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Política

Centenas de milhares de brasileiros estão em situação de prisão provisória: entenda como funciona

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A prisão provisória no Brasil, medida que acontece antes do julgamento do suspeito, está no centro das discussões atualmente devido ao seu impacto e elevado número de pessoas nesta situação. Segundo dados do Relatório de Informações Penais (Relipen), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, em 2024, o Brasil contava com 182.855 presos provisórios. Esta medida é prevista no Código de Processo Penal (CPP) e pode ser decretada por um juiz em qualquer fase da investigação ou processo, com ou sem solicitação de terceiros, desde que existam indícios suficientes de autoria e materialidade do crime.

O que diz a lei

A prisão provisória só pode ser determinada em casos de crimes dolosos com pena máxima superior a quatro anos. É considerada uma medida excepcional, uma vez que limita a liberdade do cidadão antes do julgamento definitivo. Especialistas apontam que, apesar de ser prevista legalmente, seu uso deve ser contido a situações realmente necessárias devido à restrição que impõe. Segundo Leandro Sarcedo, professor de Direito Penal da Universidade de São Paulo (USP), um juiz deve exercer extrema cautela na decretação de tais prisões.

Casos recentes e contexto político

Além da prisão preventiva, a legislação brasileira contempla outras modalidades de prisão provisória. Um caso recente que se destacou na mídia é o do ex-presidente Jair Bolsonaro. Envolvido em discussões quanto ao cumprimento de medidas cautelares, Bolsonaro utiliza uma tornozeleira eletrônica e está proibido de usar redes sociais, conforme decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Essa decisão está ligada às obrigações estabelecidas para evitar a aplicação de uma prisão preventiva.

Recentemente, Bolsonaro esteve no Congresso Nacional, onde participou de reuniões e fez declarações aos apoiadores. As declarações, posteriormente compartilhadas online, levantaram questões sobre seu respeito às determinações do STF. A defesa do ex-presidente argumentou que ele não tem controle sobre postagens realizadas por terceiros, defendendo assim que não havia descumprimento direto das normas impostas.

Na continuidade das discussões, Moraes decidirá sobre as respostas da defesa de Bolsonaro nas próximas sessões, mantendo o tema das prisões provisórias e medidas cautelares em foco. O caso ilustra o delicado equilíbrio entre as medidas judiciais e os direitos individuais, destacando a complexidade do sistema jurídico brasileiro e sua aplicação na esfera política.

O debate sobre a aplicação da prisão provisória no Brasil revela importantes questões sobre direitos civis, a capacidade do sistema carcerário e a necessidade de revisão legislativa para garantir seu uso justo e necessário. O desfecho do caso Bolsonaro poderá, em muitos aspectos, servir de parâmetro para futuras decisões judiciais no país.

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Política

De Pelé a Neymar: como futebol e política no Brasil se cruzam nas Copas do Mundo

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Brasília, 13 de junho de 2026

A poucos dias do início da Copa do Mundo de 2026, a relação entre futebol e política voltou ao centro do debate público no Brasil. Após a convocação de Neymar pelo técnico Carlo Ancelotti, o Partido Liberal (PL) publicou nas redes um vídeo produzido com inteligência artificial associando a imagem do jogador à do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República. “Flávio é Neymar e Neymar é Flávio”, diz a peça — rapidamente repercutida pelo parlamentar, que divulgou foto ao lado do atleta. Neymar não se manifestou. Em paralelo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ver chances do hexa, mas avaliou que o país vive uma fase sem “grandes ídolos” no futebol. O episódio reacende um enredo recorrente: a cada quatro anos, o campo e o palanque se encontram — independentemente do governante e de sua inclinação ideológica.

Antes da bola rolar: política em campo

  • O uso da seleção como capital simbólico não é novo. “Hoje em dia os atletas são muito mais do que jogadores. Eles também são celebridades. E o Neymar é, sem dúvida, o grande atleta da geração brasileira”, observa Bruna Barenco, mestre e doutoranda em História (UFF). Em ambiente eleitoral, a visibilidade se amplifica: “No Brasil, todo ano [desde 1994] de Copa é ano de eleição. Então o futebol ganha uma importância muito maior. Tudo o que esses jogadores falam ou fazem acaba tendo impacto político também”, explica.
  • Ao comentar a convocação, Lula disse na TV Brasil que o Brasil pode ser campeão, mas sem a figura de um grande ídolo como em outras épocas: “Lamentavelmente, a gente não está em uma fase de produção de tantos gênios… A seleção pode ser campeã do mundo, mas o problema é que nossa seleção não tem mais nenhum ídolo.”
  • Em encontro com Donald Trump, em 7 de maio, Lula brincou sobre a entrada dos jogadores nos EUA durante a Copa: “Espero que você não anule o visto dos jogadores da seleção brasileira, porque a gente vai vir para ganhar a Copa do Mundo.”

1958 — Anos Dourados e o fim do “complexo de vira-lata”

Sob Juscelino Kubitschek, a vitória na Suécia, liderada por Pelé e Garrincha, dialogou com o otimismo desenvolvimentista — Brasília em construção, arquitetura de Niemeyer, Bossa Nova em ascensão. O governo celebrou a conquista com festa no Palácio do Catete e discursos que ecoavam a ideia de identidade nacional miscigenada. Para além do troféu, a campanha confrontou o “Complexo de Vira-lata”, expressão de Nelson Rodrigues após o trauma de 1950, reposicionando o Brasil no imaginário internacional.

1962 — Jango, diplomacia e a urgência do bicampeonato

A Copa do Chile consolidou a imagem do Brasil como potência futebolística em meio a um cenário político tenso — a última antes de um longo hiato sem presidente eleito diretamente. Com Pelé lesionado e Garrincha suspenso nas semifinais, a participação do camisa 7 na final virou questão de Estado. Tancredo Neves, então primeiro-ministro, foi acionado para interceder junto à Fifa e às autoridades chilenas. Garrincha acabou liberado, e o título ajudou a reforçar a ideia de um país já integrado “à dinâmica mundial de poder”, como pontua Bruna Barenco.

1970 — Ditadura, ufanismo e o poder das imagens

O regime militar transformou o futebol em vitrine. Emílio Garrastazu Médici frequentava estádios, associava-se a clubes e via na seleção um ativo de propaganda. A conquista no México, no auge do “Milagre Econômico”, foi trilha do ufanismo ao som de “Pra Frente, Brasil”. A engrenagem política também se fez sentir no banco de reservas: João Saldanha caiu a 72 dias da estreia, após responder com ironia à suposta pressão de Médici para convocar Dadá Maravilha — “Nem Saldanha escala o ministério, nem Médici escala a seleção.” Zagallo assumiu e levou o time ao tricampeonato. Para o historiador Carlos Fico (UFRJ), o sucesso de hinos patrióticos não significou adesão automática ao regime, mas ilustrou a tentativa de construir uma “unidade nacional” pela bola.

1994 — Plano Real, luto e pragmatismo campeão

Em meio à redemocratização recente, ao impeachment de Collor e ao lançamento do Plano Real, a seleção de Romário, Bebeto, Dunga e Taffarel foi eficiente, ainda que pouco exuberante, num ano marcado pela hiperinflação e pela comoção com a morte de Ayrton Senna. “O futebol começava a tentar se afastar da política”, lembra Barenco. O tetracampeonato ajudou a costurar um sentimento de união em um país em busca de estabilidade — enquanto persistiam debates sobre identidade e estilo de jogo.

2002 — Pentacampeão e a travessia para um novo ciclo

Com a economia estabilizada e Fernando Henrique Cardoso no Planalto, a relação do governo com o futebol foi mais protocolar — apesar da imagem icônica de Vampeta dando cambalhotas na rampa do Planalto na recepção à delegação. O penta coincidiu com a virada política daquele ano: meses depois, Lula venceria sua primeira eleição presidencial. Para Barenco, democracias também mobilizam o futebol, “talvez de maneira menos direta”, com presença em comemorações e interação com ídolos.

2026 — A disputa simbólica do hexa e o “naming rights” da alegria

  • A associação do PL entre Neymar e Flávio Bolsonaro cristaliza uma estratégia conhecida: colar a imagem de ídolos à de candidatos para irradiar popularidade. O silêncio do jogador, ao menos por ora, preserva sua marca de exposição a um público transversal — e evita contaminação em um debate cada vez mais polarizado.
  • Do outro lado, Lula busca calibrar expectativas: reconhece a força esportiva da seleção, mas desloca o eixo da discussão do “gênio” individual para o coletivo — um argumento que reduz a personalização do eventual triunfo. Sua brincadeira com Trump sobre vistos também explora, com leveza, o soft power do futebol brasileiro no palco internacional.
  • “Só um governo pouco habilidoso não se aproveitaria desse tipo de eventual conquista”, resume Carlos Fico. Em ano eleitoral, o hexa tem valor político instantâneo — e o risco de ser apropriado por diferentes narrativas, a depender da conjuntura e do humor das arquibancadas.

Análise da Revista Oi

  • O futebol segue como o mais potente vetor simbólico da política brasileira — transversal a regimes e governos. A história mostra que vitórias e derrotas não definem votos por si, mas moldam climas de opinião. Em 2026, a ofensiva digital do PL com IA e o discurso de Lula ilustram caminhos opostos para capitalizar o momento: personalização versus institucionalização.
  • Para Neymar, o cálculo é delicado: associar-se explicitamente a um polo pode reforçar nichos, mas reduzir alcance em um país onde a seleção ainda mobiliza uma audiência plural. Para os candidatos, a tentação de “batizar” a alegria do torcedor é enorme — e o risco de backlash, real, se a performance em campo frustrar.
  • Em última instância, a Copa reafirma um traço do país: o gramado como espelho da nação. Em 1958 e 1962, projetou-se autoestima; em 1970, serviu ao ufanismo; em 1994 e 2002, ancorou travessias econômicas e políticas. Em 2026, tende a ser palco e termômetro — não oráculo.

Encerramento

A história confirma: no Brasil, Copa e eleição caminham juntas desde 1994. O hexa, se vier, terá muitos pretendentes à autoria política. Mas, como sempre, quem dará a palavra final serão os 90 minutos — e a capacidade de governos, partidos e candidatos de ler o espírito de um país que, ao celebrar seus craques, também discute quem somos. Até lá, a bola seguirá dividida entre o campo e a narrativa.

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Política

Eleição e briga de Alcolumbre com Lula explicam aprovação de ‘pautas-bomba’ no Senado

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Em uma quarta-feira (10) de derrotas para o Palácio do Planalto, o Senado aprovou uma série de “pautas-bomba” com potencial de impacto fiscal superior a R$ 200 bilhões, segundo estimativas discutidas pela equipe econômica. No centro do terremoto político estão a disputa pela reeleição de Davi Alcolumbre (União-AP) ao comando do Senado e o desgaste na relação do senador com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva — combinação que, somada à decisão do presidente da Casa de avançar com votações sem acordo com o governo, explica a ofensiva que agora ameaça o Orçamento em ano eleitoral.

O que foi aprovado

O principal item aprovado foi o projeto de renegociação das dívidas de produtores rurais, relatado por Renan Calheiros (MDB-AL). A proposta, avaliada por técnicos como de alto risco fiscal, pode gerar impacto de cerca de R$ 140 bilhões ao longo dos próximos dez anos. A matéria avançou mesmo após Alcolumbre, dias antes, sinalizar em plenário — após reunião com o ministro da Fazenda, Dario Durigan — que não colocaria projetos dessa natureza em votação a pedido do governo.

Virada de rota no Senado

Na sessão desta quarta (10), Alcolumbre adotou posição oposta. Sem acordo com o Planalto, pautou a renegociação rural e deu sequência à deliberação. Para líderes governistas, o gesto teve endereço certo: agradar a senadores de diferentes bancadas, em busca de apoio para sua candidatura à reeleição, e enviar um recado a Lula de que deseja abrir um canal direto para “aparar arestas” políticas.

Crise entre o presidente do Senado e o Planalto

A crise entre o presidente do Senado e o Planalto vem de longe. Eles estão rompidos desde que o Senado, sob a condução de Alcolumbre, rejeitou o nome de Jorge Messias para a vaga de Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal, episódio que aprofundou o fosso entre as cúpulas dos Poderes e alimentou desconfianças mútuas.

Aposta do governo na Câmara

Diante do revés no Senado, o governo deslocou sua estratégia para a Câmara dos Deputados, ancorado na relação do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), com o Planalto. Ao contrário de Alcolumbre, Motta vive fase de excelente interlocução com Lula e é visto como o principal fiador para conter o avanço das medidas no curto prazo ou, ao menos, moderar seu alcance fiscal por meio de ajustes no texto.

O cálculo político

A leitura no Congresso é de que “pautas-bomba” costumam ganhar tração em períodos eleitorais por atenderem a demandas setoriais, regionais e corporativas, em troca de capital político para lideranças que almejam ampliar influência. No caso de Alcolumbre, a combinação entre necessidade de consolidar apoios e o embate com o Planalto criou o ambiente para a ruptura de compromissos informais firmados com a equipe econômica.

O que são “pautas-bomba”

No jargão de Brasília, “pautas-bomba” são projetos que elevam despesas obrigatórias ou ampliam renúncias de receita sem contrapartidas equivalentes, pressionando o resultado fiscal. Em anos eleitorais, tendem a ressurgir com força, pois oferecem ganhos imediatos a segmentos organizados, enquanto seus custos se acumulam ao longo dos anos. A renegociação ampla de dívidas, reajustes sem fonte de custeio e anistias tributárias são exemplos clássicos dessa categoria.

Análise

A movimentação no Senado expõe dois vetores que se retroalimentam: a disputa pela presidência da Casa e a deterioração da ponte política entre Alcolumbre e o Planalto. Na prática, o líder do Senado usou a agenda econômica como instrumento de poder — tanto para agregar apoios internos quanto para forçar um realinhamento com Lula. Para o governo, a janela de contenção agora depende da Câmara e de sua capacidade de reescrever projetos que, da forma como saíram do Senado, ampliam o passivo fiscal em um patamar incompatível com o compromisso de responsabilidade orçamentária.

Próximos passos

Os textos aprovados no Senado seguem para a Câmara, onde a base governista tentará calibrar escopo e impacto das medidas. O governo trabalha para reatar canais com o Senado e, paralelamente, para construir na Câmara uma barreira a novas derrotas — cenário que, se mal manejado, pode impor ao Executivo uma conta bilionária em pleno ano eleitoral e reordenar as forças no topo do Legislativo.

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Política

A mais política das Copas do Mundo – O Assunto #1737

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Abertura

A Copa do Mundo que começa nesta quinta-feira, 11 de junho de 2026, promete entrar para a história não só pelo ineditismo esportivo — 48 seleções em campo, sedes espalhadas por Estados Unidos, Canadá e México — mas também pela carga política e econômica que a cerca. Enquanto milhões lotam estádios ao longo de pouco mais de um mês, o torneio convive com duas barreiras centrais: o bolso do torcedor, diante dos ingressos mais caros já praticados, e as restrições de entrada nos EUA, que, sob a administração Donald Trump, impõem dificuldades adicionais a fãs e até a delegações. No campo, o Mundial pode marcar o crepúsculo da era Messi–Cristiano Ronaldo, enquanto o Brasil tenta romper a desconfiança para voltar ao topo.

O torneio da virada: formato, calendário e sedes

  • Inédito a três mãos: EUA (11 cidades), México (3) e Canadá (2) dividem a organização — a primeira Copa com três países-sede.
  • Expansão histórica: 48 seleções, em 12 grupos de quatro; avançam aos mata-matas os dois melhores de cada grupo e os oito melhores terceiros, inaugurando um novo “round of 32”. Serão 104 partidas ao longo de 39 dias.
  • Abertura e encerramento: o Mundial vai de 11 de junho a 19 de julho de 2026, retomando o calendário tradicional de verão no Hemisfério Norte.
  • Contexto de bastidores: a candidatura norte-americana (United 2026) venceu o Marrocos no Congresso da Fifa em 2018; o México se torna o primeiro país a sediar uma Copa pela terceira vez; o Canadá estreia como anfitrião.

Política em campo: vistos, fronteiras e a Fifa de Infantino

No episódio O Assunto #1737, Natuza Nery ouve, dos EUA, o jornalista Guga Chacra sobre o clima político: em ano de Copa sediada majoritariamente por um país de fronteiras historicamente rígidas, relatos de entraves de visto e maior escrutínio migratório atingem torcedores e podem alcançar delegações. A meu ver, esse é o ponto que transforma 2026 na Copa mais politizada desde o início do século: a experiência do torcedor passa a ser também um capítulo de política pública.

Há ainda a política do futebol. Gianni Infantino, presidente da Fifa, construiu, desde 2016, uma agenda de expansão da Copa — uma decisão com nítido cálculo geopolítico (mais países contemplados, mais votos, mais mercados). O relacionamento com Washington não é de hoje: em 2018, Infantino visitou a Casa Branca, em gesto simbólico logo após o apoio à candidatura tripla de 2026. Esse entrelaçamento entre poder esportivo e poder político ajuda a explicar tanto a escolha do modelo de Copa quanto a disposição da Fifa em aceitar preços altos e uma logística complexa em troca de alcance e receita recordes.

O peso do bolso: os ingressos mais caros

A promessa de “Copa para todos” esbarra na realidade do preço. A política de preços e o uso de modelos dinâmicos de bilhetagem tornaram os tíquetes os mais caros de todos os tempos, segundo levantamento setorial e reportagens recentes. Some-se a isso o custo de transporte e hospedagem no eixo EUA–Canadá–México — e tem-se um Mundial que, do ponto de vista do torcedor comum, é menos acessível do que edições anteriores. Na prática, há risco reputacional para a Fifa ao afastar parte do público que faz a festa nas arquibancadas.

Dentro de campo: fim de uma era e novos protagonistas

Dois dos maiores da história, Lionel Messi e Cristiano Ronaldo, chegam a 2026 no limite do ciclo. Mesmo que um deles ainda pise no gramado, a percepção de que vivemos o capítulo final dessa dupla eleva a tensão esportiva do torneio. É o momento em que as novas lideranças — algumas já consolidadas na Europa e na América do Sul — têm a chance de assumir o protagonismo.

Brasil: entre a cobrança e a reconstrução

A Seleção inicia o Mundial sob o comando de Dorival Júnior, técnico efetivado em janeiro de 2024, após meses de incerteza e idas e vindas em torno do nome de Carlo Ancelotti. A correção é necessária: embora Ancelotti tenha sido cotado e tratado como plano da CBF, foi Dorival quem assumiu o ciclo e conduziu o processo de reconstrução. No episódio, André Rizek avalia o quadro competitivo: tradicionais potências chegam fortes, e há espaço para surpresas — um cenário em que o Brasil, penta desde 2002, precisa combinar solidez tática, elenco saudável e nervos no lugar para voltar a ser protagonista. Minha leitura é que a Seleção tem material humano para brigar, mas depende de consistência defensiva e de um encaixe fino no ataque para superar rivais com projetos mais estáveis desde 2018.

Infantino, Trump e o tabuleiro global do futebol

O argumento político que cerca 2026 não se esgota nos vistos. A expansão para 48 seleções amplia a pegada diplomática do evento: mais vagas para confederações fora da Europa e da América do Sul, maior capilaridade de mercados de TV e patrocínio e uma aposta da Fifa no soft power do futebol como ativo econômico. A relação de Infantino com lideranças políticas — inclusive com a Casa Branca à época da confirmação da sede — ajuda a entender por que 2026 é, acima de tudo, um projeto global de influência.

Por que esta é a Copa mais política

  • Fronteiras e acesso: checagens de imigração e complexidade de viagem entre três países afetam torcidas e, potencialmente, equipes.
  • Economia do espetáculo: preços recordes comprimem a participação do torcedor tradicional e reforçam a lógica de maximização de receita.
  • Geopolítica da bola: a Fifa usa a expansão para ampliar seu raio de influência e consolidar alianças — um jogo de poder que extrapola o gramado.

Encerramento

A Copa de 2026 será lembrada como um divisor de águas: maior, mais longa, mais cara — e mais atravessada pela política. Entre o adeus a uma era de superastros e a busca brasileira pelo hexa, o Mundial nos EUA, Canadá e México testa os limites do futebol como festa popular em tempos de fronteiras rígidas e de um esporte cada vez mais globalizado e comercial. O que veremos a partir desta quinta-feira dirá se, apesar de tudo, a bola ainda consegue falar mais alto.

Serviço — O Assunto #1737

  • Apresentação: Natuza Nery.
  • Convidados: Guga Chacra (Globonews, TV Globo, CBN e O Globo) e André Rizek (editor-chefe e apresentador do Seleção SporTV e Fechamento SporTV).
  • Produção: Luiz Felipe Silva, Sarah Resende, Carlos Catelan, Luiz Gabriel Franco, Juliene Moretti, Stéphanie Nascimento e Guilherme Gama.
  • O Assunto é o podcast diário do g1, disponível em todas as plataformas de áudio e no YouTube, com mais de 168 milhões de downloads somados nas plataformas e 14,2 milhões de visualizações no YouTube desde agosto de 2019.
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