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Política

STF ganha protagonismo na política e vira tema de campanha eleitoral; veja propostas dos presidenciáveis

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Por Revista Oi

Em meio a um ciclo de forte judicialização da política, o Supremo Tribunal Federal (STF) saltou do centro das decisões institucionais para o centro do debate eleitoral. Em 2026, pré-candidatos ao Palácio do Planalto incluem, em escala inédita, reformas do Judiciário com impacto direto no Supremo — de mandatos fixos à forma de escolha dos ministros e ao fim de decisões monocráticas. O movimento reflete tanto o protagonismo assumido pela Corte em temas políticos quanto uma pressão crescente por ajustes em seu funcionamento.

Por que o STF entrou na campanha

  • O levantamento do g1 em 51 programas de candidatos à Presidência desde 2014 indica que o STF apareceu como tema direto de propostas pela primeira vez em 2018. Em 2026, a pauta ganha corpo e atravessa distintos campos ideológicos.
  • Juristas e cientistas políticos associam a entrada do STF no debate à atuação decisiva do tribunal em lacunas deixadas pelo Legislativo e em crises sucessivas. Entre marcos dessa trajetória estão:
    • 2007: nos mandados de injunção sobre o direito de greve no serviço público, o STF reconheceu omissão do Congresso e determinou, provisoriamente, a aplicação da Lei de Greve do setor privado até a aprovação de norma específica.
    • 2012: o julgamento do mensalão elevou a Corte ao noticiário político cotidiano e cristalizou sua imagem de árbitro de disputas centrais.
    • 2021: a decisão que determinou a instalação da CPI da Covid no Senado, após impasse interno na Casa, consolidou a percepção pública de um Supremo mais interventor.
  • No desenho constitucional, o STF é o guardião da Constituição: dá a palavra final sobre a validade de leis, protege direitos fundamentais e resolve conflitos entre poderes quando acionado. No Brasil, essa função se soma à de última instância recursal e ao julgamento criminal de autoridades, o que tende a atrair embates políticos para o tribunal.

O que está em discussão dentro da própria Corte

  • O ministro Flávio Dino apresentou, em abril, uma proposta de reforma em 15 eixos, com revisão de competências do STF e dos tribunais superiores, mudanças na tramitação de processos eleitorais e endurecimento de punições penais para irregularidades envolvendo juízes, procuradores e advogados (g1, 20/4/2026).
  • O presidente do STF, Edson Fachin, defende a aprovação de um código de ética para ministros ainda neste ano, como baliza pública de conduta (g1, 31/3/2026).

Entenda: decisões monocráticas

Decisões monocráticas são tomadas individualmente por um ministro — normalmente o relator —, sem levar o caso, de imediato, ao plenário ou às turmas. O regimento interno prevê o mecanismo para dar celeridade e racionalizar o volume de processos. Na prática, a ferramenta se expandiu e virou alvo preferencial de propostas de restrição no debate eleitoral.

As regras atuais do STF

  • Nomeação: exige idade mínima de 35 e máxima de 70 anos para indicação.
  • Permanência: a aposentadoria é compulsória aos 75 anos (o que, na visão de críticos, pode levar a longas permanências e a janelas políticas estratégicas para indicações).

As propostas dos pré-candidatos

Lula (PT)

  • Sinalizou, em 5 de fevereiro, abertura para rediscutir mandatos para ministros do Supremo, retomando ideia do programa de Fernando Haddad em 2018. “Não é justo uma pessoa entrar com 35 anos e ficar até 75 (…). Eu acho que pode ter um mandato”, disse ao UOL. O vice-presidente Geraldo Alckmin também defendeu mandatos.

Flávio Bolsonaro (PL-RJ)

  • Defende mandatos no Supremo, o fim de decisões monocráticas que suspendam leis ou atos do Congresso e a possibilidade de impeachment de ministros. No Fórum da Liberdade, em Porto Alegre, em 10 de abril, afirmou que qualquer governo a partir de 2027 “vai ter que fazer uma reforma do Judiciário”.
  • Impeachment de ministros do STF: exige autorização do presidente do Senado, tramitação em comissões e, no plenário, 2/3 dos votos (54 dos 81 senadores). Nunca houve cassação de um ministro do STF.

Ronaldo Caiado (PSD)

  • Propõe mandato de dez anos, idade mínima de 60 anos para ingresso e lista tríplice formulada por órgãos do Judiciário para reduzir a indicação unilateral do presidente. “Alguém que tenha (…) reconhecimento já (…) aos seus 60 anos”, disse ao jornal O Tempo (24/4).

Romeu Zema (Novo)

  • Defende mudanças na composição, competências e funcionamento: idade mínima de 60 anos, mandato de 15 anos, lista tríplice (STJ, CNJ, OAB e MPF), fim de decisões monocráticas, redução do escopo de temas no STF e criação de corregedoria para investigar ministros.
  • Em seu plano, sugere transferir matérias criminais e tributárias ao STJ, extinguir o foro para deputados e senadores e obrigar o Senado a pautar pedidos de impeachment com apoio da maioria (g1, 26/4).

Renan Santos (Missão)

  • Propõe o fim de decisões monocráticas, prazos obrigatórios para pedidos de vista e a criação de um “Supremo Tribunal Político” para julgar deputados e senadores, com composição oriunda de diferentes tribunais superiores (TV Bandeirantes, 26/4).

Augusto Cury (Avante)

  • Defende reforma ampla: fim da vitaliciedade, mandatos de 8 a 10 anos, mudança na forma de escolha dos ministros — dois terços indicados por entidades da magistratura (AMB e Ajufe), dois ou três pelo Ministério Público e uma vaga pela OAB — e o fim das transmissões ao vivo dos julgamentos, para “evitar a espetacularização do voto” (Metrópoles, 7/4).

Como o tema evoluiu nos programas presidenciais

  • Em 2018, Fernando Haddad (PT) defendeu o debate sobre mandatos fixos; Guilherme Boulos (PSOL) sugeriu mandatos de seis anos e chamamento público para indicações.
  • Em 2026, o foco se ampliou: além de mandatos e seleção, há propostas para limitar decisões monocráticas, redefinir competências e criar mecanismos internos de controle.

O que dizem os especialistas

  • Oscar Vilhena Vieira (FGV Direito SP): há diagnósticos corretos — como a crítica ao uso expansivo de decisões monocráticas —, mas o excesso de protagonismo não é saudável para o próprio Supremo.
  • Soraia Mendes: avalia que o tribunal deve atuar como “árbitro institucional”, e não como personagem central da disputa política.
  • Fernando Schüler (Insper): vê a judicialização da política como motor da presença do STF na campanha, mas pondera que temas como economia e segurança tendem a pesar mais na decisão de voto.
  • Elias Tavares: projeta que a pauta ganhará mais força nas disputas ao Senado do que na corrida presidencial.

Análise da Revista Oi

  • O avanço do STF no debate eleitoral é sintoma de um desequilíbrio institucional: o tribunal ocupou espaços deixados por impasses legislativos, sobretudo em momentos de crise, e agora se torna alvo de propostas que miram calibrar poder e accountability. Entre as ideias em circulação, há convergência em dois eixos: mandatos e restrições às decisões monocráticas. Essas medidas respondem a problemas reais — previsibilidade de reposição e colegialidade decisória —, mas exigem desenho cuidadoso para não fragilizar a independência judicial nem paralisar a Corte.
  • A viabilidade política varia. Mudanças estruturais demandam emendas constitucionais com quórum qualificado; já códigos de ética e regras internas têm tração maior no curto prazo, como sinalizam as iniciativas de Fachin e Dino. No horizonte imediato, o mais provável é a adoção de freios e contrapesos incrementais — limites a monocráticas, prazos para vista, transparência e compliance —, enquanto propostas mais disruptivas, como alterar competências ou criar uma corte “política” paralela, enfrentam resistência técnica e institucional.

O que observar adiante

  • Se o Congresso transformará o consenso retórico sobre colegialidade e prazos em alterações normativas.
  • O alcance das reformas internas debatidas no próprio STF (código de ética, racionalização de competências).
  • O papel do Senado: além de sabatinar indicados, a Casa pode pautar PECs sobre mandatos e regras de decisão — e será palco central dessa agenda em 2026.

Em um país onde o Supremo acumula papel de guarda da Constituição e instância final de litígios de alta voltagem, discutir seu desenho institucional deixou de ser tabu e passou a ser pauta eleitoral. A maturidade desse debate — com dados, técnica e responsabilidade — dirá se a solução ajustará engrenagens ou apenas deslocará o conflito para novas arenas.

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Política

A mais política das Copas do Mundo – O Assunto #1737

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Abertura

A Copa do Mundo que começa nesta quinta-feira, 11 de junho de 2026, promete entrar para a história não só pelo ineditismo esportivo — 48 seleções em campo, sedes espalhadas por Estados Unidos, Canadá e México — mas também pela carga política e econômica que a cerca. Enquanto milhões lotam estádios ao longo de pouco mais de um mês, o torneio convive com duas barreiras centrais: o bolso do torcedor, diante dos ingressos mais caros já praticados, e as restrições de entrada nos EUA, que, sob a administração Donald Trump, impõem dificuldades adicionais a fãs e até a delegações. No campo, o Mundial pode marcar o crepúsculo da era Messi–Cristiano Ronaldo, enquanto o Brasil tenta romper a desconfiança para voltar ao topo.

O torneio da virada: formato, calendário e sedes

  • Inédito a três mãos: EUA (11 cidades), México (3) e Canadá (2) dividem a organização — a primeira Copa com três países-sede.
  • Expansão histórica: 48 seleções, em 12 grupos de quatro; avançam aos mata-matas os dois melhores de cada grupo e os oito melhores terceiros, inaugurando um novo “round of 32”. Serão 104 partidas ao longo de 39 dias.
  • Abertura e encerramento: o Mundial vai de 11 de junho a 19 de julho de 2026, retomando o calendário tradicional de verão no Hemisfério Norte.
  • Contexto de bastidores: a candidatura norte-americana (United 2026) venceu o Marrocos no Congresso da Fifa em 2018; o México se torna o primeiro país a sediar uma Copa pela terceira vez; o Canadá estreia como anfitrião.

Política em campo: vistos, fronteiras e a Fifa de Infantino

No episódio O Assunto #1737, Natuza Nery ouve, dos EUA, o jornalista Guga Chacra sobre o clima político: em ano de Copa sediada majoritariamente por um país de fronteiras historicamente rígidas, relatos de entraves de visto e maior escrutínio migratório atingem torcedores e podem alcançar delegações. A meu ver, esse é o ponto que transforma 2026 na Copa mais politizada desde o início do século: a experiência do torcedor passa a ser também um capítulo de política pública.

Há ainda a política do futebol. Gianni Infantino, presidente da Fifa, construiu, desde 2016, uma agenda de expansão da Copa — uma decisão com nítido cálculo geopolítico (mais países contemplados, mais votos, mais mercados). O relacionamento com Washington não é de hoje: em 2018, Infantino visitou a Casa Branca, em gesto simbólico logo após o apoio à candidatura tripla de 2026. Esse entrelaçamento entre poder esportivo e poder político ajuda a explicar tanto a escolha do modelo de Copa quanto a disposição da Fifa em aceitar preços altos e uma logística complexa em troca de alcance e receita recordes.

O peso do bolso: os ingressos mais caros

A promessa de “Copa para todos” esbarra na realidade do preço. A política de preços e o uso de modelos dinâmicos de bilhetagem tornaram os tíquetes os mais caros de todos os tempos, segundo levantamento setorial e reportagens recentes. Some-se a isso o custo de transporte e hospedagem no eixo EUA–Canadá–México — e tem-se um Mundial que, do ponto de vista do torcedor comum, é menos acessível do que edições anteriores. Na prática, há risco reputacional para a Fifa ao afastar parte do público que faz a festa nas arquibancadas.

Dentro de campo: fim de uma era e novos protagonistas

Dois dos maiores da história, Lionel Messi e Cristiano Ronaldo, chegam a 2026 no limite do ciclo. Mesmo que um deles ainda pise no gramado, a percepção de que vivemos o capítulo final dessa dupla eleva a tensão esportiva do torneio. É o momento em que as novas lideranças — algumas já consolidadas na Europa e na América do Sul — têm a chance de assumir o protagonismo.

Brasil: entre a cobrança e a reconstrução

A Seleção inicia o Mundial sob o comando de Dorival Júnior, técnico efetivado em janeiro de 2024, após meses de incerteza e idas e vindas em torno do nome de Carlo Ancelotti. A correção é necessária: embora Ancelotti tenha sido cotado e tratado como plano da CBF, foi Dorival quem assumiu o ciclo e conduziu o processo de reconstrução. No episódio, André Rizek avalia o quadro competitivo: tradicionais potências chegam fortes, e há espaço para surpresas — um cenário em que o Brasil, penta desde 2002, precisa combinar solidez tática, elenco saudável e nervos no lugar para voltar a ser protagonista. Minha leitura é que a Seleção tem material humano para brigar, mas depende de consistência defensiva e de um encaixe fino no ataque para superar rivais com projetos mais estáveis desde 2018.

Infantino, Trump e o tabuleiro global do futebol

O argumento político que cerca 2026 não se esgota nos vistos. A expansão para 48 seleções amplia a pegada diplomática do evento: mais vagas para confederações fora da Europa e da América do Sul, maior capilaridade de mercados de TV e patrocínio e uma aposta da Fifa no soft power do futebol como ativo econômico. A relação de Infantino com lideranças políticas — inclusive com a Casa Branca à época da confirmação da sede — ajuda a entender por que 2026 é, acima de tudo, um projeto global de influência.

Por que esta é a Copa mais política

  • Fronteiras e acesso: checagens de imigração e complexidade de viagem entre três países afetam torcidas e, potencialmente, equipes.
  • Economia do espetáculo: preços recordes comprimem a participação do torcedor tradicional e reforçam a lógica de maximização de receita.
  • Geopolítica da bola: a Fifa usa a expansão para ampliar seu raio de influência e consolidar alianças — um jogo de poder que extrapola o gramado.

Encerramento

A Copa de 2026 será lembrada como um divisor de águas: maior, mais longa, mais cara — e mais atravessada pela política. Entre o adeus a uma era de superastros e a busca brasileira pelo hexa, o Mundial nos EUA, Canadá e México testa os limites do futebol como festa popular em tempos de fronteiras rígidas e de um esporte cada vez mais globalizado e comercial. O que veremos a partir desta quinta-feira dirá se, apesar de tudo, a bola ainda consegue falar mais alto.

Serviço — O Assunto #1737

  • Apresentação: Natuza Nery.
  • Convidados: Guga Chacra (Globonews, TV Globo, CBN e O Globo) e André Rizek (editor-chefe e apresentador do Seleção SporTV e Fechamento SporTV).
  • Produção: Luiz Felipe Silva, Sarah Resende, Carlos Catelan, Luiz Gabriel Franco, Juliene Moretti, Stéphanie Nascimento e Guilherme Gama.
  • O Assunto é o podcast diário do g1, disponível em todas as plataformas de áudio e no YouTube, com mais de 168 milhões de downloads somados nas plataformas e 14,2 milhões de visualizações no YouTube desde agosto de 2019.
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Política

CNJ abre processo disciplinar contra desembargador de MG acusado de crimes sexuais

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Em sessão plenária nesta terça-feira (9), o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aprovou, por unanimidade, a abertura de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) e manteve o afastamento do desembargador do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) Magid Nauef Láuar, alvo de denúncias de crimes sexuais. A decisão ocorre após investigação preliminar conduzida pela Corregedoria Nacional de Justiça, que apontou indícios suficientes de grave desvio de conduta e afronta a deveres funcionais do magistrado. Láuar está afastado de suas funções desde fevereiro, e também foi alvo de operação da Polícia Federal.

Decisão unânime e manutenção do afastamento

Segundo relatório apresentado pelo corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell, há robustez indiciária para a instauração do PAD e para a continuidade do afastamento cautelar. O voto de Campbell foi acompanhado por todos os conselheiros. O CNJ é o órgão de controle do Judiciário criado pela Emenda Constitucional 45/2004, com competência para instaurar processos disciplinares e zelar por padrões éticos e funcionais da magistratura.

Relatos colhidos pela Corregedoria

De acordo com o corregedor, a apuração preliminar colheu depoimentos de sete pessoas que relataram terem sido vítimas de Magid Láuar. As acusações incluem ato análogo ao estupro e importunação sexual.

Ao analisar as vítimas, constatou-se que muitas delas se encontravam em situação de vulnerabilidade, possuindo tenra idade ou atuando como estagiárias, servidoras com vínculo precário, ou em situação de dependência ou subordinação em relação ao requerido. A partir de então, a abordagem ocorria de maneira progressiva, evoluindo os assédios verbais de cunho sexual para convites para almoçar ou viajar.

Ainda segundo o relato, as vítimas afirmaram que o magistrado as convocava para o gabinete ao final do expediente, quando o fórum estava praticamente vazio, e, em “quase todos os casos”, forçava situações de contato físico, como solicitar abraços quando estava a sós com elas. Campbell também apontou a existência de um clima de “descrença institucional”, sustentado pela percepção de que denúncias não teriam consequências diante do prestígio social do desembargador.

Contexto: decisão no caso de estupro de vulnerável reacendeu escrutínio

As denúncias vieram à tona após repercussão nacional de uma decisão assinada por Láuar que absolveu um homem de 35 anos acusado de estuprar uma menina de 12 anos no Triângulo Mineiro. Na sentença, o magistrado mencionou suposto vínculo afetivo consensual entre acusado e vítima — tese que provocou forte reação pública e institucional por conflitar com a proteção legal à criança e ao adolescente. Posteriormente, o próprio desembargador revisou essa decisão. Em paralelo ao afastamento imposto pelo CNJ, a Polícia Federal deflagrou operação relacionada ao caso.

O que diz a defesa

A defesa de Magid Láuar sustentou que as acusações se referem a episódios ocorridos “há décadas”, pedindo o reconhecimento da prescrição de eventuais crimes. Argumentou ainda que a abertura do procedimento disciplinar se apoia “apenas em relatos”, os quais, segundo a defesa, “podem configurar falsas memórias”. Com a instauração do PAD, a fase de instrução deve aprofundar a coleta de provas e depoimentos, assegurando o contraditório e a ampla defesa.

O papel do CNJ e próximos passos

O CNJ não revisa decisões judiciais de mérito; sua atuação, neste caso, é administrativa e disciplinar. Com o PAD aberto, o Conselho passará à instrução do processo, que pode resultar em punições disciplinares previstas na legislação da magistratura, a depender da comprovação dos fatos. Enquanto isso, permanece o afastamento cautelar de Láuar do exercício das funções no TJMG.

Análise – sinal de rigor institucional e teste para a confiança pública

A unanimidade do plenário e a manutenção do afastamento, amparadas por relatos convergentes e detalhados colhidos pela Corregedoria, indicam a gravidade atribuída pelo CNJ às acusações. O caso também expõe um desafio central para o Judiciário: assegurar um ambiente institucional seguro, especialmente para estagiárias e servidoras em posições de vulnerabilidade, e responder de forma célere e transparente a denúncias contra autoridades.

Ao mesmo tempo, o devido processo disciplinar — com direito de defesa e apuração técnica — será determinante para a credibilidade do desfecho. Para a sociedade, o PAD se torna um termômetro da capacidade do sistema de responsabilizar seus próprios integrantes quando confrontado por condutas que afrontam padrões éticos e funcionais.

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Política

Às vésperas da Copa, política de imigração dos EUA provoca incerteza e temor entre torcedores e profissionais do mundo todo

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A poucos dias do início da Copa do Mundo de 2026, a política migratória dos Estados Unidos acendeu um alerta entre torcedores, profissionais e organizadores. Nesta segunda-feira (8), o árbitro somali Omar Artan foi impedido de entrar no país ao desembarcar em Miami e acabou deportado para a Turquia diretamente do aeroporto. Autoridades da Somália informaram à agência France-Presse que Artan possuía visto válido. O caso, ainda sem explicações oficiais detalhadas, intensificou o clima de incerteza para um torneio que mobiliza delegações de 48 países e milhões de visitantes.

Árbitro somali barrado em Miami

Segundo relatos confirmados por veículos internacionais, o árbitro Omar Artan — que seria o primeiro somali a atuar em uma Copa — foi barrado por autoridades americanas logo após o pouso em Miami e colocado em um voo de retorno. A Somália está na lista de países afetados por limitações de viagem impostas pelos EUA, mas não há confirmação se a negativa decorreu de restrições gerais ao país ou de um motivo específico ligado ao árbitro. A Fifa, em nota divulgada na noite desta segunda (8), afirmou que, em todos os seus eventos, cabe ao governo anfitrião decidir sobre a concessão de vistos e a autorização de entrada.

Países sob restrições e o impacto para a Copa

Entre as 48 seleções classificadas, quatro representam nações atualmente sujeitas a restrições de entrada impostas pelo governo Trump: Irã, Haiti, Senegal e Costa do Marfim — medidas que, segundo a Casa Branca, foram reafirmadas em junho de 2025 por razões de segurança nacional. No caso de iranianos e haitianos, a política descreve proibição total de viagem; para senegaleses e marfinenses, existem vistos possíveis, porém com restrições e validade limitada. Embora essas regras tenham exceções e procedimentos específicos, a falta de previsibilidade preocupa delegações e torcedores, sobretudo quando decisões são tomadas no ponto de entrada, como ocorreu com Artan.

Compromissos assumidos com a Fifa — e seus limites

Os Estados Unidos assinaram com a Fifa um compromisso para facilitar a concessão de vistos ou simplificar procedimentos existentes, sem discriminação. O documento, contudo, prevê uma ressalva: não afetar negativamente as regras nacionais de imigração e segurança do país-sede. Na prática, isso significa que, mesmo com a diretriz geral de facilitação, prevalece a autonomia das autoridades americanas na fronteira — o que ajuda a explicar por que casos individuais ainda podem resultar em barramentos, ainda que vistos tenham sido previamente emitidos.

Reforço do ICE em Nova York e temor de operações

Ainda nesta segunda (8), o responsável pela política migratória do governo dos EUA, Tom Homan, anunciou que pretende ampliar o efetivo de agentes do ICE (a polícia de imigração) em Nova York. Sem cronograma divulgado, a sinalização ampliou o temor de imigrantes e trabalhadores estrangeiros no período da Copa. Em Los Angeles, funcionários escalados para atuar no estádio ameaçam entrar em greve caso ocorram operações de combate à imigração durante os jogos — um movimento que expõe a tensão entre a segurança fronteiriça e a continuidade dos serviços essenciais ao evento, muitos deles apoiados por mão de obra imigrante.

O que está em jogo para o Mundial

A Copa de 2026 será a primeira com 48 seleções e também a primeira coorganizada por três países — Estados Unidos, México e Canadá. Serão 16 cidades-sede (11 nos EUA, três no México e duas no Canadá), entre 11 de junho e 19 de julho, e um fluxo extraordinário de torcedores, jornalistas, equipes técnicas e profissionais de evento. Em um calendário comprimido e com logística complexa, qualquer ruído na fronteira — de seleções, árbitros, trabalhadores ou torcedores — pode gerar efeitos em cascata na preparação e na realização das partidas, principalmente nas cidades americanas, que concentram a maior parte dos jogos.

Análise: segurança versus previsibilidade — e o risco de ruído operacional

Com base nas informações oficiais disponíveis e nos relatos confirmados, o episódio com Omar Artan expõe a fricção entre dois compromissos legítimos: de um lado, a política de segurança nacional dos EUA; de outro, o dever, assumido com a Fifa, de garantir acesso ágil e não discriminatório aos credenciados e visitantes. Ao reforçar o contingente do ICE e manter restrições amplas — inclusive a cidadãos de países com seleções classificadas —, o governo americano sinaliza prioridade à soberania migratória. Mas, às vésperas do Mundial, a falta de previsibilidade na aplicação prática dessas regras aumenta o risco de disrupções, alimenta o temor entre profissionais e torcedores e pode pressionar operações de estádios e cidades-sede. Para que a Copa cumpra sua promessa esportiva e econômica, será crucial que os EUA conciliem controle fronteiriço com clareza de critérios e coordenação com Fifa, federações e autoridades locais — reduzindo a margem para surpresas como a que atingiu o árbitro somali em Miami.

Próximos passos

  • O governo americano não detalhou os motivos da negativa a Omar Artan; uma definição transparente de protocolos ajudaria a mitigar incertezas para delegações e oficiais da Fifa.
  • A ameaça de greve em Los Angeles e o reforço do ICE em Nova York indicam que o tema migratório deve permanecer no centro do noticiário durante o torneio.
  • Organizações locais e a Fifa tendem a intensificar a interlocução com as autoridades dos EUA para assegurar, dentro da lei, a fluidez de entrada de credenciados e visitantes, reduzindo o risco de impacto na programação dos jogos.
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