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Política

STF ganha protagonismo na política e vira tema de campanha eleitoral; veja propostas dos presidenciáveis

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Por Revista Oi

Em meio a um ciclo de forte judicialização da política, o Supremo Tribunal Federal (STF) saltou do centro das decisões institucionais para o centro do debate eleitoral. Em 2026, pré-candidatos ao Palácio do Planalto incluem, em escala inédita, reformas do Judiciário com impacto direto no Supremo — de mandatos fixos à forma de escolha dos ministros e ao fim de decisões monocráticas. O movimento reflete tanto o protagonismo assumido pela Corte em temas políticos quanto uma pressão crescente por ajustes em seu funcionamento.

Por que o STF entrou na campanha

  • O levantamento do g1 em 51 programas de candidatos à Presidência desde 2014 indica que o STF apareceu como tema direto de propostas pela primeira vez em 2018. Em 2026, a pauta ganha corpo e atravessa distintos campos ideológicos.
  • Juristas e cientistas políticos associam a entrada do STF no debate à atuação decisiva do tribunal em lacunas deixadas pelo Legislativo e em crises sucessivas. Entre marcos dessa trajetória estão:
    • 2007: nos mandados de injunção sobre o direito de greve no serviço público, o STF reconheceu omissão do Congresso e determinou, provisoriamente, a aplicação da Lei de Greve do setor privado até a aprovação de norma específica.
    • 2012: o julgamento do mensalão elevou a Corte ao noticiário político cotidiano e cristalizou sua imagem de árbitro de disputas centrais.
    • 2021: a decisão que determinou a instalação da CPI da Covid no Senado, após impasse interno na Casa, consolidou a percepção pública de um Supremo mais interventor.
  • No desenho constitucional, o STF é o guardião da Constituição: dá a palavra final sobre a validade de leis, protege direitos fundamentais e resolve conflitos entre poderes quando acionado. No Brasil, essa função se soma à de última instância recursal e ao julgamento criminal de autoridades, o que tende a atrair embates políticos para o tribunal.

O que está em discussão dentro da própria Corte

  • O ministro Flávio Dino apresentou, em abril, uma proposta de reforma em 15 eixos, com revisão de competências do STF e dos tribunais superiores, mudanças na tramitação de processos eleitorais e endurecimento de punições penais para irregularidades envolvendo juízes, procuradores e advogados (g1, 20/4/2026).
  • O presidente do STF, Edson Fachin, defende a aprovação de um código de ética para ministros ainda neste ano, como baliza pública de conduta (g1, 31/3/2026).

Entenda: decisões monocráticas

Decisões monocráticas são tomadas individualmente por um ministro — normalmente o relator —, sem levar o caso, de imediato, ao plenário ou às turmas. O regimento interno prevê o mecanismo para dar celeridade e racionalizar o volume de processos. Na prática, a ferramenta se expandiu e virou alvo preferencial de propostas de restrição no debate eleitoral.

As regras atuais do STF

  • Nomeação: exige idade mínima de 35 e máxima de 70 anos para indicação.
  • Permanência: a aposentadoria é compulsória aos 75 anos (o que, na visão de críticos, pode levar a longas permanências e a janelas políticas estratégicas para indicações).

As propostas dos pré-candidatos

Lula (PT)

  • Sinalizou, em 5 de fevereiro, abertura para rediscutir mandatos para ministros do Supremo, retomando ideia do programa de Fernando Haddad em 2018. “Não é justo uma pessoa entrar com 35 anos e ficar até 75 (…). Eu acho que pode ter um mandato”, disse ao UOL. O vice-presidente Geraldo Alckmin também defendeu mandatos.

Flávio Bolsonaro (PL-RJ)

  • Defende mandatos no Supremo, o fim de decisões monocráticas que suspendam leis ou atos do Congresso e a possibilidade de impeachment de ministros. No Fórum da Liberdade, em Porto Alegre, em 10 de abril, afirmou que qualquer governo a partir de 2027 “vai ter que fazer uma reforma do Judiciário”.
  • Impeachment de ministros do STF: exige autorização do presidente do Senado, tramitação em comissões e, no plenário, 2/3 dos votos (54 dos 81 senadores). Nunca houve cassação de um ministro do STF.

Ronaldo Caiado (PSD)

  • Propõe mandato de dez anos, idade mínima de 60 anos para ingresso e lista tríplice formulada por órgãos do Judiciário para reduzir a indicação unilateral do presidente. “Alguém que tenha (…) reconhecimento já (…) aos seus 60 anos”, disse ao jornal O Tempo (24/4).

Romeu Zema (Novo)

  • Defende mudanças na composição, competências e funcionamento: idade mínima de 60 anos, mandato de 15 anos, lista tríplice (STJ, CNJ, OAB e MPF), fim de decisões monocráticas, redução do escopo de temas no STF e criação de corregedoria para investigar ministros.
  • Em seu plano, sugere transferir matérias criminais e tributárias ao STJ, extinguir o foro para deputados e senadores e obrigar o Senado a pautar pedidos de impeachment com apoio da maioria (g1, 26/4).

Renan Santos (Missão)

  • Propõe o fim de decisões monocráticas, prazos obrigatórios para pedidos de vista e a criação de um “Supremo Tribunal Político” para julgar deputados e senadores, com composição oriunda de diferentes tribunais superiores (TV Bandeirantes, 26/4).

Augusto Cury (Avante)

  • Defende reforma ampla: fim da vitaliciedade, mandatos de 8 a 10 anos, mudança na forma de escolha dos ministros — dois terços indicados por entidades da magistratura (AMB e Ajufe), dois ou três pelo Ministério Público e uma vaga pela OAB — e o fim das transmissões ao vivo dos julgamentos, para “evitar a espetacularização do voto” (Metrópoles, 7/4).

Como o tema evoluiu nos programas presidenciais

  • Em 2018, Fernando Haddad (PT) defendeu o debate sobre mandatos fixos; Guilherme Boulos (PSOL) sugeriu mandatos de seis anos e chamamento público para indicações.
  • Em 2026, o foco se ampliou: além de mandatos e seleção, há propostas para limitar decisões monocráticas, redefinir competências e criar mecanismos internos de controle.

O que dizem os especialistas

  • Oscar Vilhena Vieira (FGV Direito SP): há diagnósticos corretos — como a crítica ao uso expansivo de decisões monocráticas —, mas o excesso de protagonismo não é saudável para o próprio Supremo.
  • Soraia Mendes: avalia que o tribunal deve atuar como “árbitro institucional”, e não como personagem central da disputa política.
  • Fernando Schüler (Insper): vê a judicialização da política como motor da presença do STF na campanha, mas pondera que temas como economia e segurança tendem a pesar mais na decisão de voto.
  • Elias Tavares: projeta que a pauta ganhará mais força nas disputas ao Senado do que na corrida presidencial.

Análise da Revista Oi

  • O avanço do STF no debate eleitoral é sintoma de um desequilíbrio institucional: o tribunal ocupou espaços deixados por impasses legislativos, sobretudo em momentos de crise, e agora se torna alvo de propostas que miram calibrar poder e accountability. Entre as ideias em circulação, há convergência em dois eixos: mandatos e restrições às decisões monocráticas. Essas medidas respondem a problemas reais — previsibilidade de reposição e colegialidade decisória —, mas exigem desenho cuidadoso para não fragilizar a independência judicial nem paralisar a Corte.
  • A viabilidade política varia. Mudanças estruturais demandam emendas constitucionais com quórum qualificado; já códigos de ética e regras internas têm tração maior no curto prazo, como sinalizam as iniciativas de Fachin e Dino. No horizonte imediato, o mais provável é a adoção de freios e contrapesos incrementais — limites a monocráticas, prazos para vista, transparência e compliance —, enquanto propostas mais disruptivas, como alterar competências ou criar uma corte “política” paralela, enfrentam resistência técnica e institucional.

O que observar adiante

  • Se o Congresso transformará o consenso retórico sobre colegialidade e prazos em alterações normativas.
  • O alcance das reformas internas debatidas no próprio STF (código de ética, racionalização de competências).
  • O papel do Senado: além de sabatinar indicados, a Casa pode pautar PECs sobre mandatos e regras de decisão — e será palco central dessa agenda em 2026.

Em um país onde o Supremo acumula papel de guarda da Constituição e instância final de litígios de alta voltagem, discutir seu desenho institucional deixou de ser tabu e passou a ser pauta eleitoral. A maturidade desse debate — com dados, técnica e responsabilidade — dirá se a solução ajustará engrenagens ou apenas deslocará o conflito para novas arenas.

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Política

A guerra política em torno da dosimetria dos atos golpistas – O Assunto #1717

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Brasília — Um rearranjo de forças no Congresso e no Judiciário acirrou a disputa em torno do 8 de janeiro. No fim de abril, dois movimentos consecutivos impuseram revés ao Planalto: o Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias, Advogado-Geral da União, para o Supremo Tribunal Federal, e o Congresso derrubou o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à chamada “Lei da Dosimetria”, norma que reduz penas dos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. A lei chegou a ser promulgada, mas sua aplicação foi suspensa por decisão liminar do ministro Alexandre de Moraes, relator das ações que questionam a constitucionalidade do texto no STF. Enquanto o tema aguarda análise do plenário da Corte, parlamentares bolsonaristas ameaçam ressuscitar a “PEC da Anistia”, que prevê perdão “amplo, geral e irrestrito” aos envolvidos na tentativa de golpe. O impasse abre um novo capítulo da disputa institucional que, na prática, definirá o alcance da responsabilização pelos ataques à Praça dos Três Poderes.

O que está em jogo

A dosimetria é a etapa em que o juiz fixa a pena, levando em conta circunstâncias do crime e do réu. Ao estabelecer parâmetros mais brandos, a nova lei — aprovada pelo Congresso e promulgada após a derrubada do veto presidencial — teria efeito imediato sobre condenados do 8 de janeiro, reduzindo tempo de prisão e impactos acessórios. Juristas, porém, questionam se o Legislativo pode, em meio a processos em curso e sentenças já proferidas, impor balizas de dosimetria que afetem casos concretos, o que poderia colidir com a independência judicial e com a vedação a leis de “endereço certo”. O Supremo, por meio de decisão monocrática do relator Alexandre de Moraes, congelou a aplicação da lei até que o plenário julgue o mérito das ações, em linha com a prática de cautela em temas de alta fricção institucional.

As derrotas do governo no Congresso

O recado político do Parlamento veio em dose dupla. Primeiro, o Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias ao STF — um gesto raro e eloquente que expõe a distância entre o governo e a maioria necessária para aprovar nomes à Corte. Na sequência, Câmara e Senado se alinharam para derrubar o veto de Lula à Lei da Dosimetria, impondo ao Planalto uma derrota substantiva em matéria sensível à narrativa do 8 de janeiro. O conjunto sinaliza um Congresso assertivo, disposto a pautar o tom da resposta institucional aos ataques e a testar os limites da articulação do governo.

Judiciário reage e impasse vai ao plenário

Com a lei promulgada, a disputa migrou imediatamente ao STF. Relator dos casos ligados ao 8 de janeiro desde o início, Alexandre de Moraes foi sorteado para conduzir as ações diretas de inconstitucionalidade contra a nova norma e determinou sua suspensão cautelar. Na prática, os efeitos sobre as penas ficam paralisados até que a Corte forme maioria — decisão que, além de jurídica, terá forte impacto político, pois definirá se o Congresso pode redesenhar, por lei, a régua punitiva de crimes julgados pelo próprio Supremo.

Anistia “ampla, geral e irrestrita” volta ao radar

Em reação à liminar e embalados pela vitória legislativa sobre o veto presidencial, parlamentares bolsonaristas passaram a ventilar a retomada da PEC da Anistia. Um perdão constitucional “amplo, geral e irrestrito” enfrentaria, contudo, barreiras jurídicas e políticas elevadas. A Constituição veda anistia para determinados crimes (como terrorismo), e há debate robusto sobre a possibilidade — e os limites — de uma anistia que alcance delitos voltados à subversão da ordem democrática. Além disso, qualquer PEC exige três quintos dos votos em dois turnos nas duas Casas, um patamar difícil em cenário polarizado.

O que dizem os especialistas

No episódio O Assunto #1717, do g1, apresentado por Victor Boyadjian, o comentarista Valdo Cruz contextualiza os bastidores do Congresso e do STF, apontando como a derrubada do veto e a rejeição de Messias foram articuladas para pressionar o Planalto e sinalizar autonomia do Legislativo. Já a professora Eloísa Machado (FGV-SP) analisa os flancos jurídicos da Lei da Dosimetria: o risco de lei com “efeito concreto”, a interferência na individualização da pena e o tensionamento com a separação de poderes. O pano de fundo é a responsabilização pelos atos de 8 de janeiro de 2023 — quando extremistas invadiram e depredaram o Congresso, o STF e o Palácio do Planalto, em Brasília, na tentativa de reverter o resultado eleitoral, conforme registram relatos oficiais e cobertura internacional.

Análise: a política do 8 de janeiro não acabou

Na avaliação da Revista Oi, os movimentos recentes revelam uma guerra de posição. O Congresso busca reequilibrar a equação de poder, impondo sua marca num tema que mobiliza a base bolsonarista e testa a coesão da coalizão governista. O STF, por sua vez, atua para preservar a autonomia decisória e blindar a jurisprudência construída desde 2023 sobre os ataques. A ameaça de uma anistia ampla funciona como instrumento de pressão política — ainda que sua viabilidade constitucional seja altamente controversa. O resultado, qualquer que seja, vai além dos réus do 8 de janeiro: definirá fronteiras entre legislar sobre pena e invadir a esfera de decisão judicial.

Próximos passos

  • STF: o plenário deverá julgar, em data a ser definida, a constitucionalidade da Lei da Dosimetria e confirmar ou derrubar a liminar de suspensão.
  • Congresso: aliados de Jair Bolsonaro avaliam a retomada da PEC da Anistia, cuja tramitação exigiria maioria qualificada e enfrentaria contestação jurídica.
  • Governo: após duas derrotas simbólicas, o Planalto terá de recalibrar a articulação com o centrão e aliados para evitar novas perdas em pautas sensíveis.

O Assunto é o podcast diário do g1, disponível nas principais plataformas de áudio e no YouTube; o episódio #1717 aprofunda os bastidores políticos e os pontos de direito que hoje concentram a principal disputa institucional do país desde o 8 de janeiro.

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Política

Diretor da PF avisou logo cedo Alcolumbre da operação contra Ciro Nogueira

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Resumo do dia

O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Passos Rodrigues, comunicou logo cedo, nesta quinta-feira (7), ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que o senador Ciro Nogueira (PP-PI) era o principal alvo de uma nova fase da Operação Compliance Zero, relacionada ao chamado “caso Master”. Segundo apuração publicada pela imprensa, o aviso ocorreu após as equipes da PF estarem posicionadas e os alvos em segurança, seguindo protocolos de cooperação entre os Poderes para evitar sobressaltos institucionais. A PF chegou a solicitar buscas no gabinete de Nogueira no Senado e em seu escritório político, mas o ministro André Mendonça, relator do inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF), não autorizou os mandados.

O que está em jogo

  • Nova fase da Compliance Zero: A operação desta quinta (7) mira desdobramentos da investigação sobre o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro. Segundo reportagens de G1, O Globo e Correio Braziliense, a ofensiva alcançou o Congresso ao incluir Ciro Nogueira entre os alvos centrais.
  • Indícios sob análise: De acordo com a CBN, relatórios policiais apontam suspeitas de repasses mensais ligados a Vorcaro, o que sustenta as diligências desta etapa. A legalidade e a materialidade desses indícios ainda serão escrutinadas a partir da análise do material apreendido.
  • Freios institucionais: A decisão de André Mendonça de negar buscas no gabinete parlamentar buscou evitar atritos adicionais com o Senado no curso do inquérito, conforme relataram veículos como Correio Braziliense e G1.

Por que avisar o presidente do Senado

Segundo apuração veiculada pela Globo, a comunicação prévia de Andrei Passos Rodrigues a Davi Alcolumbre foi feita para que o chefe do Legislativo não fosse surpreendido e para reduzir ruídos na relação entre os Poderes durante a execução das medidas. O gesto também é interpretado dentro das regras de cooperação institucional. No pano de fundo político, a reportagem do G1 destacou que a iniciativa buscou conter tensões com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva após Alcolumbre ter articulado a rejeição do advogado-geral da União, Jorge Messias, a uma vaga no STF — episódio que acentuou a sensibilidade entre Planalto e Senado.

Contexto do “caso Master”

  • A investigação: O inquérito no STF, sob relatoria de André Mendonça, apura suspeitas envolvendo o Banco Master e eventuais repasses que teriam permeado interlocuções políticas. O empresário Daniel Vorcaro é peça-chave no caso e sua eventual colaboração com as autoridades vem sendo acompanhada de perto pela imprensa (BBC Brasil e outros).
  • Alcance político: A nova fase que envolve Ciro Nogueira — senador pelo Piauí e ex-ministro da Casa Civil — amplia o raio da investigação para o núcleo do chamado centrão, elevando o impacto político do caso no Congresso.

O que diz a defesa

A defesa de Ciro Nogueira afirmou que o senador está “comprometido em contribuir com a Justiça, a fim de esclarecer que não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados”. Em manifestações públicas, Nogueira também negou irregularidades e criticou a operação, enquanto aliados classificaram trocas de mensagens atribuídas ao parlamentar como desprovidas de ilicitude, conforme noticiado por veículos como InfoMoney, UOL e Veja.

Leitura da Revista Oi

  • A comunicação antecipada ao presidente do Senado, feita quando a operação já estava em curso e os alvos, assegurados, reforça a busca por previsibilidade e redução de atritos institucionais. Em nossa avaliação, o movimento foi prudente diante do histórico recente de tensões entre o Senado e o governo — e também entre o Senado e o STF —, especialmente após embates envolvendo indicações à Corte.
  • Ao mesmo tempo, a decisão do relator no STF de vetar buscas dentro do gabinete parlamentar indica calibragem cuidadosa entre a necessidade investigativa e a preservação do funcionamento do Legislativo. Esse recorte, somado ao alcance da ofensiva sobre um senador influente, eleva o custo político da investigação e testará a capacidade de coordenação entre PF, STF e Congresso nas próximas semanas.
  • O desfecho dependerá do que vier à tona com a perícia do material apreendido e da consistência dos indícios apresentados pela PF, que, por ora, sustentam as diligências, mas ainda carecem de exame judicial aprofundado.

Próximos passos

A PF deve avançar na análise dos documentos e dispositivos recolhidos nesta etapa da Compliance Zero. O inquérito segue no STF sob a relatoria do ministro André Mendonça. No front político, a interlocução entre a cúpula do Senado, o governo e o Supremo tende a permanecer intensa para mitigar ruídos enquanto o caso evolui. A defesa de Ciro Nogueira reafirma que cooperará com as autoridades.

Fontes citadas

  • G1 e O Globo: detalhamento da nova fase da Operação Compliance Zero e do aviso ao presidente do Senado.
  • Correio Braziliense e CBN: repercussões no Congresso e apontamentos da PF no “caso Master”.
  • BBC Brasil, InfoMoney, UOL e Veja: contexto, efeitos sobre eventual colaboração de Daniel Vorcaro e posicionamentos da defesa.
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‘Quando Deus passou a mão na cabeça de um ungido com comportamento inadequado?’, diz pastora que criticou omissão à violência doméstica

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Por Revista Oi

A pastora Helena Raquel, líder da Assembleia de Deus Vida na Palavra (ADPIV), no Rio de Janeiro, criticou nesta quarta-feira (6) a distorção teológica que colocaria líderes religiosos acima de responsabilização por conta de uma suposta “unção”. Em discurso no 41º Congresso Internacional de Missões dos Gideões Missionários da Última Hora, em Camboriú (SC) — um dos encontros missionários mais influentes do meio evangélico brasileiro —, ela também cobrou firmeza contra casos de violência doméstica, abuso sexual e pedofilia dentro da igreja. Um recorte da fala dirigido especialmente a mulheres cristãs em relacionamentos abusivos alcançou 11 milhões de visualizações no Instagram até terça-feira (5).

Discurso viral e reação no meio evangélico

  • O trecho que viralizou nas redes sociais levou o tema da responsabilização de lideranças religiosas ao centro do debate nas comunidades de fé. Na fala, Helena Raquel questiona o uso do argumento da “unção” como salvo-conduto para comportamentos inadequados e a omissão diante de crimes: “Quando Deus passou a mão na cabeça de um ungido com comportamento inadequado?”.
  • A pastora cobrou que o conceito bíblico de submissão não seja utilizado para manter mulheres em ciclos de violência, e defendeu o afastamento imediato de agressores em casos de suspeita ou confirmação de abuso, criticando o corporativismo religioso que, segundo ela, ainda protege infratores.

Quem é Helena Raquel e qual o palco da fala

  • Helena Raquel é a principal liderança da ADPIV no Rio de Janeiro e tem ampliado sua influência com mensagens voltadas a temas sociais e familiares no ambiente cristão.
  • O 41º Congresso Internacional de Missões dos Gideões, realizado em Camboriú (SC), reúne milhares de fiéis presencialmente e milhões via transmissões on-line, servindo como vitrine para tendências e posicionamentos do meio evangélico. A repercussão da fala no evento potencializou o alcance do tema nas redes e dentro das igrejas.

A “unção” e os limites da imunidade moral

  • Ao rechaçar a ideia de que a “unção” confere imunidade a líderes, a pastora mira uma distorção teológica que historicamente dificulta denúncias, investigações e a responsabilização de agressores. A crítica alcança tanto o discurso religioso quanto práticas institucionais que retardam o afastamento de suspeitos de abuso sexual e violência doméstica.
  • O recado ecoa especialmente entre mulheres cristãs, público ao qual Helena Raquel dirigiu parte do discurso, sinalizando que espiritualidade e cuidado pastoral não podem se sobrepor a obrigações legais e a protocolos de proteção.

Contexto legal: o que diz a Lei Maria da Penha

  • No Brasil, a Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006) endureceu penas, criou medidas protetivas de urgência e determinou a atuação do Judiciário e das forças de segurança para combater a violência doméstica. Desde 2012, por decisão do STF, o Ministério Público pode iniciar ações penais em casos de violência doméstica mesmo sem representação da vítima.
  • A mensagem de Helena Raquel converge com esse marco legal ao defender a proteção da vítima e o afastamento de suspeitos de agressão. Também reforça que crimes como abuso sexual infantil e estupro não são matérias internas das igrejas, mas devem ser comunicados às autoridades e tratados na esfera penal.

Análise Revista Oi

  • O posicionamento de Helena Raquel é relevante por romper uma lógica de silêncio e relativização de abuso ancorada em leituras distorcidas de autoridade espiritual. Ao levar essa agenda a um dos palcos mais influentes do meio evangélico, a pastora pressiona por práticas de responsabilização efetivas — como afastamentos imediatos, acolhimento às vítimas e cooperação com investigações — e contribui para alinhar o discurso religioso às garantias legais previstas no país.
  • A alta repercussão do discurso aponta que fieis e lideranças estão mais dispostos a discutir compliance, transparência e proteção de vulneráveis no ambiente de fé. A resistência de setores que invocam “submissão” e “unção” como escudo ainda existe, mas a tendência é que a pressão social e a base legal consolidada reduzam espaços para omissão institucional.

O que observar a seguir

  • Desdobramentos possíveis incluem a adoção (ou anúncio) de protocolos de prevenção e resposta a violências em igrejas e organizações missionárias, com canais seguros de denúncia e políticas claras de afastamento cautelar.
  • A continuidade do debate público — impulsionada pelo alcance digital do discurso — deve estimular vítimas a buscar proteção e autoridades, e lideranças a reverem práticas internas para cumprir a lei e proteger suas comunidades.

Encerramento

Ao confrontar a cultura do acobertamento sob o manto da “unção”, Helena Raquel reabre um debate crucial no meio evangélico: ninguém está acima da lei. Em um país com legislação específica para proteger mulheres e punir agressores, a mensagem que viralizou em Camboriú ultrapassa o púlpito e alcança a sociedade, reforçando que fé e justiça caminham juntas quando o foco é a dignidade e a segurança das vítimas.

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