travar o dia a dia da relação bilateral — cooperação econômica, segurança, clima e ciência seguem seu curso —, embora, por vezes, limite o peso simbólico de iniciativas políticas de alto nível.
Pelo currículo, Franceschi traz um perfil de diplomacia operacional, com vivência em dossiês sensíveis e negociações complexas. Essa bagagem tende a favorecer uma atuação pragmática em Brasília, especialmente em temas globais acompanhados por ambos os países em fóruns multilaterais. Minha avaliação é que sua experiência em cenários de crise e gestão regional pode agregar tração à agenda político-diplomática, sem prejuízo da continuidade de projetos estratégicos já em andamento entre Brasil e EUA.
Próximos passos
Com a formalização da chegada de Natasha Franceschi por nota diplomática, a Embaixada dos EUA deve assegurar uma transição sem sobressaltos na capital federal. A expectativa é de manutenção do calendário de trabalho e de diálogo com o Itamaraty e demais órgãos do governo brasileiro, enquanto Washington decide sobre uma eventual indicação para o posto de embaixador no futuro.
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